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Começar pequeno não significa pensar pequeno

Quando olhamos para uma empresa estruturada, com equipe, clientes, produtos e história, é fácil enxergar apenas o resultado final.

O que quase nunca aparece são os primeiros passos.

Antes da estrutura, existiu a tentativa. Antes do crescimento, existiu a insegurança. Antes do reconhecimento, existiram dias difíceis, decisões incertas e muito trabalho realizado longe dos olhos de todos.

Empreender é assim.

Nem sempre uma empresa nasce em uma sala moderna, com um grande investimento ou com um planejamento perfeito. Muitas começam em espaços simples, dentro da própria casa, em uma garagem, em um pequeno salão ou em algum canto cedido pela família.

A minha história empresarial começou 1998 no porão da casa da minha avó, em Guarulhos, junto com meus sócios Alexandre Staut e Argemiro Reis

Não havia grande estrutura. Havia vontade de trabalhar, disposição para aprender e a certeza de que era preciso começar de algum lugar.

No início, o que existia era muito mais esforço do que recurso.

Cada cliente conquistado tinha valor. Cada venda ajudava a manter o negócio vivo. Cada dificuldade ensinava algo que nenhum livro seria capaz de ensinar da mesma maneira.

Com o tempo, aquele começo simples foi ganhando forma.

Vieram os primeiros produtos, novos clientes, um espaço maior, máquinas, colaboradores, parceiros e projetos. O negócio cresceu, mas não por causa de um grande salto.

Cresceu pela repetição de pequenos passos.

Essa talvez seja uma das maiores lições do empreendedorismo: grandes resultados são construídos a partir de pequenas decisões tomadas todos os dias.

A decisão de acordar e continuar.

A decisão de atender bem.

A decisão de aprender com um erro.

A decisão de reinvestir quando seria mais fácil gastar.

A decisão de manter a palavra.

A decisão de seguir em frente mesmo quando o resultado demora a aparecer.

Existe uma ideia equivocada de que empreender é ter liberdade para fazer o que quiser. Na prática, empreender é assumir responsabilidades que muitas vezes ninguém vê.

É preocupar-se com o cliente, com o fornecedor, com os colaboradores, com os impostos e com o futuro da empresa.

É tomar decisões mesmo sem possuir todas as respostas.

É carregar dúvidas, mas não deixar que elas impeçam o movimento.

Empreender também é aprender a conviver com os erros.

Toda empresa erra. Todo empresário toma decisões que, olhando depois, poderiam ter sido diferentes.

O problema não está em errar. O problema está em não aprender.

Os erros precisam se transformar em experiência. As dificuldades precisam gerar melhoria. Os momentos difíceis precisam fortalecer a visão de quem conduz o negócio.

Nenhuma empresa cresce apenas nos dias bons.

Muitas das mudanças mais importantes acontecem justamente nos períodos mais complicados, quando somos obrigados a rever caminhos, cortar excessos, ouvir mais e agir com maior clareza.

Outro ponto importante é compreender que começar pequeno não significa pensar pequeno.

O tamanho inicial de uma empresa não define o seu futuro.

Uma empresa pode nascer com poucos recursos e, ainda assim, ter grandes valores. Pode começar atendendo poucos clientes, mas já carregar o compromisso de fazer bem-feito. Pode ter uma equipe reduzida, mas possuir uma visão ampla do mercado.

Pensar grande não é imaginar atalhos.

É construir bases.

É entender que reputação leva tempo. Que confiança não se compra. Que clientes satisfeitos abrem portas. Que colaboradores comprometidos ajudam a sustentar o crescimento. Que uma empresa só permanece quando gera valor verdadeiro.

Também acredito que empreender não é apenas abrir um negócio.

Empreender é transformar uma ideia em movimento.

É identificar uma necessidade e buscar uma solução.

É gerar trabalho, renda e oportunidades.

É movimentar fornecedores, prestadores de serviços e outras empresas.

Quando uma empresa cresce de maneira responsável, muitas outras pessoas crescem junto com ela.

Por isso, o empreendedorismo tem um papel tão importante em uma cidade como Guarulhos.

Nossa cidade tem uma força econômica enorme. Temos comércio, indústria, serviços, logística e milhares de pequenos e médios empreendedores que acordam todos os dias dispostos a fazer seus negócios avançarem.

São pessoas que abrem suas portas cedo, enfrentam dificuldades, atendem clientes, formam equipes e ajudam a movimentar a economia local.

Muitas dessas histórias nunca aparecem nos jornais. Mas estão presentes em todos os bairros da cidade.

São oficinas, restaurantes, lojas, transportadoras, prestadores de serviços, profissionais independentes, indústrias e empresas familiares que começaram pequenas e continuam escrevendo suas trajetórias.

Empreender exige coragem, mas também exige paciência.

Nem toda semente vira árvore rapidamente.

Existem períodos em que o crescimento parece lento. Há momentos em que o esforço parece maior do que o retorno. Nessas horas, a disciplina se torna mais importante do que a empolgação.

Motivação ajuda a começar.

Constância ajuda a permanecer.

Ao longo da minha trajetória, aprendi que não existe empresa construída apenas com boas ideias. Ideias precisam de execução. Sonhos precisam de trabalho. Oportunidades precisam ser acompanhadas de preparo.

Também aprendi que ninguém constrói nada relevante sozinho.

Mesmo as histórias que começam de maneira individual dependem de pessoas: familiares que apoiam, colaboradores que acreditam, clientes que confiam, fornecedores que caminham junto e parceiros que ajudam a abrir novas portas.

O empreendedor pode iniciar uma jornada, mas é o trabalho coletivo que permite que ela alcance novos caminhos.

Quando penso naquele porão onde tudo começou, não vejo apenas um espaço simples.

Vejo o lugar onde uma possibilidade ganhou vida.

Ali começou uma construção que enfrentou erros, dificuldades, mudanças e aprendizados. Uma construção que não ficou pronta de uma hora para outra e que, na verdade, continua acontecendo.

Talvez essa seja a verdadeira essência de empreender.

Não esperar que todas as condições estejam perfeitas.

Começar com o que se tem.

Aprender com o caminho.

Trabalhar com seriedade.

E nunca permitir que um começo pequeno limite o tamanho da visão.

Toda grande empresa já foi apenas uma ideia acompanhada de coragem.

O primeiro passo pode ser simples.

Mas ele pode mudar uma história inteira.

Ricardo Nogueira
Empresário e colunista

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Empresário | Sócio-Fundador do Grupo TUFANN | Ex-Presidente da ABRALIMP e atual membro do conselho| Diretor de Feira de Negócios da Abralimp - Higiexpo 2026 | Palestrante HigiTrends | Membro da Diretoria Fiscal da CEBRASSE

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