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BC: Projeção de IPCA em 12 meses no 2º trimestre de 2028 passa de 3,1% para 3,5%

O Comitê de Política Monetária (Copom) revisou nesta quarta-feira, 4, a projeção para a inflação acumulada em 12 meses no 2º trimestre de 2028, de 3,1% para 3,5%, considerando o cenário de referência. Nesta quarta-feira, esse se tornou o horizonte relevante da política monetária.

Com a mudança, a projeção está 0,5 ponto porcentual acima do centro da meta de inflação, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC.

As medianas do relatório indicam que a Selic cairá a 12,50% no fim de 2027, depois de encerrar este ano em 13,50% ao ano, conforme boletim publicado nesta terça-feira, 3. Considerando só as estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis a novidades, a mediana indica Selic em 13,75% no fim deste ano e 12,50% no fim de 2027.

Nesta reunião, o Copom interrompeu o “ciclo de calibração da política monetária” e manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão foi unânime. Foi a primeira reunião do Copom após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Com o estresse nos mercados após o segundo turno da eleição, cresceu a aposta de que o Comitê interromperia os cortes da Selic, e, às vésperas do encontro, o mercado estava dividido sobre qual seria o desfecho. Entre as 75 casas consultadas por pesquisa Projeções Broadcast, 39 projetavam redução da Selic para 13,50% em novembro, enquanto 36 esperavam manutenção da taxa em 13,75%.

Ao justificar a decisão, o colegiado destacou que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”.

“O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, diz o comunicado.

Desde a última reunião, realizada em setembro, a mediana do Focus para a inflação em 2026 se afastou ainda mais do teto da meta de inflação, de 4,50%. Ela subiu de 4,90% para 5,22%.

As estimativas para os anos seguintes também subiram e seguiram acima do centro da meta, de 3,0%. Para 2027, a mediana avançou de 4,30% para 4,76%. Para 2028, de 3,80% para 4,00%. Para 2029, de 3,50% para 3,98%.

Já a cotação do dólar utilizada pelo Comitê em suas projeções subiu de R$ 5,15 para R$ 5,20.

Nesta quarta-feira, a projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 aumentou de 5,2% para 5,6%. Para 2027, subiu de 3,9% para 4,7%.

O colegiado também ajustou as estimativas para a inflação de preços livres em 2026 (5,2% para 5,5%), 2027 (4,1% para 4,8%) e no 2º trimestre de 2028 (3,0% para 3,4%). Para os preços administrados, revisou as estimativas para 2026 (5,3% para 6,0%), 2027 (3,5% para 4,2%) e 2º trimestre de 2028 (3,4% para 3,9%).

Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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