A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, afirmou que o Brasil precisa ser capaz de combinar as agendas de aproveitamento dos acordos comerciais firmados com uma defesa comercial atenta e sintonizada com as novas tendências internacionais.
“Não se trata de escolher entre abertura comercial e defesa comercial, se trata de acertar a calibragem, sintonia fina, de maneira que nós possamos no Brasil competir em condições leais e ao mesmo tempo buscar ampliar e diversificar as nossas parcerias comerciais, agregando valor à nossa produção”, disse Prazeres durante a abertura do Fórum da Diplomacia Industrial, realizada nesta quarta-feira na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília (DF).
“Vivemos um cenário internacional particularmente desafiador, marcado por tensões geopolíticas, por aumento do protecionismo, pela crescente instrumentalização de ferramentas de política comercial para fins não comerciais”, argumentou a secretária. “Nesse contexto, é fundamental que o Brasil disponha de instrumentos modernos e eficazes para enfrentar práticas desleais de comércio e situações que possam causar dano à indústria brasileira”.
Ela destacou que o governo tem dialogado com a indústria brasileira a respeito da modernização da defesa comercial de forma que as demandas da indústria sejam atendidas de maneira tempestiva, em conformidade com as obrigações internacionais.
Segundo ela, apesar do cenário externo desafiador, o comércio exterior do Brasil tem demonstrado enorme resiliência. “E nesse momento eu faço um reconhecimento às lideranças industriais aqui presentes, porque afinal de contas são as empresas brasileiras que têm conseguido manejar e navegar as dificuldades desse cenário externo especialmente desafiador, inclusive com tarifas no mercado americano, um mercado tão importante para produtos industriais brasileiros”.
Ela reconheceu a liderança da CNI com uma missão empresarial que buscou diálogo com o governo americano, no esforço de superação das dificuldades que hoje ainda marcam o comércio com os Estados Unidos, dadas as tarifas aplicadas a produtos brasileiros. “A despeito de todas essas dificuldades, nunca o Brasil exportou tanto entre os períodos de janeiro e setembro de qualquer ano como fez neste ano de 2026. Nós estamos batendo recordes de exportações, mas também recordes de importações”, destacou.
“A intensificação do fluxo de comércio do Brasil nos interessa à medida em que ele seja qualificado, em que ele contribua para a geração de emprego, renda e desenvolvimento industrial no Brasil”, prosseguiu Prazeres.
Entre os exemplos de recordes citados pela secretária, está a expansão das exportações brasileiras cobertas pelo acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que cresceram 21% entre maio e setembro deste ano em relação ao mesmo período do ano anterior.


