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Voto de legenda em 2026 é o menor em série histórica de três décadas

O voto de legenda registrou nestas eleições a menor proporção em relação ao total de votos desde o início do registro na base de dados do TSE, em 1998. Nesse tipo de voto, o eleitor digita na urna apenas o número do partido, e não o de um candidato a deputado federal, estadual ou distrital específico. Mesmo sem ser destinado a nenhum postulante, o voto ajuda a legenda a conquistar cadeiras no sistema proporcional.

Entre os 122,9 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, incluindo brancos e nulos, 3,4 milhões foram destinados às legendas e não a um candidato, o que equivale a 2,8% do total. Em 1998, esse tipo de voto correspondeu a 11,3% do sufrágio para a Câmara. Nos pleitos às Assembleias de Estados e à Câmara do Distrito Federal, a proporção de votos de legenda foi de 5,8% em relação ao total. Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre os partidos com representação no Congresso, a Rede registra o maior porcentual de votação na legenda, com 19% dos votos oriundos da modalidade. Já o PT teve o maior quantitativo de votos do tipo, 1 milhão, equivalentes a 6,8% do total de votos da sigla. O PL, que elegeu a maior bancada da próxima legislatura, registrou 623 mil votos do tipo, ou 2,4% dos votos que recebeu. O menor porcentual de voto de legenda é do Podemos, com 1,1% de votação do tipo.

Para a cientista política Silvana Krause, a retração do voto de legenda “não surpreende”. “Há um processo de rejeição a instituições políticas que especificamente para os partidos é ainda mais intenso”, disse a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto deste ano, são 55% os brasileiros que desconfiam dos partidos políticos, enquanto 44% afirmaram confiar neles. O índice é inferior aos que disseram confiar na Presidência da República (57%), no Congresso (49%) e no Supremo Tribunal Federal (50%). De acordo com o mesmo levantamento, o Pix, a Igreja Católica, a Polícia Militar e as Forças Armadas são as instituições com maior confiança dos brasileiros.

Para Silvana, além da crise de confiança nas siglas, o próprio modo de se fazer campanha, cada vez mais ligado à lógica das redes, também explica dissociação entre eleitor e partidos. “Os candidatos berram nas redes, mas não há um projeto de legenda nem programa partidário consistente.”

A professora também aponta para o papel das emendas parlamentares, que personalizam o voto e tornam o “padrinho” da verba mais relevante que o partido a que ele está filiado.

“Não temos um semipresidencialismo, um presidencialismo de coalização ou um parlamentarismo, temos um ‘gabineratismo’, com o orçamento dos gabinetes cada vez mais fortalecido”, afirma Silvana.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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