ENVIE SUAS DENUNCIAS E VÍDEOS PARA NOSSO E-MAIL: @REDACAOFOLHADEGUARULHOS.COM.BR

Caminhão adaptado para B100 roda até com ‘gordura de picanha’

A JBS, uma das gigantes globais da produção de carne bovina e derivados, já rodou mais de 500 mil quilômetros com caminhões extrapesados DAF e Volkswagen movidos a B100 (100% biodiesel) produzido por sua subsidiária Biopower. Atualmente, o teor obrigatório de biodiesel misturado ao óleo diesel no Brasil é de 15% (B15).

A empresa recebeu no ano passado mais de R$ 140 milhões em investimentos para a modernização e ampliação de suas usinas produtoras de biodiesel em Lins (SP), Mafra (SC) e Campo Verde (MT) e estima terminar este ano com uma capacidade de produção de 650 milhões de litros do biocombustível.

O combustível produzido pela Biopower usa resíduos animais da cadeia produtiva da JBS, como sebo bovino, e óleo de cozinha usado, entre outros produtos orgânicos, como matéria-prima.

O biodiesel é derivado da reação de esterificação destas gorduras de origem vegetal e animal, passa por purificação e filtragem e vai para os tanques de armazenagem. Hoje, usinas como as da Biopower fornecem biodiesel para o mercado de combustíveis que adiciona 15% do produto ao diesel de petróleo antes de chegar aos postos.

Os caminhões DAF XF e VW Constellation operados pela JBS e abastecidos 100% com biodiesel realizam diariamente o trajeto entre a cidade paulista de Lins e o porto de Santos, transportando cargas para exportação, como alimentos congelados e resfriados.

Eles transportam carretas com contêiner em percursos com aclives e declives acentuados e, segundo a empresa, mantêm alta eficiência sem registrar falhas no motor ou desgaste dos componentes, mesmo sendo abastecido com 100% de biodiesel.

Segundo a JBS, os caminhões da frota também transportam bovinos vivos e outros produtos para a cadeia logística da empresa.

O biodiesel, por ser um produto derivado de gorduras vegetais e animais, pode apresentar algumas características que, em casos de armazenagem não adequada, prejudicam os motores dos veículos.

Efeitos colaterais

Sua composição pode apresentar quantidades de água e de matéria orgânica que se depositam no fundo do tanque e que, quando são puxadas para o sistema de alimentação do caminhão, podem promover oxidação precoce dos componentes e depósitos de borra que podem entupir mangueiras, válvulas e cavidades do motor a diesel.

No caso da operação da JBS com o biocombustível, como a empresa é a produtora do B100, utiliza práticas de armazenagem que promovem a manutenção da qualidade do biodiesel e, por isso, o caminhão não apresentou falhas, informa a empresa.

Em geral, caminhões que rodam com B100 são preparados para isso e recebem adaptações no software de distribuição de combustível e em mangueiras e válvulas para suportar o produto puro. A JBS não informou se fez alguma adaptação em seus caminhões.

Bioponto

De acordo com a empresa, os caminhões movidos a B100 são abastecidos no primeiro ponto de abastecimento de biodiesel 100% homologado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), batizado de bioponto pela empresa, em Lins (SP).

O ponto de abastecimento foi instalado no complexo da JBS, onde também fica uma das unidades da Biopower e a estrutura conta com duas bombas e capacidade de armazenamento de até 46 mil litros de combustível.

O uso de biocombustíveis como o B100 feito com gordura animal e óleo de cozinha usado da JBS permite que a operação com o caminhão deixe de emitir cerca de 90% do carbono que seria liberado por um veículo movido a diesel de petróleo.

Isso acontece porque o biodiesel é um combustível não fóssil e 100% renovável, que usa como matéria-prima produtos que seriam descartados e que são reaproveitados de forma circular. O biodiesel apresenta o mesmo desempenho e consumo que o diesel comum.

Avatar photo

Por Redação Folha de Guarulhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *