A entrevista do técnico que conduziu a seleção espanhola ao seu segundo título da Copa do Mundo terminou com palmas e reconhecimento. Luis de la Fuente foi reverenciado pelo trabalho que colocou a Espanha no topo.
Ele agradeceu aos jogadores e revelou o que disse a eles antes e depois da vitória sobre a Argentina, com gol de Ferran Torres na prorrogação. “Eu disse a eles: senhores, temos um encontro marcado com a história e precisamos ser os primeiros a chegar”.
“Depois da partida, alguns jogadores me perguntaram o que ainda precisamos vencer. Ainda temos muito a vencer. E na prorrogação, eu falei a eles que tínhamos que continuar, que estávamos jogando melhor”, continuou o treinador.
O treinador de 65 anos também contou o que falou a Lionel Scaloni, seu amigo e aluno no curso da Uefa em 2017. “Nos abraçamos e eu o agradeci. Porque aprendi muito com ele, com as conversas que tivemos”, resumiu.
“E eu disse a ele que ele é jovem, que tem uma longa carreira pela frente na seleção argentina. Hoje merecemos vencê-lo, mas o trabalho dele é extraordinário. Sinto muito por ele agora e entendo suas lágrimas”.
A taça é resultado do bem-sucedido projeto desenvolvido dentro da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), com integração entre as categorias de base e a equipe principal, e que teve De la Fuente como o artífice.
O técnico de trato afável ingressou na estrutura da RFEF em 2013, após ter comandado as categorias de base do Sevilla e a academia do Athletic Bilbao.
Passou pela seleção sub-19 e pela sub-21 e olímpica antes de chegar à equipe principal. Neste caminho, perdeu a final da Olimpíada de Tóquio para o Brasil, há cinco anos, mas ganhou a Eurocopa em 2024 e alcançou a glória máxima neste domingo. Mais que isso, foi determinante no desenvolvimento de alguns dos mais importantes atletas da agora equipe campeã do mundo, como Fabián Ruiz, Dani Olmo, Mikel Oyarzabal, Unai Simón e Mikel Merino.
“Estamos onde queríamos estar. O sucesso se resume a encontrar bons companheiros de jornada. Boas pessoas que querem trabalhar”, disse De la Fuente. “Estou muito orgulhoso desta geração de futebolistas que cresceu com esta ideia, fiel a ela, aprimorando-a, dando-nos o exemplo de um grupo, de uma família”, afirmou.
Na sua avaliação, Rodri, eleito o craque da Copa do Mundo, é candidato para ganhar também a Bola de Ouro mais uma vez. “Mas outros jogadores que temos também podem”.
O treinador quer desfrutar do título, e ainda não pensar no futuro. Nem na Liga das Nações, nem na Euro nem na próxima Copa do Mundo. “Haverá tempo para pensar em setembro mais tarde”, disse, em referência ao primeiro desafio, a Liga das Nações.


