A Shape Digital informou no dia 8 que lançou o Shape Lumen, tecnologia voltada à descarbonização e à eficiência operacional no setor de óleo e gás que utiliza Inteligência Artificial (IA). A ferramenta é uma solução de gestão inteligente de queimas rotineiras e não rotineiras (flares) e, em um único caso, teria gerado redução média de 12,5% nas emissões diárias de queima não planejada.
Segundo a empresa, em uma plataforma do tipo FPSO, com produção diária de 200 mil barris, em 2025, a diminuição representou economia financeira estimada em cerca de US$ 200 mil por ano, com base em preço do gás (US$/MMBtu) e carbono (US$/tCO2e).
Aplicável a ativos offshore e onshore, o Lumen atua de forma horizontal ao analisar o sistema de produção completo – gás, água e óleo – e monitorar limites de vazão. Quando há violações, o algoritmo avalia variações de engenharia registradas por sensores antes do evento e classifica automaticamente, hora a hora, a causa-raiz da queima indesejada, oferecendo visibilidade quase em tempo real.
Na prática, a empresa afirmou que a solução reduz o tempo de diagnóstico dos engenheiros, que podia chegar a até 10 dias em análises manuais de dados brutos.
“O monitoramento e a análise do flare são tradicionalmente dores crônicas para a indústria de óleo e gás devido ao desperdício de combustível, ao impacto das emissões e ao risco severo de multas regulatórias”, disse em nota o vice-presidente de Growth da Shape Digital, Leonardo Machado. “O Lumen transforma dados complexos de engenharia de processos em ações diretas e mitigatórias, para que gargalos sejam antecipados e eventos de queima não-rotineira não se repitam com frequência”, acrescentou.
A iniciativa foi apresentada no principal evento global de gás natural (Gastech 2025), em Fiera-Milano, em Milão, na Itália, e chega ao mercado em meio à pressão por maior eficiência, redução de emissões e conformidade regulatória, sobretudo em episódios de flare não rotineiro associados a falhas de equipamentos e outras ocorrências.
A empresa informou que a solução foi consolidada por parcerias com a operação da Modec, que neste ano estaria ampliando o escopo para a frota de nove FPSOs no Brasil, após o resultado da unidade piloto.
Além do mapeamento histórico de causas, o Lumen traz um modelo preditivo com Inteligência Artificial que projeta a tendência acumulada de queima no mês e alerta gestores sobre risco de extrapolar limites regulatórios. A Shape Digital afirmou ainda, que a implantação é padronizada e leva cerca de um mês por unidade offshore, após premissas básicas de instrumentação, e tem como foco o mercado aquecido no Brasil e a expansão para outros países.


