Assumir este espaço como colunista da Folha de Guarulhos representa uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, uma oportunidade de compartilhar ideias, experiências e reflexões que contribuam para o desenvolvimento das empresas, das instituições e da nossa sociedade.
Para este primeiro artigo, escolhi falar sobre um tema no qual acredito profundamente: a força do associativismo.
Uma associação sem fins lucrativos nasce quando pessoas, profissionais ou empresas percebem que determinados desafios são grandes demais para serem enfrentados individualmente. Elas se unem em torno de objetivos comuns, compartilhando conhecimento, experiências e recursos para fortalecer um mercado, uma atividade econômica ou um segmento profissional.
Ser uma instituição sem fins lucrativos não significa trabalhar sem planejamento, estrutura ou resultados. Significa que os recursos gerados são direcionados para a própria finalidade da entidade, como capacitação, representação, desenvolvimento do setor, defesa de interesses legítimos, geração de oportunidades e apoio aos associados.
Uma associação forte não trabalha apenas para si. Ela trabalha para melhorar o ambiente em que todos estão inseridos.
No mercado, as empresas naturalmente competem por clientes, projetos e oportunidades. Essa competição é saudável e necessária. Mas, dentro de uma associação, essas mesmas empresas podem se sentar à mesma mesa para discutir os desafios do setor, desenvolver boas práticas, criar padrões de qualidade e construir caminhos para o crescimento coletivo.
Lá fora, podemos disputar uma parcela do mercado. Dentro de uma associação, trabalhamos para ampliar e valorizar o mercado inteiro.
Essa é uma das maiores virtudes do associativismo: compreender que existem questões que não pertencem apenas a uma empresa, mas a todo um segmento.
Qualificação profissional, segurança jurídica, inovação, produtividade, sustentabilidade, representatividade institucional e reconhecimento da atividade são exemplos de temas que exigem diálogo e construção conjunta.
Quando as empresas trabalham de maneira isolada, cada uma tenta resolver esses desafios dentro de seus próprios limites. Quando atuam de forma cooperada e colaborativa, aumentam sua capacidade de transformação.
O associativismo também exerce um papel importante na aproximação entre empresas, poder público, instituições de ensino, trabalhadores e sociedade. Uma entidade organizada consegue reunir informações, apresentar propostas e representar seu setor de maneira mais estruturada.
Em vez de muitas vozes falando separadamente, surge uma voz coletiva, preparada para defender ideias, apresentar soluções e participar das decisões que impactam aquele mercado.
Outro ponto fundamental é o sentimento de pertencimento.
O associado precisa perceber que faz parte de algo maior. Ele não deve ser apenas um nome em uma lista ou um número em uma contribuição mensal. Precisa ser ouvido, acolhido e estimulado a participar.
Uma associação se fortalece quando seus associados compreendem que não estão apenas recebendo benefícios, mas ajudando a construir o futuro do próprio setor.
Essa relação exige participação dos dois lados. A entidade precisa oferecer valor, representatividade, informação e oportunidades. O associado, por sua vez, precisa contribuir com ideias, conhecimento, presença e envolvimento.
Associativismo não é um esporte de arquibancada. É trabalho de equipe.
Também não se trata de apagar diferenças. Empresas possuem tamanhos, histórias, estratégias e interesses distintos. A força está justamente em reconhecer essa diversidade e encontrar os pontos que podem ser trabalhados em conjunto.
Cooperar não significa deixar de competir. Significa entender que um setor mais profissional, respeitado e desenvolvido cria melhores oportunidades para todos.
Quando uma entidade promove treinamentos, eventos, encontros empresariais, pesquisas, grupos de trabalho e ações institucionais, ela está criando pontes. Pontes entre pessoas, empresas, conhecimento e oportunidades.
Muitas parcerias comerciais começam em ambientes associativos. Muitas melhorias surgem de uma conversa entre profissionais que enfrentam dificuldades semelhantes. Muitas mudanças importantes começam quando alguém decide compartilhar uma ideia em vez de guardá-la.
O trabalho cooperado transforma experiências individuais em inteligência coletiva.
Em uma cidade com a dimensão econômica de Guarulhos, o associativismo possui um papel ainda mais estratégico. Temos empresas de diferentes portes, setores produtivos relevantes, empreendedores, prestadores de serviços e profissionais que movimentam diariamente a economia local.
Quanto maior for a integração entre essas forças, maior será nossa capacidade de gerar empregos, desenvolver negócios, atrair investimentos e construir soluções para os desafios da cidade.
Nenhuma empresa, instituição ou liderança constrói um mercado forte sozinha.
O desenvolvimento sustentável acontece quando existe diálogo, confiança, participação e propósito comum. É dessa união que nascem os setores mais preparados, as empresas mais competitivas e as comunidades mais prósperas.
O associativismo nos ensina que compartilhar conhecimento não diminui ninguém. Pelo contrário, eleva o nível de todos.
Sozinhos, podemos avançar mais rapidamente em alguns momentos. Unidos, podemos construir caminhos mais sólidos, ampliar horizontes e transformar mercados.
Quando existe cooperação, o crescimento deixa de ser apenas individual e passa a ser coletivo.
E quando todo um setor cresce, a sociedade inteira se beneficia.
Ricardo Fonseca Nogueira
Empresário e colunista



