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Brasileiros e empresas têm 1ª sanção dos EUA por suposto elo com o PCC

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta, 1, sanções contra dois brasileiros, três empresas com sede no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontado pelo governo americano agora como a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental, com atuação também em Reino Unido, Turquia e Japão.

Segundo o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac, na sigla em inglês), o grupo explorava o sistema financeiro dos EUA para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas. É a primeira medida do país após a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas, assinada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em junho. O Ofac destacou que esta é a terceira rodada de sanções contra o PCC desde 2021 e afirmou que a organização representa uma ameaça crescente à segurança nacional dos EUA.

Entre os sancionados está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pelo Tesouro como líder do núcleo paulista da rede e elo entre operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recursos ilícitos gerados em diversas cidades americanas, utilizando criptomoedas para transferir os valores ao Brasil.

Também foi sancionada Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, descrita como colaboradora próxima de Shimada. Segundo o Ofac, ela auxiliava na coleta de grandes quantias de dinheiro em espécie e prestava apoio logístico às operações da rede de lavagem de dinheiro ligada ao PCC.

As medidas atingem ainda as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia Ltda.; Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.; Wave Construções Inteligentes Ltda.; e Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda., com sede em Portugal. Com a decisão, todos os bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos EUA ficam bloqueados, e cidadãos e empresas americanos ficam proibidos de realizar transações com eles. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos acusados nem das empresas.

ANTECEDENTES

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou ainda que, em janeiro de 2025, Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil porque a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.

Embora o comunicado não cite nominalmente o Corinthians, a empresa de Shimada aparece nas investigações do caso Vai de Bet. Ele é apontado no inquérito, de 10 de julho de 2025, “na qualidade de operador financeiro de empresa que se destina, ainda que parcialmente, ao branqueamento de valores de origem ilícita”. Ele usaria empresas de fachada, Victory e Wave, que serviriam de ponte para ocultar e movimentar o dinheiro desviado do clube. No dia 22 de julho, eles se tornaram réus pela Justiça.

Primeiro contrato da gestão Augusto Melo, o acordo de R$ 360 milhões da Vai de Bet com o Corinthians, rescindido unilateralmente pela casa de apostas em junho de 2024, previa o pagamento de 7% do montante líquido de cada parcela à intermediadora Rede Media Social Ltda. Ou seja, R$ 700 mil por mês ao longo de três anos, resultando em R$ 25,2 milhões ao fim do contrato. Citada no contrato como intermediadora, a Rede Media Social Ltda. tem CNPJ no nome de Alex Cassundé, antigo integrante da equipe de comunicação do presidente Augusto Melo.

A rescisão por parte da Vai de Bet ocorreu após virem à tona repasses de parte da comissão pela Rede Media Social Ltda à Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda, suposta empresa “laranja” cujo CNPJ está em nome de Edna Santos, mulher de origem humilde de Peruíbe, no litoral paulista.

A Polícia Civil concluiu que a Rede Media Social usou uma rede de empresas fantasmas para fazer R$ 1 milhão chegar à conta bancária da UJ Football Talent Intermediação, apontada como braço do PCC. O clube nega ter contrato com a empresa. Essa UJ foi citada no acordo de colaboração premiada com delação de Antonio Vinicius Lopes Gritzbach, assassinado em novembro de 2024, no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Ele afirmou que a empresa estaria relacionada a Danilo Oliveira, o “Tripa” do PCC.

O QUE ACONTECE COM OS SANCIONADOS?

As sanções foram aplicadas com base na legislação americana de combate ao crime organizado transnacional. Na prática, todos os bens e interesses das pessoas e empresas sancionadas que estejam nos Estados Unidos ou sob controle de cidadãos americanos ficam imediatamente bloqueados.

Além disso, cidadãos, empresas e instituições financeiras dos EUA estão proibidos de realizar qualquer tipo de transação com os alvos das medidas. As restrições também podem atingir empresas e bancos de outros países que mantenham relações comerciais relevantes com os sancionados.

Segundo o Departamento do Tesouro, instituições financeiras estrangeiras que facilitarem operações em benefício dos alvos podem ficar sujeitas a sanções secundárias, o que pode restringir seu acesso ao sistema financeiro americano. As sanções não representam condenação criminal nem equivalem a uma ordem de prisão, mas impõem severas restrições financeiras e comerciais, dificultando operações internacionais, acesso ao dólar e negócios com empresas que mantenham relações com os Estados Unidos.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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