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Na neblina da incerteza eleitoral, o empreendedor precisa de direção, não de espera

Na neblina, quem guia é a bússola

Na expedição ao Equador, quando voltávamos da escalada do Vulcão Illiniza, a neblina chegou e fechou o caminho.

Quem nunca passou por isso talvez imagine a neblina como algo bonito, quase poético. E ela é, vista de longe. Mas, quando você está dentro dela, a montanha muda de cara.

O horizonte some.

As referências desaparecem.

A trilha que parecia óbvia vira uma dúvida.

A pedra que servia de marco fica igual a tantas outras.

Você sabe para onde precisa ir, mas já não enxerga o caminho com a mesma clareza.

Nesse momento, aprendemos uma lição simples:

«Na neblina, não é a vista que guia. É a bússola.»

O Brasil também tem neblina

Estamos a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial. E, como costuma acontecer nesses períodos, muitos empresários entram em modo de espera.

“Vou aguardar a eleição para decidir.”

“Depois do resultado eu contrato.”

“Vamos ver como fica o cenário.”

É compreensível. Eleição mexe com confiança, juros, câmbio e investimentos. O horizonte fica embaçado, e ninguém sabe exatamente como estará a economia no próximo ano.

Mas deixo aqui uma provocação:

quando foi a última vez que o empreendedor brasileiro teve um horizonte totalmente limpo?

A Tufann nasceu em 1998. Desde então, atravessamos diferentes governos, crises, mudanças de mercado, fases de crescimento e anos em que cada mês parecia uma nova subida.

Se eu tivesse esperado o céu abrir completamente para decidir, talvez a empresa ainda estivesse no porão da casa da minha avó.

Os dois erros diante da neblina

Na montanha, existem dois jeitos de errar quando o tempo fecha.

O primeiro é parar e esperar que tudo clareie. Parece prudente, mas nem sempre é.

O frio continua.

O corpo perde temperatura.

O tempo passa.

Ficar parado também tem consequências.

O segundo é fingir que a neblina não existe e seguir no mesmo ritmo, confiando na sorte.

É assim que pessoas se perdem.

Nas empresas acontece algo parecido.

Há quem paralise todas as decisões, como se a economia ficasse suspensa até o resultado.

E há quem ignore os sinais e continue apostando como se nada pudesse mudar.

O caminho mais maduro fica entre os dois:

reduzir a velocidade, redobrar a atenção, reavaliar a rota.

Mas continuar andando.

«Em tempos de incerteza, o empresário não precisa enxergar todo o caminho. Precisa saber em que direção está andando.»

A bússola e a mochila

Na montanha, ninguém atravessa a neblina só com a bússola.

Ela aponta a direção, mas é a mochila bem preparada que mantém você de pé até o tempo abrir.

Nas empresas é igual.

A bússola é o que dá direção:

Propósito claro.
Saber por que a empresa existe evita que cada notícia, rumor ou mudança de expectativa faça o negócio perder o rumo.

Informação confiável.
Em dias nublados, sobra ruído: opiniões, previsões, manchetes, mensagens de grupo.

Decisões importantes não podem nascer do medo ou da euforia.

Precisam se apoiar em fatos, números e na realidade do próprio negócio.

A mochila é o que sustenta a travessia:

Caixa saudável.
Quem tem reserva e controle financeiro atravessa o tempo fechado com mais serenidade. Quem vive no limite sente qualquer vento com muito mais intensidade.

Cliente bem atendido.
Governos mudam, mas o cliente continua querendo receber o que foi prometido e confiar em quem entrega.

Equipe preparada.
Quando o cenário exige adaptação, gente boa vale ainda mais.

Nenhuma eleição entrega a bússola calibrada nem a mochila pronta.

As duas são construídas todos os dias.

«Ciclos políticos mudam. Os clientes, a equipe e o compromisso com o negócio continuam presentes todos os dias.»

Guarulhos não espera a apuração

E poucos entendem isso tão bem quanto quem toca um negócio todos os dias em nossa cidade.

O dono da padaria que abre às cinco da manhã.

A transportadora que põe os caminhões na estrada antes do sol nascer.

A indústria que liga as máquinas.

O comércio que levanta as portas.

Nenhum deles vai parar na segunda-feira, 26 de outubro, esperando o país se acertar.

O boleto vence.

O cliente liga.

A folha precisa ser paga.

É essa gente que movimenta a economia, no chão da fábrica, no balcão, na estrada e na rua.

São milhares de pessoas que não podem esperar por um cenário perfeito para continuar trabalhando.

Votar e construir

Que fique claro: eleição importa.

Votar com consciência, pesquisar, refletir e escolher com responsabilidade é dever de todo cidadão.

Mas, terminada a votação, o empreendedor tem outro compromisso:

continuar construindo.

As pessoas precisam do emprego.

Os clientes precisam ser atendidos.

E o país precisa de quem produz, investe e acredita no futuro.

Naquela descida do Illiniza, a neblina acabou ficando para trás.

Como tantas vezes acontece na montanha, o horizonte voltou a aparecer.

Mas, até que isso acontecesse, tivemos de continuar decidindo sem enxergar tudo.

Nos negócios é igual.

Nem sempre teremos todas as respostas.

Nem sempre saberemos o que existe depois da próxima curva.

Mas podemos manter a direção.

Podemos cuidar da mochila.

E podemos seguir caminhando.

«A neblina não pede licença. Mas, quando o céu abre, quem continuou caminhando com direção está mais perto de onde queria chegar.»

Porque quem tem direção não precisa esperar o céu ficar totalmente limpo para continuar avançando.

Ricardo Nogueira
Empresário e colunista

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Empresário | Sócio-Fundador do Grupo TUFANN | Ex-Presidente da ABRALIMP e atual membro do conselho| Diretor de Feira de Negócios da Abralimp - Higiexpo 2026 | Palestrante HigiTrends | Membro da Diretoria Fiscal da CEBRASSE

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