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Trabalho de bombeiros para remoção de escombros de prédio caiu no Brás deve durar 3 dias

O Corpo de Bombeiros retomou na manhã deste sábado, 7, a remoção dos escombros de um
prédio de quatro andares que desabou na noite de sexta-feira, 6, no Brás, região
central de São Paulo. O local, na altura do número 200 da Rua Maria Joaquina,
abrigava um estoque de tecidos.

Ao todo, 35 pessoas que estavam no imóvel sobreviveram: oito conseguiram sair logo
após o desabamento e outras 27 foram retiradas pelas equipes de resgate. Quatro
pessoas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, sem risco
de morte.

Após a suspensão dos trabalhos manuais durante a madrugada por falta de segurança,
as buscas foram retomadas com o auxílio de maquinário pesado a partir das 6h30 deste
sábado. Por volta das 11h, cães de salvamento vistoriaram o local e não deram sinal
da presença de vítimas.

Apesar da ausência de registros de desaparecidos, os bombeiros ainda mantêm a
cautela. “Não dá para descartar 100% a presença de uma pessoa ali”, afirmou o
tenente-coronel Rodrigo Otávio Barelli, comandante do 1.º Grupamento de Bombeiros.

“A probabilidade se reduz porque os cães de hoje não deram sinal e ninguém procurou
as equipes para relatar o desaparecimento de parentes. No entanto, só poderemos
excluir totalmente quando chegarmos ao ponto exato indicado pelo cão na noite de
ontem (sexta-feira).”

Segundo ele, o trabalho de remoção deve levar de dois a três dias. “É um serviço de
formiga. Há mais de 15 metros de entulho e estrutura colapsada no caminho até o
ponto que precisa ser vistoriado”, afirmou.

Novo colapso durante a limpeza e impacto nos vizinhos

Durante a operação de limpeza com duas pás carregadeiras e uma retroescavadeira na
manhã deste sábado, a estrutura remanescente do edifício voltou a ceder. A fachada e
a parte central sofreram um novo colapso parcial, afetando duas lajes em uma área de
aproximadamente 50 metros quadrados. Os bombeiros terminaram a demolição da parte
restante para que pudessem trabalhar com maior segurança.

“A máquina apresentou uma operação cautelosa ao identificar uma rachadura grande na
fachada frontal. Recuamos o operador por preservação da integridade física e
permitimos que a estrutura acabasse de descer”, relatou o tenente-coronel Barelli.

O desabamento também afetou os prédios vizinhos. Duas edificações foram interditadas
preventivamente pela Defesa Civil e passam por avaliação pericial. “O imóvel do lado
esquerdo sofreu o impacto mais grave e teve laudo de interdição emitido. O do lado
direito está bem preservado e possivelmente poderá ser liberado para reforma após
nova análise pericial”, afirmou o comandante.

Excesso de peso e falta de documentação

A principal hipótese investigada para o colapso é o excesso de carga armazenada no
local. Ao Estadão o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, declarou que o
desabamento começou pelo mezanino, que não teria suportado o peso do material. “A
perícia ainda vai apurar as causas”, disse.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) reforçou a suspeita. “A grande suspeita, a se
confirmar ainda, é de excesso de peso. Muitos caminhões chegaram nesse local para
armazenar tecido, e o excesso de peso pode ter ocasionado o desmoronamento.”

O tenente-coronel Barelli confirmou a presença massiva de mercadorias no prédio.
“Além da estrutura de concreto, o que retiramos até agora são rolos e rolos de
tecido. Existia uma carga muito grande armazenada dentro do imóvel”, explicou o
oficial, que também esclareceu a dimensão da estrutura que cedeu: “A área colapsada
é de cerca de 50 metros quadrados – 10 metros de frente por 5 metros de
profundidade.”

O motorista José Luiz de Melo, que colabora com a prefeitura dirigindo um dos
caminhões que fazem a retirada da mercadoria e de entulho da loja, disse que apenas
10% do material foi retirado. “Até agora foram três ou quatro caminhões, e tem mais
para ir. O entulho ainda está lá, tiramos só tecido por enquanto.”

Em relação à regularização, o Corpo de Bombeiros informou que o imóvel não possuía o
Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB). Barelli explicou que, quando uma
edificação não cumpre as exigências, os bombeiros aplicam advertências, notificações
e multas até repassar o caso à Prefeitura, órgão responsável por efetuar a
interdição administrativa.

A Secretaria Municipal das Subprefeituras confirmou que o estabelecimento também não tinha licença de funcionamento vigente. A pasta informou, porém, que não havia registros anteriores de denúncias sobre as condições de segurança da edificação ou sobre comércio irregular no endereço.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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