O Japão será o adversário do Brasil na segunda fase da Copa do Mundo. A seleção asiática empatou por 1 a 1 com a Suécia, nesta quinta-feira, fechando a terceira rodada do Grupo F, no AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.
Os japoneses mostraram como podem dar trabalho para a seleção brasileira. A equipe é disciplinada taticamente e tem jogadores bem entrosados, mesmo sem repetir a escalação em nenhum jogo do Mundial. Isso, contudo, não apaga talentos individuais.
O principal é o atacante Ritsu Doan, de 28 anos, tão driblador quanto articulador no ataque do Japão. O camisa 10 costuma ser escalado aberto pela direita e será, portanto, um teste para a regularidade que Douglas Santos tem apresentado no Brasil. Quando Doan eventualmente inverte de lado, o Japão o acompanha no ataque. Foi dele o passe para o gol de Daizen Maeda.
Por outro lado, falta ao time, que perde muitas chances, um centroavante finalizador. A equipe acabou o primeiro tempo com quatro chutes e apenas dois em direção à meta. Ayase Ueda passou boa parte do jogo sumido entre os zagueiros suecos, de menor qualidade que Marquinhos e Gabriel Magalhães. A falha do goleiro Zion Suzuki, no gol de empate, também chama a atenção.
A Holanda, que venceu a Tunísia em jogo simultâneo, fechou o Grupo F como líder, com sete pontos. Em segundo, veio o Japão, com cinco. A Suécia, com quatro, se classificou no terceiro lugar. Os tunisianos já haviam chegado eliminados à terceira rodada.
A partida da segunda fase entre Brasil e Japão será na segunda-feira, dia 29, às 14h (de Brasília), no NRG Stadium, em Houston.
A Suécia surpreendeu ao partir para o ataque logo no primeiro segundo. O Japão esperou no seu campo e se defendeu, mas logo alternou para pressionar o adversário, sem que fosse necessária uma sinalização do técnico Hajime Moriyasu.
A disciplina tática dos japoneses se mostrava quando o time se movia em bloco tanto para defender quanto para atacar. Com a bola no pé, Ritsu Doan, meia do Eintracht Frankfurt, da Alemanha, impôs mais perigo.
Foi ele que, na pressão alta aos cinco minutos, recuperou a bola já no campo de ataque e se desvencilhou de quatro suecos. A jogada só não levou perigo real porque o camisa 10 caiu na entrada da área, desarmado. A torcida japonesa vaiou o árbitro Iván Barton, que mandou o lance seguir.
Quando a Suécia tentava manter a posse de bola, o time tinha dificuldade para sair. O Japão manteve as linhas adiantadas, obrigando o adversário a abusar de chutões. Defensivamente, os suecos seguravam-se, com aplausos do técnico Graham Potter, mas cederam as primeiras finalizações, em cruzamentos japoneses, ainda antes da pausa de hidratação.
O ritmo japonês apreendeu a Suécia em seu campo defensivo. Até o técnico Hajime Moriyasu, que mantinha serenidade na beira do campo, passou a gesticular com mais efusividade, em parte reclamando de decisões da arbitragem.
Potter perdeu o zagueiro Isak Hien, lesionado. O técnico aproveitou para desmanchar sua linha de três defensores, com a entrada do meia Lucas Bergvall.
Se a ideia era tentar atacar mais, não funcionou, com o Japão tendo mais liberdade para troca de passes. Os asiáticos obtiveram a melhor chance da partida no fim do primeiro tempo, salva pelas pontas dos dedos de Jacob Zetterstrom.
Na volta do intervalo, mais pressão japonesa. Com cinco minutos do segundo tempo, Ayase Ueda puxou a marcação dos zagueiros e fez o pivô para Doan, que enfiou a bola para Daizen Maeda. Já na pequena área, o atacante finalizou na saída do goleiro sueco, sem ter como errar.
O placar levantou a apreensão no estádio, porque a Tunísia havia descontado contra a Holanda (2 a 1). Um gol japonês faria com que eles liderassem a chave.
A Suécia carecia de articulação no meio de campo. Contra-ataques inexistiam. O time só ensaiava levar perigo quando o Japão recuava. Foi assim que os suecos buscaram o empate.
Aos 17 minutos do segundo tempo, Elanga recebeu na direita, cortou e bateu cruzado. Zion Suzuki reagiu com atraso, e a bola morreu nas redes. Além disso, o terceiro gol holandês no outro jogo reforçou a Laranja Mecânica na liderança.
O cenário do jogo mudou a partir do gol e substituições nos dois times, incluindo a saída de Doan do lado japonês. Os suecos passaram a se posicionar mais ofensivamente. Uma virada mudaria a configuração do grupo.
Toda pressão que a Suécia não conseguiu aplicar durante a partida se concentrou nos minutos finais. O Japão comprimiu-se no campo defensivo. Suzuki deu sustos quando afastou bolas cruzadas na área. A torcida sueca passou a cantar mais alto, justamente atrás do gol japonês.
Suzuki salvou o que seria o segundo gol sueco quando os minutos de acréscimo já corriam. Após escanteio, Isak cabeceou e marcaria, mas o goleiro tocou com a ponta da luva e fez a bola bater no travessão. O apavoro foi suficiente para que os japoneses segurassem a posse, evitando novas ações suecas.
FICHA TÉCNICA
JAPÃO 1 X 1 SUÉCIA
JAPÃO – Zion Suzuki; Ayumu Seko (Tsuyoshi Watanabe), Ko Itakura (Shogo Taniguchi) e Hiroki Ito; Yukinari Sugawara, Daichi Kamada, Ao Tanaka e Keito Nakamura (Yuto Nagamoto); Ritsu Doan (Junya Ito), Ayase Ueda (Koki Ogawa) e Daizen Maeda. Técnico: Hajime Moriyasu.
SUÉCIA – Jacob Zetterstrom; Gustaf Lagerbielke, Isak Hien (Lucas Bergvall) e Victor Lindelof (Carl Starfelt); Alexander Bernhardsson (Daniel Svensson), Elliot Stroud (Ken Sema), Yasin Ayari e Gabriel Gudmundsson (Benjamin Nygren); Anthony Elanga, Viktor Gyokeres e Alexander Isak. Técnico: Graham Potter.
GOLS – Daizen Maeda, aos 5, e Anthony Elanga, aos 17 minutos do segundo tempo.
CARTÕES AMARELOS – Shogo Taniguchi; Isak Hien e Viktor Gyokeres.
ÁRBITRO – Iván Barton (El Salvador).
PÚBLICO – 70.137 presentes.
LOCAL – AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.


