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A vida não espera! O que estamos fazendo com o tempo que nos foi dado?

Há um momento da vida em que começamos a perceber que o tempo não passa apenas no calendário. Ele passa nos rostos, nas relações, nos sonhos adiados, nas oportunidades que deixamos escapar e, principalmente, nas pessoas que amamos.

Durante muitos anos somos ensinados a correr. Precisamos estudar, trabalhar, crescer, produzir, conquistar, comprar, vencer. A sociedade valoriza quem chega primeiro, quem acumula mais, quem aparece mais, quem demonstra força. E nessa corrida, quase sem perceber, podemos cometer um erro silencioso: transformar a vida em uma lista de tarefas.

Acordamos pensando no que precisa ser resolvido. Dormimos lembrando do que ficou pendente. Levamos o telefone para a mesa, para as viagens, para os encontros e, muitas vezes, até para momentos que deveriam pertencer exclusivamente à família. Estamos fisicamente em um lugar, mas mentalmente em vários outros.

Talvez uma das maiores riquezas do nosso tempo seja justamente aquilo que parece mais simples: estar presente.

Presente em uma conversa sem olhar o celular. Presente ao ouvir um filho contar algo que, para um adulto, pode parecer pequeno, mas para ele representa o mundo inteiro. Presente ao tomar um café com os pais enquanto ainda podemos ouvi-los contar novamente as mesmas histórias. Presente com os amigos que permaneceram quando não havia nada a oferecer além da amizade.

Nenhum de nós sabe exatamente quanto tempo possui. Essa não é uma reflexão pessimista. Ao contrário. É justamente a finitude que torna cada dia precioso.

Quando compreendemos isso, algumas prioridades começam a mudar.

Percebemos que nem toda discussão precisa ser vencida. Nem toda provocação merece resposta. Nem toda relação precisa ser mantida a qualquer custo. Existem batalhas cujo verdadeiro prêmio é simplesmente não participar delas.

Maturidade talvez seja descobrir que paz também é uma conquista.

É aprender a escolher melhor onde depositamos nossa energia. É compreender que sucesso profissional é importante, independência financeira é necessária e ambição pode ser uma poderosa força de transformação. O problema começa quando aquilo que deveria servir à nossa vida passa a comandá-la.

Existe uma enorme diferença entre construir patrimônio e construir uma história.

Patrimônio pode ser transferido. História é aquilo que permanece na memória de quem caminhou conosco.

Ao final, dificilmente alguém será lembrado pelo número de reuniões que participou, pelos e-mails que respondeu ou pela quantidade de horas que permaneceu no escritório. Seremos lembrados pela forma como tratamos as pessoas, pelas oportunidades que oferecemos, pelas palavras que pronunciamos nos momentos difíceis e pela maneira como fizemos alguém se sentir.

É por isso que talvez devêssemos mudar algumas perguntas.

Em vez de apenas perguntar “quanto ainda posso conquistar?”, poderíamos perguntar: “o que não quero perder enquanto estou conquistando?”.

Em vez de perguntar “onde quero chegar?”, talvez seja importante pensar: “com quem quero chegar?”.

E antes de desejar uma vida maior, talvez precisemos aprender a viver melhor a vida que já temos.

Há pessoas esperando o momento certo para viajar, pedir desculpas, mudar de profissão, dizer “eu te amo”, reencontrar alguém, começar um projeto ou simplesmente descansar.

O problema é que o momento perfeito raramente chega.

A vida acontece enquanto planejamos a vida.

Por isso, talvez o maior compromisso que possamos assumir conosco seja não deixar o essencial constantemente para depois.

Trabalhe. Sonhe grande. Construa. Arrisque. Busque seus objetivos. Mas não permita que, ao alcançar tudo aquilo que imaginava desejar, descubra que deixou pelo caminho justamente aquilo que fazia tudo valer a pena.

No fim das contas, nossa existência será uma coleção de momentos.

E talvez a pergunta mais importante não seja quanto tempo tivemos.

Mas o que fizemos com o tempo que nos foi dado.

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Cristiano Medina da Rocha é advogado Criminalista, Especialista em Direito Constitucional com ênfase em Penal, mestre em Direito Processual Penal pela PUC/SP, Professor de Processo Penal e Constitucional na FIG-Unimesp. Conselheiro da OAB/SP – (19-21)

Insta: @crismedinarocha

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