O preço médio do diesel nos Estados Unidos atingiu recorde nesta sexta-feira, 4, a US$ 5,85 por galão, em meio aos efeitos da guerra com o Irã sobre o fluxo global de combustíveis. A alta já pressiona custos de transporte e começa a chegar a consumidores por meio de sobretaxas em entregas e preços maiores de produtos, especialmente alimentos.
Como o diesel é amplamente usado no transporte de cargas, em máquinas agrícolas, barcos, trens e caminhões, o encarecimento do combustível tende a se espalhar por diferentes cadeias de produção. Entre os segmentos mais expostos estão alimentos perecíveis, como frutas, verduras, carnes e pescados, que exigem transporte e reposição frequentes.
Segundo a associação automobilística AAA, o diesel está quase 56% mais caro do que antes do início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, no fim de fevereiro, quando a média nacional era de cerca de US$ 3,76 por galão. O petróleo subiu com as interrupções no abastecimento no Oriente Médio, sobretudo diante dos gargalos ao tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
Após uma trégua nos preços durante as expectativas de paz no início do verão, o petróleo voltou a subir com a nova escalada entre Washington e Teerã. O Brent era negociado acima de US$ 95 por barril nesta sexta-feira, ante cerca de US$ 70 antes da guerra.
A gasolina também encareceu, embora em ritmo menor. O galão da comum estava em média a US$ 4,15, ante US$ 3,20 há um ano e US$ 2,98 antes da guerra. Segundo a AAA, o combustível nunca havia superado US$ 4 por galão durante o feriado do Dia do Trabalho.
O avanço pode ampliar as dificuldades políticas dos republicanos antes das eleições de meio de mandato de novembro. Pesquisa AP-NORC realizada neste verão do Hemisfério Norte mostrou que dois em cada três adultos americanos desaprovavam a condução da economia pelo presidente Donald Trump.
Apesar do recorde nominal, o diesel já esteve mais caro em termos reais. O pico de quase US$ 5,82 por galão registrado em 2022 equivaleria a cerca de US$ 6,56 em valores de 2026, enquanto os US$ 4,74 observados antes da crise financeira de 2008 corresponderiam hoje a cerca de US$ 7,20.
A pressão tende a aparecer primeiro nos alimentos. Segundo a Independent Grocers Alliance, que reúne 7,5 mil supermercados, combustíveis representam de 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços de alimentos nos supermercados americanos subiram 2,7% em relação ao ano anterior, enquanto pescados avançaram 7% e frutas frescas, 4,9%.
David Ortega, professor de economia e política alimentar da Universidade Estadual de Michigan, explicou que parte do choque é inicialmente absorvida por contratos de frete existentes e pelas margens do varejo. “Mas, à medida que os contratos são reajustados e as sobretaxas de combustível entram em vigor, uma parcela maior desse custo chega aos supermercados”, afirmou.
Empresas já começaram a repassar parte da pressão. Em abril, a Amazon implementou sobretaxa temporária de 3,5% por combustível e logística para alguns vendedores terceiros. UPS, FedEx e o Serviço Postal dos EUA também adicionaram taxas a algumas encomendas no início da guerra, citando o aumento dos custos de combustível.
Ajesh Kapoor, CEO da empresa de tecnologia para transporte SemiCab, afirmou que o setor consegue se adaptar ao encarecimento do diesel apenas até certo ponto. “O preço do diesel tem um impacto muito, muito direto sobre tudo o que se movimenta em praticamente qualquer modalidade de transporte”, disse.
O choque também alcança transporte público e geração de energia, já que ônibus, trens e geradores utilizam diesel. Em outras regiões, o impacto é ainda mais intenso: desde o fim de fevereiro, os preços subiram 90% na Nigéria, quase 87% na Indonésia e 77% no Líbano, segundo a Global Petrol Prices.
Neil Atkinson, analista de energia e pesquisador sênior do National Center for Energy Analytics, alertou para a pressão sobre o sistema global de refino à medida que derivados ficam mais caros e os estoques físicos diminuem. “Isso não pode continuar para sempre”, afirmou. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado


