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Mendonça negou pedido da PF para impedir que mulher que estava com Sicário viajasse a Dubai

O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, negou um pedido da Polícia Federal para impedir que uma mulher que estava com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, quando ele foi preso em março, viajasse a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Trata-se de Nathana Lopes Figueiredo. Dias após a prisão e a morte de Sicário, ela ligou para um delegado da Polícia Federal, disse que estava “muito abalada” e perguntou se haveria problema em realizar a viagem.

A mulher também pediu para depor por videoconferência após chegar ao país árabe e justificou que a viagem era necessária pois sua mãe teria fraturado o pé.

Não há informação no processo se Nathana Figueiredo teria retornado ao Brasil após a viagem ou se permanece no exterior. Até a publicação deste texto, o Estadão tentou contato com ela, mas sem sucesso. O espaço está aberto.

Após a ligação, o delegado pediu a André Mendonça, relator do caso Master, que ordenasse a apreensão do passaporte de Nathana e proibisse que ela deixasse o País sem autorização da Justiça.

Segundo o policial, a mulher seria uma “testemunha-chave” dos fatos relacionados a Mourão e que uma viagem para o exterior, sem que o endereço no destino fosse conhecido, poderia “comprometer a descoberta da verdade real”.

Mourão é apontado como um dos líderes da “Turma”, grupo que atuava com violência contra desafetos de Daniel Vorcaro e cooptava servidores públicos com o objetivo de se infiltrar em sistemas judiciais e conseguir cópias de investigações sigilosas contra o banqueiro.

Mourão morreu após ter sido preso em março. Segundo a polícia, ele tentou suicídio na carceragem da PF em Belo Horizonte e foi levado ao hospital, mas não resistiu.

A ligação de Nathana ao delegado foi realizada no dia 9 de março, seis dias após a prisão e três dias depois da morte de Sicário.

Mendonça negou o pedido de apreensão do passaporte sob o argumento de que Nathana demonstrou disposição de colaborar com as investigações ao informar e explicar o motivo da viagem com antecedência.

“A reunião dessas circunstâncias permite a conclusão no sentido da intenção de NATHANA LOPES FIGUEIREDO de colaborar com as investigações. Caso contrário, a ligação não teria sido feita e dificilmente sua viagem seria conhecida antes de se realizar”, escreveu o ministro.

A decisão integra o conjunto de documentos que tiveram o sigilo levantado por Mendonça nesta sexta-feira, 11.

Não há um detalhamento no material de qual seria a relação de Nathana com Luiz Phillipi Mourão, mas os policiais se referem a eles como “moradores” do apartamento onde o homem foi preso.

Um relatório da Polícia Federal narra que ela estava no local quando os policiais chegaram para cumprir o mandado de prisão contra Mourão às 6 horas no dia 3 de março deste ano.

Nathana teve o celular apreendido, assim como Mourão, que estava com dois aparelhos. Eles se recusaram a fornecer as senhas. Ainda segundo a polícia, Sicário tentou entregar, escondido dos policiais, um relógio de luxo a Nathana para que o objeto não fosse apreendido.

“Decidiu-se pela apreensão do aparelho celular alegadamente utilizado por Nathana tendo em vista a possível cumplicidade com o alvo, inclusive tendo recebido e permanecido de forma dissimulada com o relógio de altíssimo valor pertencente a LUIZ PHILLIPI”, narram os policiais.

Não há, nos documentos acessados pelo Estadão, informações se Nathana prestou o depoimento e nem o conteúdo do que ela teria dito aos policiais.

Arquivamento do caso

Entre os documentos que tiveram o sigilo levantado está o relatório da Polícia Federal que investigou a causa da morte de Mourão. A conclusão, que já havia sido divulgada anteriormente, é que ele se enforcou com a camisa que utilizava.

A conclusão se apoia nas imagens das câmeras de segurança desde que ele chegou à Superintendência da Polícia Federal, 17 laudos periciais – entre exames toxicológicos e do local, necropsia, análise do circuito interno de vigilância e análise de informática.

Também foram colhidos depoimentos de 17 pessoas, entre agentes da Polícia Federal, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, e outros presos que estavam na carceragem da PF no dia do ocorrido.

No relatório, há frames das filmagens captadas pelas câmeras de segurança do local, que mostram a chegada de Mourão à PF, a tentativa de ligar para a mãe, idas ao banheiro e pedidos de comida, água e café, que foram atendidos pelos agentes.

“Dos elementos investigativos coligidos aos autos, não há registro de aproximação física, entrega de instrumento, orientação, estímulo, constrangimento, ameaça, manipulação do ambiente ou qualquer outro comportamento externo capaz de preencher os núcleos típicos do art. 122 do Código Penal”, escreveu André Mendonça, na decisão que arquivou o caso após considerar que não houve omissão dos policiais federais.

“A investigação esgotou de modo razoável as principais linhas de apuração penal: examinou a hipótese de intervenção direta de terceiros, analisou a possibilidade de participação moral ou material, verificou as condições de custódia e avaliou a reação dos agentes públicos ao evento. Em nenhuma dessas frentes se identificou elemento minimamente idôneo a sustentar imputação penal”, acrescentou o ministro.

A PF aponta que Sicário recebia R$ 1 milhão mensais do banqueiro para pagar os integrantes da “Turma”. O grupo acessou um sistema interno da Polícia Federal (PF) e fez pesquisas sobre inquéritos contra o dono do Master.

Uma imagem da busca por investigações contra Vorcaro no sistema interno da PF foi enviada por mensagem em 15 de setembro de 2025 ao banqueiro por Mourão.

Para a PF, a imagem do sistema restrito é uma “evidência que comprova que a organização criminosa conseguiu realizar, indevidamente, pesquisas no sistema ePol, que é de acesso exclusivo de policiais federais”.

“Sicário” recebeu a tela do sistema interno do policial federal aposentado Marilson Roseno, outro integrante da “Turma”.

Como mostrou a Coluna do Estadão, a PF rastreou recados da irmã do “Sicário”, Joana Mourão, ao pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, cobrando ajuda financeira.

Nas mensagens, Joana Mourão avisou que tinha documentação suficiente “para acabar com a família inteira”. A PF diz que Henrique autorizou repasses para silenciá-la.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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