O presidente da Stellantis na América do Sul, Herlander Zola, afirmou que os produtos da Fiat terão um ciclo de vida que respeite a demanda dos consumidores, após pesquisas recentes feitas pela companhia constatarem que uma das maiores críticas à montadora era a rapidez com que modelos saíam de linha e eram substituídos por similares.
“Uma das maiores críticas que recebíamos era que a Fiat era a maior ‘matadora’ de veículos em um curto espaço de tempo”, disse o presidente do grupo no Brasil, em evento de 50 anos da Fiat no Brasil, realizado em Betim (MG). “Tomamos a decisão de que todos nossos produtos teriam um ciclo de vida que de fato respeitasse os clientes.”
A nova estratégia se insere no contexto do lançamento anunciado pela Fiat nesta semana durante os eventos em Betim, o Argo X. O novo modelo não irá substituir o já consagrado Fiat Argo, em produção desde 2017. “A transição vai durar aquilo que o mercado quer que dure. Se o mercado continuar comprando o nosso atual Argo por mais três anos, vão ser três anos. Se forem cinco, serão cinco”, frisou.
Conforme a Stellantis, a produção do novo Argo X vai amparar a estratégia de reativar um terceiro turno de produção no polo de Betim, o que deve, segundo a empresa, gerar 1.200 empregos diretos na região. Até 2030, a Fiat pretende lançar um novo modelo por ano no Brasil, ajudando a compor o plano de investimentos que prevê R$ 14 bilhões direcionados pelo grupo à América do Sul até 2030.
Embora não tenha sido mencionado nominalmente pelos executivos, a Stellantis tem, desde 2023, parceria com a montadora chinesa Leapmotor. O acordo abriu caminho para que a fabricante adote, também no Brasil, a estratégia já utilizada por marcas chinesas de importar veículos desmontados ou semidesmontados (CKD/SKD) para apenas concluir a montagem no País.
A empresa já confirmou o projeto de produzir modelos da Leapmotor no Polo Automotivo de Goiana (PE), a partir de uma linha de montagem local. O modelo de produção, historicamente criticado pelas montadoras tradicionais por agregar menos conteúdo nacional e exigir menor investimento industrial, pode ganhar espaço justamente por meio de uma das maiores fabricantes instaladas no País.
*O repórter viajou a convite da Stellantis



