Sob grave crise financeira e administrativa, o Corinthians vive período eleitoral e definiu nesta quinta-feira, 15, as chapas que vão disputar as eleições presidenciais no clube. Cerca de 4 mil associados vão às urnas no dia 28 de novembro para decidir quem será o próximo mandatário e a renovação de 200 cadeiras do Conselho Deliberativo para o triênio 2027-2029.
O pleito deste ano é considerado um dos mais importantes da história do clube. Quem assumir terá de lidar com uma dívida de R$ 2,8 bilhões, a quitação da Neo Química Arena junto à Caixa Econômica Federal, a reforma estatutária e a falta de confiança do torcedor. Paralelamente à eleição, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está em fase final de uma investigação que pode levar a uma intervenção judicial no clube.
A primeira carta fora do baralho é Osmar Stábile. O presidente comunicou a pessoas próximas nesta quinta a desistência de concorrer ao pleito. Pressionado pela má fase do time e o aumento exponencial da dívida, o dirigente demonstrava interesse em permanecer no cargo, mas acabou mudando de ideia nas últimas semanas.
Sem a reforma estatutária, a interpretação sobre a elegibilidade do dirigente também ficou em aberto. O estatuto do Corinthians proíbe a reeleição, mas abre exceção para casos de vacância – Stábile assumiu após o impeachment de Augusto Melo. O texto estipula o prazo máximo de 18 meses para permitir a candidatura, mas não ficou claro se o período em que o cartola trabalhou como interino entra nesta conta.
VEJA ABAIXO QUEM SÃO OS CANDIDATOS À PRESIDÊNCIA DO CORINTHIANS:
André Castro
André Castro é gestor de investimentos e cumpre mandato como conselheiro trienal do clube. Ficou conhecido pela alcunha de “André do Bilhão” após afirmar publicamente que tinha um acordo com um investidor para uma injeção de US$ 1 bilhão. Os vices da chapa são Everton Roberto Dumbrovsky e Luiz Soares do Santos.
Sua plataforma propõe a renegociação estruturada do endividamento com o uso de ferramentas do mercado de capitais e atração de novos investidores. Castro enfatiza a necessidade de implementar governança compliance rígidos em todas as transações de futebol e contratos comerciais.
No plano esportivo, defende a integração da análise de dados à base e ao futebol profissional, além do fortalecimento da marca do clube em mercados internacionais para alavancar novas receitas de marketing.
Ilmar Schiavenato
Ilmar Schiavenato é conselheiro vitalício e ex-atleta de remo do Corinthians, com mais de 40 anos de vivência no Parque São Jorge. Com passagem pela diretoria social, apresenta-se como uma candidatura de oposição experiente e conhecedora do cotidiano do clube. Foi diretor social do clube entre 2012 e 2014, na gestão do ex-presidente Mário Gobbi, e tem como vices Susy Miranda e Ernesto Teixeira.
Sua plataforma prioriza a modernização do clube social e a valorização dos esportes associativos. O candidato propõe melhorias na infraestrutura para os sócios e o fortalecimento de modalidades como basquete e vôlei no Parque São Jorge.
Propõe ainda integrar a Neo Química Arena à torcida, transferindo o memorial do clube para o estádio para transformá-lo em ponto turístico.
José Augusto Mendes (Zé Mendes)
Conselheiro vitalício do Corinthians, José Augusto Mendes traz na sua bagagem a experiência profissional no setor industrial e em consultorias executivas – tem MBA pela McKinsey & Company. Seus vices são Marcelo Kahan Mandel e Mirella Havir e sua candidatura se apresenta como uma alternativa de reestruturação pautada na transparência e no planejamento financeiro por etapas.
Sua proposta estabelece um plano trienal objetivo: um primeiro ano focado no corte rígido de despesas, estancamento de desperdícios e renegociação de dívidas de curto prazo; seguido por anos de consolidação e crescimento com a chegada de novos aportes. Mendes também defende a contratação de um CEO para gerir o cotidiano do clube em conjunto com a presidência.
Para os patrimônios, propõe criar uma diretoria específica e profissionalizada para a Neo Química Arena e estudar a transformação da Fazendinha em uma arena multiuso para gerar novas receitas ao Parque São Jorge. Apoia ainda a revisão da política de ingressos e a ampliação da captação de talentos nas categorias de base.
Rozallah Santoro
Rozallah Santoro ganhou destaque na política corintiana ao atuar no setor financeiro do clube, ocupando o cargo de diretor no início da gestão Augusto Melo. Tem trajetória profissional no mercado executivo e sustenta um discurso pautado pela disciplina orçamentária, auditoria de contas e eficiência operacional. Seus vices são Joaquim Arruda e Zezinho Mansur.
Suas propostas prioritárias concentram-se na redução expressiva de custos e no saneamento da dívida do clube. Rozallah defende a profissionalização de todos os departamentos administrativos, a revisão minuciosa de contratos operacionais e de patrocínio e a implementação de práticas rigorosas de governança corporativa.
No futebol, propõe uma gestão focada no uso otimizado de dados e captação estratégica de atletas. Além disso, apoia o debate em torno de novas fontes de receita para o clube social e para a Neo Química Arena, visando rentabilizar melhor os ativos do Corinthians.
Sérgio Janikian
Sérgio Janikian é um nome tradicional na política do clube, com passagens por diretorias em gestões anteriores, e apoia-se no conhecimento interno dos bastidores do Parque São Jorge e na necessidade de estabilidade política.
Janikian foi diretor de futebol do Corinthians por três meses, em 2015, na gestão de Roberto de Andrade. Ficou marcado por chamar o confronto contra o Guarani-PAR, pelas oitavas de final da Libertadores, de “presente de Deus”. O time acabou eliminado pela equipe paraguaia.
Ele defende reformas estatutárias e a ampliação dos debates sobre a modernização do clube. Em suas propostas, posiciona-se a favor de discutir o direito de voto para o Fiel Torcedor. Na gestão do futebol e dos desportos associativos, quer alinhar a responsabilidade fiscal com a montagem de elencos competitivos. Defende também uma aproximação responsável com os associados e conselheiros para evitar crises políticas prolongadas.
Tem como vices Antonio Jorge Rachid Junior e Simone Martins dos Anjos.



