Quem são os 4 brasileiros presos nos EUA por suspeita de enriquecerem enganando imigrantes

Uma operação conjunta das autoridades do Condado de Orange, da Flórida, nos Estados Unidos, prendeu quatro brasileiros suspeitos de envolvimento em um esquema de fraude e extorsão ligado à empresa Legacy Imigra.

Segundo as investigações, o grupo é acusado de enganar imigrantes em situação irregular com promessas de serviços de imigração e asilo, acumulando mais de US$ 20 milhões ao longo dos últimos três anos. A defesa dos envolvidos não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.

Foram detidos o fundador da empresa, Vagner Soares De Almeida, a esposa Juliana Colucci, além dos associados Ronaldo Decampos e Lucas Felipe Trindade Silva.

“Por anos, a Legacy Imigra se promoveu como uma agência de serviço completo, cujos advogados cuidavam de processos de imigração e asilo para imigrantes que buscavam status legal nos Estados Unidos. Em vez disso, Vagner Soares de Almeida, sua esposa Juliana Colucci, e seus associados acumularam mais de US$ 20 milhões, lucrando com pessoas da nossa comunidade menos capazes de se defender”, explicou o xerife John Mina, do Condado de Orange.

De acordo com ele, os suspeitos brasileiros “enriqueceram por meio de um modelo de negócio baseado em manipulação, fraude, mentiras e extorsão”. “E a maioria dos clientes, a maioria brasileiros, não chegou mais perto do sonho de se tornarem americanos”, afirmou.

Os quatro presos responderão por acusações de organização criminosa, fraude organizada, extorsão e exercício ilegal da advocacia. “A organização criminosa tornou Almeida muito rico”, disse o xerife.

Como funcionava o esquema

Segundo as autoridades americanas, as denúncias das vítimas mostram que a empresa conduzia um esquema para enganar imigrantes em busca de regularização nos EUA. Os suspeitos afirmavam falsamente que eram advogados de imigração qualificados e cobravam taxas elevadas “por solicitações fraudulentas ou mal preenchidas”.

Até o momento, sete vítimas cooperaram com a investigação, mas o xerife disse acreditar existam centenas de outras. As vítimas que denunciaram são da Flórida, Carolina do Sul, Connecticut e Nova Jersey. Conforme o xerife, cada vítima teve prejuízo entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.

“As vítimas disseram que, uma vez que se comprometiam financeiramente e começavam a pagar, a Legacy aumentou seu controle. A empresa criou contas de e-mail em nome das vítimas, sem conhecimento ou consentimento, e reteve documentos dizendo às vítimas que não receberiam seus papéis a menos que pagassem mais dinheiro”, contou John Mina.

Ele explicou ainda que a retenção dos documentos de imigração foi usada como forma de pressão “explorando o medo das vítimas de serem deportadas dos EUA”.

O caso chegou ao conhecimento das autoridades dos EUA em setembro do ano passado, quando um advogado da Ordem da Flórida entrou em contato com o xerife dizendo que havia recebido múltiplas denúncias envolvendo a empresa.

A ação foi conduzida pelo Gabinete do Xerife do Condado de Orange em conjunto com o Departamento de Investigações de Segurança Interna (HSI) e o Gabinete do Procurador-Geral da Flórida. As autoridades orientam possíveis vítimas a entrarem em para colaborar com o caso.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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