A prefeitura de Florianópolis, em Santa Catarina, foi alvo de críticas, memes e piadas nas redes sociais após distribuir uma lembrança a servidores municipais em homenagem ao Dia do Servidor Público, celebrado na quarta-feira, 28. O pequeno saco de milho cru foi entregue acompanhado de um texto que comparava o potencial do milho para virar pipoca ao papel do funcionário público.
“Assim como cada grão de pipoca possui grande potencial, cada servidor publico tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa.”
O Estadão procurou a prefeitura do município, e aguarda retorno.
A imagem da lembrança foi divulgada e criticada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem).
“Enquanto a Secretaria de Assistência Social enfrenta falta de investimentos, equipes incompletas e condições precárias de trabalho para garantir os direitos sociais da população de Florianópolis, a secretária Zena Becker presenteia os trabalhadores com grãos de milho no Dia do Servidor Público”, escreveu a entidade.
Na publicação, usuários também ironizaram a quantidade de pipoca distribuída. “Se todo mundo juntar seu saquinho, dá para fazer uma bacia de pipoca”, comentou um deles.
Controle de imigração e ‘ICE’ brasileira
Esta não é a primeira polêmica envolvendo a prefeitura do município. No dia 2 de novembro do ano passado, o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto (PSD), anunciou o lançamento de um posto de atendimento da Assistência Social na rodoviária da cidade para controlar a chegada de pessoas à capital catarinense.
Ainda de acordo com Neto, caso uma pessoa desembarque no município sem emprego e sem um local para morar, a prefeitura oferece uma passagem de volta ao seu local de origem.
A medida foi alvo de questionamentos da Defensoria Pública de Santa Catarina, que instaurou um procedimento para apurar a situação. Já o Ministério Público do Estado encaminhou o caso à Promotoria de Justiça com atuação na área da cidadania, “para ciência e adoção das providências cabíveis”.
Na época, Topázio Neto afirmou que mais de 500 pessoas já haviam sido devolvidas a seus locais de origem e que o controle na rodoviária seria reforçado durante o verão.
“Não podemos impedir ninguém de tentar uma vida melhor em Florianópolis, mas precisamos manter a ordem e as regras. Quem aqui desembarca deve respeitar as nossas regras e a nossa cultura. Simples assim”, disse.
Após a repercussão do vídeo, o prefeito publicou uma nova gravação para reforçar as medidas. Sem citar nomes, criticou cidades que, segundo ele, enviam pessoas em situação de rua para Florianópolis. “O que a gente não quer é ser depósito de pessoas em situação de rua. Se alguma cidade mandar para cá, nós vamos impedir, sim”, afirmou.
A medida também motivou a atuação da Defensoria Pública da União (DPU), que recomendou à prefeitura que não realize a triagem de passageiros no Terminal Rodoviário Rita Maria.
Para evitar processos criminais por constrangimento ilegal, o município reformulou os termos jurídicos do programa, que passou a ser apresentado como uma iniciativa de acolhimento estritamente voluntário.


