A queda de 0,67% do grupo Alimentação e Bebidas no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho foi a menor variação do segmento desde julho de 2024, quando havia recuado 1,00%, afirmou o gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, ao comentar o resultado divulgado na manhã desta terça-feira, 11, pelo instituto.
Em julho de 2026, a deflação do grupo Alimentação e Bebidas contribuiu para um IPCA de 0,07% no mês e para que a inflação em 12 meses voltasse para baixo do teto da meta depois de dois meses acima da marca.
O resultado foi influenciado pela alimentação no domicílio (-1,14%), enquanto a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.
O pesquisador disse que, nesta época do ano, costuma haver um movimento sazonal de redução nos preços do grupo, que nem sempre significa variação negativa, mas costuma aliviar a composição do índice.
Gonçalves atribuiu a queda a uma oferta maior de produtos in natura, favorecida por condições climáticas mais propícias em parte do período, o que teria impulsionado produção e escoamento. “O clima, em algum momento, ficou mais favorável. Trouxe uma oferta maior, fazendo impacto na redução dos preços”, disse.
Quanto ao movimento de aceleração de alimentação fora do domicílio, Gonçalves avaliou que o avanço pode refletir pressão de demanda típica das férias e também custos indiretos. “Pode ter uma pressão de demanda por conta do período de férias”, afirmou.
El Niño
O El Niño e as mudanças climáticas representam um risco relevante para o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil, afirmou Fernando Gonçalves. O pesquisador ponderou, no entanto, que ainda não é possível quantificar o impacto sobre o IPCA.
Segundo ele, o fenômeno altera padrões de chuva e temperatura, podendo comprometer lavouras, dependendo de onde se concentrem excesso de precipitação ou seca.
Gonçalves disse que é preciso acompanhar como o evento vai se desdobrar, citando que alterações no clima podem afetar a produção e, consequentemente, a oferta. “O El Niño traz uma alteração nesses padrões de chuvas”, afirmou.
Ao lembrar episódios recentes, o pesquisador apontou que em 2024 também houve El Niño, com reflexos sobre alimentação, incluindo café e carnes em determinados momentos.
Para este ciclo, ele disse que a expectativa é de um El Niño forte e que o monitoramento será determinante para entender se o quadro atual de alívio em alguns alimentos pode se manter ou ser revertido. “No momento, qualquer coisa que se fale seria mera especulação”, concluiu.


