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Casas Bahia tem prejuízo de R$ 10,1 bi, avalia pedir recuperação judicial e demite funcionários

A Casas Bahia registrou um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre deste ano e anunciou o fechamento de 298 lojas. Este é o oitavo trimestre seguido de prejuízos e já levou a companhia a reduzir o tamanho da operação, com fechamento de lojas e revisão do quadro de funcionários. A empresa também avalia mudanças no modelo de negócio e até uma nova recuperação extrajudicial ou judicial.

Segundo a empresa, o movimento é impulsionado por um “ambiente macroeconômico desafiador para o varejo brasileiro de bens duráveis, caracterizado por elevado custo de crédito e pressão sobre a capacidade financeira dos consumidores”.

“Além disso, houve uma redução nos limites de crédito concedidos por seguradoras a fornecedores, o que obrigou a companhia a reduzir seu volume de compras e, consequentemente, operar em uma escala menor”, afirmou a empresa na divulgação dos resultados financeiros do segundo trimestre.

Nesse cenário, a empresa admite explicitamente a possibilidade da RJ. “Dentre as medidas avalias pela Companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial”, disse.

Reestruturação da empresa

A administração ressalta que R$ 9,1 bilhões do prejuízo referem-se a itens não recorrentes e sem efeito imediato no caixa. Esses ajustes ocorreram porque a empresa revisou suas projeções de lucro futuro, o que a obrigou a dar baixa em ativos que não seriam mais recuperáveis, como IR diferido, baixa de ágio e ativos e gastos com a reestruturação.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,2 bilhões. Além do fechamento das lojas e redução no quadro de colaboradores, a Casas Bahia prevê um redimensionamento dos investimentos, com foco em projetos de tecnologia e logística.

Na prática, a companhia deve priorizar a comercialização de produtos por canais digitais próprios, reduzir os estoques e vender participações em ativos para aumentar a liquidez. “Tamanho é consequência, não objetivo. Em um ambiente de maior custo de capital, a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno”, informou a empresa no documento de divulgação dos resultados.

Abstenção de conclusão

Embora o prejuízo contábil seja massivo, a Casas Bahia apresentou uma geração de fluxo de caixa livre de R$ 798 milhões no trimestre. Ainda assim, a situação da empresa é tão desafiadora que a auditoria Ernst & Young emitiu um relatório com abstenção de conclusão sobre as demonstrações financeiras.

Os auditores destacaram uma incerteza relevante sobre a capacidade de continuidade operacional da companhia, citando o patrimônio líquido negativo e o fato de as obrigações de curto prazo (passivo circulante) excederem os ativos disponíveis (ativo circulante).

“A Companhia depende da implementação bem-sucedida de determinadas medidas operacionais e financeiras para suportar suas necessidades de capital de giro e cumprir suas obrigações nos vencimentos contratados”, disse a auditoria, o que reforçaria a necessidade de uma eventual recuperação judicial ou extrajudicial.

Mobilização de funcionários

Na última sexta, 14, o Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (SECOR) manifestou preocupação com o fechamento repentino de unidades da rede Casas Bahia na região metropolitana de São Paulo.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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