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Para analista, Brasil avança em soberania digital, mas empresas precisam seguir movimento

As empresas brasileiras podem estar subestimando o impacto dos riscos geopolíticos envolvidos na cadeia de fornecimento de soluções tecnológicas, segundo o analista da consultoria Gartner Bart Willemsen. Em evento do Gartner em São Paulo na segunda quinzena de setembro, ele afirmou que o Brasil já começou a reagir a esse cenário em nível governamental, com investimentos em inteligência artificial, supercomputação e outros projetos, e as corporações deveriam adotar uma estratégia semelhante para ampliar sua soberania digital.

Segundo Willemsen, a dependência de fornecedores estrangeiros pode expor empresas a decisões tomadas por governos e a sanções que estão fora de seu controle. Ele citou o caso de um banco em Amsterdã que, após ser identificado como pertencente a russos, teve os acessos a serviços da Microsoft e da Amazon Web Services (AWS) cortados.

A preocupação com essa dependência já começa a se refletir em estratégias adotadas por governos e empresas em diferentes países, especialmente na Europa. Willemsen citou a “geopatriação” dos dados como uma das tendências identificadas pelo Gartner no último ano. O termo diz respeito ao movimento de empresas que passam a trazer dados, sistemas e operações tecnológicas para jurisdições consideradas mais controláveis.

Para Willemsen, porém, a questão de soberania digital vai além da localização dos dados. O conceito passou a envolver também a capacidade de uma empresa manter suas operações em funcionamento e ter controle sobre dados, infraestrutura e tecnologias mesmo diante de mudanças no ambiente geopolítico.

Nesse cenário, o analista defendeu que as empresas avaliem não apenas os fornecedores diretos, mas também a exposição existente em toda a cadeia de suprimentos. Segundo ele, riscos como dependência de fornecedores, concentração tecnológica e possibilidade de bloqueio precisam ser considerados na estratégia de longo prazo, já que uma interrupção em um único elo pode afetar toda a operação.

Willemsen também indicou uma estratégia baseada em modelos de inteligência artificial menores e desenvolvidos para finalidades específicas. Esse formato pode ser executado em diferentes ambientes, com maior controle sobre os dados e a infraestrutura. Segundo ele, a construção dessa capacidade exige tempo e conhecimento técnico, razão pela qual as empresas deveriam começar a desenvolver essas competências antes que uma eventual crise torne essa mudança necessária.

“Soberania não significa simplesmente ter tudo em infraestrutura própria”, afirmou. Na avaliação do analista, a capacidade de escolher entre diferentes fornecedores, arquiteturas e modelos tecnológicos é parte da própria estratégia de soberania digital. A estratégia, segundo Willemsen, não significa necessariamente abandonar a computação em nuvem ou levar toda a infraestrutura para dentro das empresas.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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