A população brasileira está dividida na avaliação sobre quem é o principal responsável pelas novas tarifas dos Estados Unidos contra o Brasil, citando quase igualmente a família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mostra pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira, 31.
Para 45,4% dos brasileiros, a família Bolsonaro é a principal responsável pelas tarifas. Outros 41,5% citam o governo Lula. Para 8,5%, ambos são igualmente responsáveis, enquanto 2,5% consideram que nem a família do ex-presidente, nem o governo atual são responsáveis pelo tarifaço. Outros 2,1% não responderam à pergunta.
A diferença na percepção de responsabilidade entre Bolsonaro e Lula está fora da margem de erro da pesquisa, de 1 ponto porcentual para mais ou para menos, mas mostra uma clivagem quase equilibrada na população dias depois da aplicação da nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, que passou a vigorar no dia 22 de julho.
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg coletou respostas de 5.021 pessoas com 16 anos ou mais, por meio de recrutamento digital aleatório, entre os dias 22 e 27. O nível de confiança da margem de erro é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-08602/2026.
Segundo a pesquisa, 59,4% consideram a tarifa de 25% injustificada. Outros 33,1% disseram que ela é justificada, enquanto 7,5% não souberam responder.
A maior parte da população, 43,3%, acha que a principal motivação dos EUA para implementar o tarifaço é tentar influenciar o resultado da eleição presidencial do Brasil. Outros 39,3% dizem que a ideia das tarifas é proteger a economia e os interesses comerciais do país, e 10,3%, que é demonstrar firmeza internamente e aumentar o apoio ao governo nos próprios EUA. Nesse caso, 6,8% não souberam responder.
Lula vem procurando incorporar o combate ao tarifaço ao discurso do governo e da sua pré-campanha, com o uso do termo “tariflávio” para vincular as taxas americanas ao seu principal adversário na eleição deste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No último dia 20, o petista acusou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de apoiar Flávio.
“Estou convidando quem quiser vir do mundo para ver as eleições aqui no Brasil. Quem quiser pode vir acompanhar. Se o secretário de Estado americano, Marco Rubio, quiser vir apoiar o meu adversário, que venha e monte um comitê. Porque a gente vai derrotar todos em nome da defesa da democracia neste País”, disse o presidente da República.
Flávio, por sua vez, iniciou no meio deste mês uma ofensiva digital para combater a narrativa de que a família Bolsonaro seria responsável pelo tarifaço, usando uma carta de Rubio que atribui diretamente a responsabilidade das tensões comerciais à condução da política externa de Lula.
Segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, 32,3% da população considera que a família Bolsonaro tem muita influência sobre a política tarifária dos EUA em relação ao Brasil. Outros 21,9% disseram ver alguma influência, e 12,5%, pouca influência. Para 31,6%, não há nenhuma influência. Outros 1,8% disseram não saber.
Após a aplicação das tarifas, Rubio chegou a acusar o governo Lula de não ter negociado de boa-fé. Para 47,9% da população brasileira, o governo brasileiro tentou negociar, mas não havia interesse dos EUA. Outros 46,1% disseram que o petista não negociou de boa-fé, e 6% disseram não saber.
Para 42%, as tarifas dos EUA contra o Brasil aumentariam se Lula for reeleito este ano. Outros 36% avaliam que elas não mudariam, e 10%, que cairiam. No caso de Flávio, 45% veem espaço para uma queda nas taxas se ele for eleito, enquanto 24% acham que as tarifas não mudariam, e 20%, que aumentariam.
Para 49,2%, as tarifas americanas não são uma ameaça à soberania brasileira, enquanto 47,7% veem ameaça. Para 30,3%, é muito provável que o presidente americano, Donald Trump, tente interferir na eleição presidencial este ano. Outros 23,2% consideram a interferência pouco provável, enquanto 22,7% acham provável, e 18,5%, nada provável.
A maioria da população tem uma imagem negativa dos EUA (48,4%) e de Trump (57,4%). A avaliação positiva é de 45,8% e 35,3%, respectivamente.


