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Atenção senhor (a) editor (a): este texto substitui o anterior, enviada às 18h19 que tinha incorreções sobre o fechamento de Bolsa com variações incorretas do Ibovespa. O índice apurou quedas de 1,01% em junho (apontado no segundo parágrafo) e de 8,24% no segundo trimestre (apontado no terceiro parágrafo), e não de 0,73% e 8,31%, como constava. Segue o texto e o título devidamente corrigido.
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O dólar encerrou a sessão desta terça-feira, 30, em leve baixa no mercado local, na casa de R$ 5,16, alinhado ao comportamento da moeda americana em relação à maioria das divisas emergentes. Apesar da virada de mês e de semestre, com rolagem de contratos futuros e a tradicional disputa pela formação da taxa ptax, o dólar oscilou em margens estreitas.
Operadores ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) afirmam que o ambiente é de cautela e pouco apetite por negócios, após a rodada recente de depreciação do real. Além do aumento dos ruídos políticos e fiscais com o andamento do calendário eleitoral, investidores aguardam dados do mercado de trabalho americano para refinar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
“Foi aparentemente um dia de correção técnica, com o mercado buscando devolver um pouco dos ganhos recentes do câmbio. O real andou praticamente junto com a maioria das moedas emergentes”, afirma a economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli.
Tirando uma alta mais forte na primeira hora de negócios, quando superou R$ 5,20 e registrou máxima de R$ 5,2017, o dólar operou em leve baixa ao longo da segunda etapa do pregão. Com mínima de R$ 5,1625, fechou em queda de 0,22%, a R$ 5,1630. A moeda termina junho com valorização de 2,38% frente ao real, após ganhos de 1,82% em maio. Apesar do repique nos últimos dois meses, ainda recua 5,94% no ano.
O economista Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, ressalta que junho foi marcado por um movimento global de alta do dólar, com dados fortes de atividade nos EUA e a mudança das expectativas para a política monetária americana. Ele acrescenta que o real, que vinha apresentando “performance relativa” melhor que a dos pares no ano, sofreu mais que outras divisas emergentes no mês em razão de fatores locais.
“Tivemos uma piora dos termos de troca, com a devolução da alta do petróleo, e um aumento das preocupações fiscais com as medidas do governo”, afirma Goldenstein, mencionando que investidores passaram a trabalhar com probabilidade maior de reeleição de Lula, o que significa manutenção da atual política econômica.
As cotações do petróleo recuaram nesta terça-feira, 30, e fecharam junho com perda de certa de 20%, em meio às negociações de paz entre EUA e Irã e à normalização do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. Foi o maior tombo trimestral do petróleo desde 2020. Apesar disso, a commodity ainda avança mais de 20% em 2026.
Lá fora, referência do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – o índice DXY – pouco se mexeu ao longo da tarde e, por volta das 17h, era negociado aos 101,131 pontos (+0,03), após mínima aos 101,049 pontos. O Dollar Index termina junho com valorização superior a 2%. O iene caiu para os menores níveis desde a década de 1980, o que estimula apostas de intervenção no câmbio.
Goldenstein vê possibilidade de alguma recuperação do real, em paralelo ao movimento de outras divisas emergentes, caso a moeda americana volte a perder força no exterior. Ele ressalta que o indicador-chave da semana é a divulgação nesta quinta-feira, 2, do relatório de emprego (payroll) norte-americano. Nesta terça, o relatório Jolts mostrou que a abertura de postos de trabalho nos EUA subiu para 7,594 milhões em maio, acima do esperado (6,975 milhões).
“A curva americana já embute uma ou duas altas de 0,25 ponto porcentual nos juros pelo Fed até o fim do ano. Um payroll forte vai consolidar esse cenário. Se os dados forem mais fracos, podemos ver o mercado reduzir a precificação de alta de juros, abrindo espaço para o dólar se depreciar, o que é bom para a moeda brasileira”, afirma o sócio-fundador da Eytse Estratégia.
O Citi afirma em relatório que a alta recente do petróleo elevou as exportações brasileiras, o que levou a um fortalecimento temporário do real. Com expectativa de superávit comercial de US$ 78 bilhões neste ano (3% do PIB frente a 2,6% no ano passado) e uma desaceleração da economia, o que reduz os déficits nas contas de serviços e renda, o banco projeta déficit em transações correntes de 2,2% do PIB em 2026, de 2,9% em 2025.
“Olhando para frente, dada a expectativa de preços mais baixos do petróleo e de aumento das incertezas relacionadas ao quadro fiscal doméstico, esperamos uma moeda moderadamente mais fraca, com taxa de câmbio de R$ 5,30 no fim de 2026”, afirma o departamento econômico chefiado por Leonardo Porto.
Bolsa
A Bolsa brasileira, assim como segunda, novamente não conseguiu acompanhar o desempenho positivo de Wall Street. O Ibovespa até amenizou a queda à tarde e recuperou o nível de 172 mil pontos, na esteira do alívio nos juros futuros, após o Caged de maio reforçar a tendência de desaceleração no mercado de trabalho.
Contudo, a ausência de fluxo estrangeiro e a cautela com o quadro fiscal impediram uma recuperação firme, levando o índice a registrar baixa de 0,68% nesta terça-feira, 30, e 1,01% no mês de junho – o quarto recuo mensal seguido -, reduzindo os ganhos do primeiro semestre para 6,76%.
Após máxima aos 173.204,72 pontos, com variação zero, o Ibovespa chegou a tocar os 170.538,48 pontos pela manhã, com recuo de 1,54%. Por fim, com giro financeiro de R$ 21,92 bilhões, o índice fechou aos 172.024,12 pontos, sem força de Petrobras, Vale e dos grandes bancos. No trimestre, apurou queda de 8,24%.
“A questão que mais pesa na Bolsa parece ser o fluxo estrangeiro. Há certa dificuldade de criar uma narrativa positiva para os ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que o estrangeiro parece estar em compasso de espera”, afirma o especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cima.
No mês de junho até sexta-feira, 26, houve retirada de R$ 8,754 bilhões por parte de investidores estrangeiros. Ainda assim, no acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 32,879 bilhões.
O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, nota que sem a retomada de capital estrangeiro e em meio às incertezas sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic, o Ibovespa “encontra dificuldade para sustentar movimentos mais consistentes de alta, mesmo em um ambiente internacional mais favorável”.
Para Cima, o índice da B3 também reflete a piora no quadro fiscal – tema que deve fazer com que as eleições fiquem cada vez mais no centro do debate, acrescenta. “Há cautela com como serão as coisas daqui para frente”, avalia.
Nesta terça, o BC divulgou que o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e Eletrobras) teve déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio, após superávit de R$ 24,624 bilhões em abril. O resultado veio pior do que a mediana do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), de déficit de R$ 53,9 bilhões, e a XP destaca que o déficit primário e os juros levam a dívida pública para o maior nível desde 2021.
Quanto aos próximos passos para o juro básico, a criação líquida de 72.960 vagas em maio, abaixo da mediana do Projeções Broadcast de 120 mil novos postos, reverberou a expectativa de continuidade do ciclo de calibragem da taxa Selic, segundo o economista sênior do Inter, André Valério.
O Banco Inter inclusive antecipou à Broadcast seu relatório mensal de junho, em que continua vendo a taxa básica de juros alcançando os 13,25% ao ano em dezembro, com cortes de 0,25 ponto porcentual nas próximas quatro reuniões – embaladas pelo petróleo de volta a US$ 70 por barril, dólar abaixo de R$ 5,20 e El Niño com efeito mais concentrado em alimentos.
Também com impacto na inflação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a destinação de R$ 872,1 milhões como “Bônus de Itaipu”, a ser distribuído aos consumidores elegíveis em agosto de 2026.
Como contraponto, a diretoria da Aneel aprovou uma alta média de 10,18% na conta de luz para consumidores da Enel São Paulo a partir de sábado, 4 de julho. O reajuste deve somar 0,05 ponto porcentual à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, calcula a Warren Investimentos.
Juros
Em trajetória de acomodação até o início da tarde após uma sequência de seis sessões de queda, os juros futuros negociados na B3 encontraram espaço para queimar mais prêmios na segunda etapa do pregão. Reagindo a dados mais fracos do que o esperado do mercado de trabalho formal, que reforçaram a percepção de que há conforto para o Banco Central seguir cortando a Selic no curto prazo, os vértices de vencimento curto renovaram mínimas intradia e chegaram a operar abaixo do patamar psicológico de 14% durante a tarde.
Segundo profissionais do mercado, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foi o único vetor relevante para as taxas projetadas pelos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) nesta terça-feira, 30, que teve liquidez nos negócios normalizada após a fraqueza de segunda, quando o Brasil venceu o Japão por 2 a 1 na Copa do Mundo. Na análise mensal, porém, a curva de juros ganhou inclinação, movimentação condizente com um ciclo de baixa do juro básico.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,038% no ajuste da véspera para 14%, e a de janeiro de 2028 teve baixa de 14,107% a 14,015%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 14,115%, vindo de 14,198%. Na parte mais longa da curva, o DI para janeiro de 2031 diminuiu de 14,281% no ajuste antecedente a 14,21%.
Em relação ao fechamento da última sessão de maio, o vértice de janeiro de 2027 diminuiu cerca de 10 pontos-base, ou 0,1 ponto porcentual, embutindo o último corte de 0,25 ponto da Selic na reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom). Os vencimentos de janeiro de 2029 e janeiro de 2031, por outro lado, avançaram 25 pontos-base e 32 pontos-base, respectivamente.
“É normal essa inclinação acontecer porque teve um corte da Selic”, observa o Diretor de Investimentos de Renda Fixa da Inter Asset, Ian Lima. “Como o processo de política monetária é cíclico, se imagina que quando terminar o ciclo atual, o próximo movimento seja de alta, considerando que o BC pode conduzir a Selic para que a inflação fique estável em 3%”, explicou.
Nas sessões mais recentes, Lima avalia que houve um “realinhamento dos astros”, com o pano de fundo de alívio nas cotações do petróleo, que hoje recuaram menos de 2% e continuam no patamar de US$ 70, e indicadores do mercado de trabalho doméstico – principal ponto de atenção para o BC – evidenciando perda de dinamismo.
Em linha com a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que indicou a taxa de desemprego em 5,6% no trimestre encerrado em maio, o Caged mostrou geração abaixo do previsto de vagas formais no mês passado e desempenho mais fraco dos salários.
No mês passado, foram abertas 72.960 vagas com carteira assinada, aquém da mediana da pesquisa Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), que apontava abertura de 120 mil vagas. Este é o menor saldo de empregos celetistas para meses de maio desde 2020.
Nos cálculos com ajuste sazonal do Santander, o saldo de postos de trabalho formais subiu de 47,7 mil para 54,5 mil na passagem mensal, mas se situou ainda bem abaixo do ritmo observado no início do ano, pondera o economista Henrique Danyi. Na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, houve desaceleração em igual comparação, para 80,4 mil, frente a 102,7 mil no quarto mês do ano.
Danyi chama atenção, ainda, para a variação dos salários: os de admissão ficaram praticamente estáveis entre abril e maio, com recuo de 0,03%. Já os salários de desligamento diminuíram 0,19%. “O impulso dos salários seguiu fraco na base mensal dessazonalizada, embora as leituras em 12 meses tenham acelerado ligeiramente”, disse o economista.
Após a publicação do Caged, o mercado de opções digitais de Copom passou a apontar 67% de chance de redução de 0,25 ponto da Selic na reunião de agosto do Copom, ante 61% anteriormente. A probabilidade de manutenção nos atuais 14,25% cedeu de 36% a 30%. Os dados estão em linha com a precificação da curva futura, que também sinalizam cerca de 70% de chance de corte, e 30% de que a taxa fique inalterada.


