Dois importantes parlamentares progressistas, o senador Bernie Sanders e o deputado Greg Casar, apresentam nesta quarta-feira uma proposta de lei que proibiria a superinteligência artificial e criaria uma agência federal para supervisionar sistemas avançados de inteligência artificial (IA), em um momento em que alguns dos próprios líderes do setor pressionam o Congresso a impor salvaguardas à tecnologia em rápido avanço.
O projeto, obtido primeiro pela Associated Press, também suspenderia temporariamente o desenvolvimento de IA avançada até que diretrizes sejam implementadas, ao mesmo tempo em que criaria o Departamento de Inteligência Artificial. Vários funcionários de grandes empresas de IA manifestaram apoio à proposta.
“Não é preciso ser um gênio para dizer: ‘desacelerem isso'”, afirmou Sanders, independente por Vermont, em entrevista à AP. “Nós realmente queremos desenvolver uma superinteligência que, quando se tornar mais inteligente do que os seres humanos, possa agir independentemente do controle humano? Eu não acho que queremos.”
Até agora, o Congresso fez pouco para conter a indústria de IA, apesar de alguns de seus líderes mais proeminentes alertarem para riscos potencialmente catastróficos. O presidente Donald Trump tem resistido a recentes pedidos por maior supervisão governamental, ficando em desacordo com líderes de tecnologia como Dario Amodei, da Anthropic, Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI.
A proposta proibiria permanentemente a superinteligência artificial, definida como um sistema que exceda a capacidade cognitiva humana ou tenha capacidades suficientes para planejar e executar a destruição ou a perda de poder da humanidade.
O texto suspenderia temporariamente o desenvolvimento dos sistemas de IA mais avançados até que novas regras federais de segurança fossem estabelecidas por um novo Departamento de Inteligência Artificial. Depois disso, sistemas avançados de IA precisariam de aprovação federal antes de serem implementados. Violações poderiam resultar em penalidades significativas, incluindo, em alguns casos, até 20 anos de prisão.
Diversos funcionários atuais de empresas de IA e especialistas assinaram uma manifestação de apoio ao projeto, segundo comunicado compartilhado com a AP.
Juan Felipe Cerón Uribe, pesquisador da área de Safety Systems da OpenAI, afirmou em declaração de apoio à proposta que “a superinteligência pode dar extremamente certo ou extremamente errado” e que “não deveríamos estar brincando com esse tipo de risco”.
Swante Scholz, engenheiro de software do Google DeepMind que afirmou não estar falando em nome de seu empregador, disse que, mantida a atual trajetória de desenvolvimento, o “resultado mais provável é uma catástrofe existencial para a humanidade”.
“Uma proibição ao desenvolvimento da superinteligência seria uma mudança positiva no futuro previsível”, afirmou Scholz.
Projeto enfrenta forte resistência, mas marca posição em debate crescente
A proposta de Sanders e Casar enfrenta poucas chances de aprovação no Congresso controlado pelos republicanos, onde parlamentares têm tido dificuldade para chegar a consenso até mesmo sobre regulações de IA menos abrangentes.
Ainda assim, o texto oferece uma visão de como a ala progressista do Partido Democrata está abordando a regulação da IA antes das eleições legislativas de novembro e de uma campanha presidencial de 2028 na qual se espera que a tecnologia tenha papel cada vez mais relevante. Casar, democrata do Texas, preside o Congressional Progressive Caucus.
Possíveis candidatos presidenciais em 2028 se apressaram nas últimas semanas para divulgar propostas que demonstrem atenção ao tema. O governador democrata de Maryland, Wes Moore, anunciou na terça-feira um plano para regulamentar a IA, enquanto o governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, assinou na semana passada uma ordem executiva para acelerar a implementação de uma lei estadual que prevê supervisão independente de empresas de IA.
Sanders, que disputou duas vezes a indicação presidencial e tem hoje 85 anos, tem dedicado atenção especial ao tema nos últimos meses. Em junho, apresentou um projeto para criar um fundo soberano financiado por meio de um imposto único sobre ações das maiores empresas de IA. Na semana passada, promoveu uma reunião com colegas e especialistas sobre o assunto e também participou de uma conferência dedicada ao tema ao lado de republicanos, incluindo o ex-assessor da Casa Branca Steve Bannon.
O debate sobre a regulação da IA tem embaralhado alianças políticas tanto em Washington quanto entre eleitores de todo o país.
Os americanos se tornaram mais preocupados com os impactos ambientais da inteligência artificial ao longo do último ano, segundo pesquisa recente do Associated Press-NORC Center for Public Affairs Research e do Energy Policy Institute da Universidade de Chicago.
Os dados mostram que cerca de metade dos americanos, 53%, está “extremamente” ou “muito” preocupada com os impactos ambientais da inteligência artificial, ante 41% no ano passado. Democratas respondem por grande parte desse aumento da preocupação ambiental, mas a pesquisa também revela inquietações mais amplas com o impacto local dos data centers, que sustentam a IA e a computação em nuvem.
Trump demonstra pouco interesse em conter os riscos da IA
Embora alguns líderes do setor tenham defendido novas salvaguardas, Trump tem seguido na direção oposta. Na terça-feira, Trump disse à Assembleia Geral das Nações Unidas que a IA passará a ser chamada de “superinteligência”.
“Eu acho que Trump entende muito pouco do que está em jogo nessa questão”, afirmou Sanders. “Acho que ele está preocupado principalmente com as implicações econômicas de uma desaceleração.”
A segurança da IA deve ocupar papel central nas conversas entre Trump e o presidente da China, Xi Jinping, na Casa Branca nesta semana, em meio à disputa entre os dois países pela liderança no setor. A possibilidade de desacelerar o desenvolvimento nos Estados Unidos enquanto a China continua avançando também tem sido um dos principais argumentos contra restrições abrangentes.
Sanders argumentou que evitar as formas mais perigosas de IA exigiria, em última instância, cooperação entre os dois países, comparando o desafio ao controle de armas nucleares durante a Guerra Fria.
“Ronald Reagan, um ultraconservador, foi inteligente o suficiente para entender que precisava sentar-se com Gorbachev, um comunista, e elaborar um tratado nuclear que protegesse a humanidade”, afirmou Sanders. “Acho que podemos fazer isso novamente agora.” Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.


