Quando a Fórmula 1 estreou seu novo regulamento em 2026, a Mercedes despontou como a grande favorita e venceu as seis primeiras corridas, o que fez muitos fãs se perguntarem se era o fim do equilíbrio visto nas temporadas recentes. Agora, na metade do campeonato, foram cinco ganhadores diferentes nas últimas cinco provas, uma ‘evolução fantástica’, segundo o bicampeão Emerson Fittipaldi, com destaque para Lewis Hamilton, que já foi tão questionado na Ferrari.
O britânico, dono de sete títulos mundiais, faz seu segundo campeonato na escuderia e foi o primeiro piloto não-Mercedes a cruzar a linha de chegada na ponta em 2026, no GP de Barcelona-Catalunha, bem como é o vice-líder do Mundial. Performance significativamente melhor do que no ano passado, em que não subiu ao pódio uma única vez em corridas principais e em provas sprint, e chegou ao top 3 em duas ocasiões.
Para Emerson, a evolução de Hamilton impressiona se levar em conta o momento de sua carreira, com 41 anos, e por enfrentar Charles Leclerc, de 28 e em alto nível desde 2019, no duelo interno da Ferrari. “Achei fantástico ele andando rápido”, disse o piloto brasileiro em entrevista ao Estadão.
O bicampeão da F-1 lembrou de quando o hepta foi questionado em sua ida à equipe italiana, pela idade e por ter perdido na pontuação para George Russell em dois de seus últimos três anos de Mercedes. “Quando ele entrou na Ferrari, todo mundo falava: ‘tá ganhando muito (dinheiro), e já tá na descendência’. Este ano, na maioria das vezes, está mais rápido que o Leclerc. É impressionante”.
Apesar da história com a McLaren, em que conquistou seu segundo título, Emerson não escondeu a satisfação em ver a escuderia, que foi rival do time inglês em muitas temporadas, novamente andando à frente. “Até encontrei o (Frederic) Vasseur e dei parabéns por estarem andando bem de novo nesse regulamento”, disse, referindo-se ao chefe de equipe da Ferrari.
F-1 VAI SEGUIR EQUILIBRADA E ASTON MARTIN E CADILLAC ‘DEVEM CHEGAR LÁ’, PROJETA EMERSON
Falando das novas diretrizes da F-1, em que a distribuição de combustão e potência elétrica é de 53/47, respectivamente – aspecto que vai ser reordenado gradualmente até 2028 para 60/40, o brasileiro acredita que esses e outros aspectos, como as mudanças na aerodinâmica, que compõem o novo regulamento, ajudaram no equilíbrio da categoria.
“Está muito disputada. Na minha opinião, os últimos dois a três GPs mostraram que essas regras novas aproximaram as equipes”, analisou Emerson, sem deixar de reiterar que, no começo da temporada, havia, sim, uma dominante. “Bem mais competitivo que no início do ano, quando existia uma predominância absurda da Mercedes”.
“Agora, as outras equipes chegaram, que nem a McLaren em Budapeste. Nos próximos, vai ser (equilibrado) de novo”, complementou. No GP da Hungria, Lando Norris conquistou sua primeira vitória no ano e também o primeiro triunfo da escuderia inglesa.
Mesmo as equipes de fundo de grid em 2026 podem dar uma deslanchada, acredita o bicampeão. “Eu estava no grid e falei com o Adrian Newey (chefe da Aston Martin) que eles melhoraram no fim de semana, deu um pulo grande, e ele está contente que o carro evoluiu. Uma hora vai chegar lá também”, projeta.
A americana Cadillac, última colocada no Mundial de Construtores, é também uma de suas apostas. “Trazem um brilho muito grande para os Estados Unidos, porque é uma marca muito forte. Lógico que vão levar alguns anos para virar uma equipe competitiva, mas o empenho é espetacular, temos uma General Motors na F-1”, elogiou o brasileiro.
O GP da Hungria foi assistido por 310 mil pessoas no Hungaroring, igualando o recorde de 2024. Para Emerson, isso é reflexo de que a divisão está em alta, ao menos entre seus principais executivos.
“Vejo a F-1 brilhante, em uma das melhores fases em termos de audiência e público. A corrida em Budapeste lotada. Conversei com o CEO da Liberty Media e eles estão muito felizes com o trabalho do (Stefano) Domenicali (presidente da categoria)”, concluiu.


