O que a Argentina fará sem Lionel Messi? O iminente fim da carreira na seleção de um dos maiores jogadores da história do futebol certamente deixará cicatrizes e nenhum atleta o substituirá com a mesma qualidade, pelo menos não agora.
Os argentinos, vice-campeões neste domingo, apostam na identidade criada pelo time dirigido por Lionel Scaloni para continuar a ganhar títulos nos próximos anos, embora não neguem que sentirão muita falta do seu maior ídolo.
A comparação a ser feita do fim da era Messi não é com Pelé e o Brasil, que ficou 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo após seu maior craque se aposentar, mas com Maradona e a própria Argentina.
Diego, herói do título mundial de 1986, fez sua última partida com a camisa albiceleste na Copa do Mundo de 1994, em 21 de junho, contra a Nigéria, no segundo jogo da fase de grupos. Depois disso, ele foi pego em exame antidoping e suspenso, e a Argentina caiu nas oitavas de final para a Romênia.
Um ano antes, em 1993, a Argentina venceu a Copa América no Equador, o que viria a ser sua última taça em 28 anos, até Messi e cia ganharem o continental realizado em 2021 no Brasil. Sem Maradona, a Argentina viveu um jejum que, esperam, não se repita sem Messi.
“Tenho orgulho de ser o técnico de Messi”, disse Lionel Scaloni. Ele assumiu como interino em 2018, após o fracasso argentino na Copa da Rússia com Jorge Sampaoli, e, apesar de só levantar uma taça em 2021, foi bancado no cargo pelo grupo de atletas, liderado por Messi. O treinador deixou o camisa 10 à vontade e teve participação fundamental na mudança de comportamento do astro argentino, que passou a ser mais vibrante e sanguíneo, assumindo uma versão “maradoniana” a partir de 2021.
“O melhor jogador que o mundo já viu. Ter conseguido chegar a uma final no momento em que ele está, com 39 anos, é algo incrível. Por isso digo que temos que desfrutar. Daqui a 10 ou 20 anos vamos sentir falta de tê-lo conosco”, acrescentou Scaloni.
Vencedor de oito Bolas de Ouro como melhor jogador do mundo, Messi completou 39 anos durante o Mundial da América do Norte. Quem imaginava que ele pararia no auge, ao vencer a edição de 2022, se enganou porque Messi esteve em campo mais uma vez após um ciclo diferente da Argentina, e disputou todos os 90 ou 120 minutos das oito partidas da seleção no torneio.
O ciclo da Argentina teve rivais mais fracos, aproveitando o fato de ser a atual campeã mundial para faturar em amistosos em locais fora do comum no futebol, como Jacarta, na Indonésia, e Luanda, na Angola, o que se colocou até em dúvida se essa preparação não prejudicaria a seleção no Mundial, o que acabou se mostrando uma tese enganosa.
QUEM VAI OCUPAR A VAGA DE LIONEL MESSI?
Só que sem Messi, a preparação da Argentina para a Copa de 2030 terá que ser diferente, dando prioridade à busca de soluções sem o jogador mais importante e decisivo de sua história.
Além do talento dentro de campo, o camisa 10 é o capitão do time e 100% do elenco diz que joga por ele. Alguns até se emocionam quando falam dele. É o caso do atacante Giuliano Simeone. “O Leo tem 39 anos, já conquistou tudo o que um jogador de futebol poderia sonhar e ainda luta como o melhor”, disse, chorando.
Sem uma referência, Scaloni deverá priorizar o conjunto, algo que, em parte, já faz. Um dos candidatos a ser a próxima liderança do grupo é Enzo Fernández, embora seja jovem. Aos 25 anos, o jogador do Chelsea comanda o meio de campo da equipe neste Mundial, com gols decisivos como o primeiro na virada contra a Inglaterra, na semifinal disputada em Atlanta.
Talvez até seja ele a herdar a camisa 10. Scaloni elogia o meia do Chelsea constantemente e seria natural pensar que pode montar uma estrutura que privilegie o jogador.
Entre os novatos, há um olhar especial para Nico Paz, que aos 21 anos é o mais jovem no elenco para a disputa da Copa de 2026. Nascido em Tenerife, na Espanha, é filho do ex-jogador Pablo Paz, que disputou a Copa de 1998 pela seleção argentina.
Podia escolher qual país representar e optou pela Argentina, apesar de nunca ter jogado por lá. Criado na base do Real Madrid, joga agora no Como, da Itália.


