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ENEM 2026: neurocientista apresenta 10 técnicas de memorização para melhorar o desempenho nos estudos

Com a proximidade do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2026, previsto para os dias 8 e 15 de novembro, milhares de estudantes intensificam a preparação para uma das principais avaliações educacionais do país. Nesse período, a organização dos estudos, o controle da ansiedade e a capacidade de memorizar informações tornam-se fatores importantes para o desempenho dos candidatos.

Para auxiliar os estudantes, o neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, Pós-PhD em Neurociências, diretor científico do Centro de Pesquisa e Análises Heráclito (CPAH) e professor convidado do curso de Neurociências da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), apresenta dez estratégias voltadas ao fortalecimento da memória e à melhoria da aprendizagem.

As recomendações estão relacionadas ao estudo científico “Técnicas para memorização: sobre as células de engramas”, publicado em 2021 na revista internacional Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar. A pesquisa aborda mecanismos relacionados à formação das memórias, à neuroplasticidade, à atenção e aos efeitos da ansiedade sobre o processo de aprendizagem.

Entre os estudantes que relatam utilizar essas estratégias está Caio Temponi, reconhecido pelo RankBrasil após conquistar 18 aprovações em vestibulares aos 14 anos, incluindo uma aprovação no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).

Como o cérebro armazena e recupera informações

De acordo com Fabiano de Abreu, o processo de memorização está relacionado à formação e à reativação de redes de neurônios associadas a experiências e conhecimentos adquiridos. Essas redes são conhecidas como engramas e participam dos mecanismos que permitem armazenar e recuperar informações.

O hipocampo, região cerebral envolvida na formação de novas memórias, desempenha papel importante nesse processo. Além disso, a plasticidade sináptica, capacidade de modificar as conexões entre neurônios, contribui para a consolidação do aprendizado.

Segundo o especialista, a memorização eficiente não depende exclusivamente da repetição de conteúdos, mas também da compreensão, do interesse e da associação entre diferentes informações.

“A memória não é um ato de força, mas um processo. Para ser eficaz, a informação precisa despertar interesse e criar conexões, respeitando os processos biológicos do cérebro”, explica o neurocientista.

Conheça as 10 técnicas de memorização recomendadas pelo especialista

1. Compreenda o conteúdo antes de memorizar

O primeiro passo para uma aprendizagem eficiente é compreender o significado das informações estudadas. Quando o estudante entende um conceito, torna-se mais fácil relacioná-lo a conhecimentos anteriores e aplicá-lo em diferentes situações.

A estratégia é especialmente importante em disciplinas que exigem interpretação, raciocínio lógico e resolução de problemas.

2. Ensine o que acabou de aprender

Explicar determinado assunto para outra pessoa, ou mesmo em voz alta, sem consultar o material, estimula a recuperação ativa das informações armazenadas na memória.

Além de reforçar o aprendizado, a prática permite identificar dúvidas e conteúdos que precisam ser revisados.

3. Organize os estudos em blocos de concentração

Estudar durante muitas horas consecutivas nem sempre representa maior aproveitamento. A recomendação é dividir o tempo em períodos de aproximadamente 20 a 30 minutos de concentração, intercalados com pequenas pausas.

Essa organização pode ajudar a reduzir a fadiga mental e manter a atenção durante as atividades. A duração ideal dos blocos, entretanto, pode variar conforme as necessidades individuais.

4. Utilize mapas mentais

A organização visual de informações por meio de palavras-chave, imagens, esquemas e conexões entre conceitos pode facilitar a compreensão de assuntos complexos.

Os mapas mentais ajudam a identificar relações entre diferentes temas e podem funcionar como ferramentas complementares durante as revisões.

5. Associe novas informações a conhecimentos anteriores

Relacionar fórmulas, datas, acontecimentos históricos e conceitos científicos a informações familiares pode facilitar a recuperação do conteúdo.

Essas associações funcionam como pistas de memória e permitem que o estudante estabeleça conexões entre assuntos já conhecidos e novos conhecimentos.

6. Explore a criatividade e as associações emocionais

Histórias, imagens inusitadas e exemplos relacionados à realidade do estudante podem tornar determinadas informações mais marcantes.

Segundo a abordagem apresentada pelo especialista, o interesse e o envolvimento emocional podem influenciar a atenção e a formação das memórias.

7. Priorize uma rotina adequada de sono

Dormir bem é fundamental para o funcionamento cerebral. Durante o sono, ocorrem processos envolvidos na consolidação das memórias e na organização das informações adquiridas ao longo do dia.

Por isso, reduzir as horas de descanso para prolongar os estudos pode comprometer a concentração, o raciocínio e a capacidade de recuperar conhecimentos durante a prova.

8. Mantenha uma alimentação equilibrada

A alimentação também está relacionada à saúde cerebral. Nutrientes como ômega 3, vitaminas e compostos antioxidantes participam de processos importantes para o funcionamento do organismo.

O especialista recomenda uma dieta equilibrada, ressaltando que nenhum alimento isolado é capaz de garantir melhora da memória ou aumento do desempenho acadêmico.

9. Leia, escreva e coloque a memória à prova

Além da leitura, o estudante pode produzir resumos com as próprias palavras, explicar conteúdos e tentar responder a questões sem consultar livros ou anotações.

Essas atividades estimulam a recuperação ativa das informações e ajudam a identificar os assuntos que ainda precisam de atenção.

A resolução de exercícios e simulados também permite desenvolver familiaridade com diferentes formatos de questões.

10. Reduza as distrações e utilize revisões espaçadas

Celulares, notificações e interrupções frequentes podem prejudicar a concentração durante os estudos.

A recomendação é estabelecer um ambiente adequado, com o mínimo possível de distrações, e revisar os conteúdos em diferentes dias.

A chamada repetição espaçada consiste em distribuir as revisões ao longo do tempo, favorecendo a retenção das informações por períodos mais prolongados.

Ansiedade pode interferir na recuperação da memória

Além das técnicas de estudo, Fabiano de Abreu destaca a importância do equilíbrio emocional durante a preparação para o ENEM.

De acordo com a análise apresentada em sua pesquisa, estados de ansiedade e estresse intenso podem comprometer a atenção e dificultar a recuperação de informações, mesmo quando o estudante já possui conhecimento sobre determinado assunto.

Essa situação pode ocorrer especialmente em avaliações de grande importância, nas quais a pressão pelo desempenho aumenta a preocupação dos candidatos.

O especialista explica que aprender um conteúdo e conseguir recuperá-lo durante uma prova são processos relacionados, mas distintos. Por esse motivo, a preparação deve envolver não apenas leitura e compreensão, mas também exercícios práticos, revisões e atividades que estimulem a recordação sem auxílio.

A organização da rotina, o descanso adequado e a realização de simulados podem contribuir para uma preparação mais equilibrada.

Reta final exige organização e equilíbrio

Com poucos dias até o início das provas, a recomendação é priorizar uma rotina de estudos organizada, evitando sobrecarga e mudanças bruscas nos hábitos de descanso.

Nesse período, revisar os principais conteúdos, resolver questões de provas anteriores e identificar dificuldades específicas pode ser mais produtivo do que tentar aprender grandes volumes de informações de maneira acelerada.

O exemplo de Caio Temponi, jovem reconhecido por suas aprovações em vestibulares, é apresentado como um caso de estudante que relata utilizar estratégias de memorização em sua preparação acadêmica.

Entretanto, o estudo de Fabiano de Abreu possui caráter teórico e apresenta orientações práticas fundamentadas em mecanismos da memória, sem avaliar diretamente a eficácia dessas técnicas no desempenho de candidatos do ENEM.

A principal orientação é compreender que a aprendizagem depende de diferentes fatores, incluindo atenção, organização, descanso e revisão dos conteúdos.

Mais do que memorizar uma grande quantidade de informações, o objetivo é desenvolver condições para compreender, relacionar e recuperar conhecimentos no momento necessário.

Referência científica

RODRIGUES, Fabiano de Abreu. Técnicas para memorização: sobre as células de engramas. Ciencia Latina Revista Científica Multidisciplinar, v. 5, n. 5, p. 9873–9888, 2021.

DOI: https://doi.org/10.37811/cl_rcm.v5i5.1037

Fonte: Informações divulgadas pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela, com base em estudo científico publicado em 2021.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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