Condenado à inelegibilidade por abuso de poder político e econômico há cerca de dois meses, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) volta ao centro de mais uma investigação: desta vez, por supostas irregularidades na atuação do grupo Refit. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em uma das residências de Castro no Rio, nesta sexta-feira, 15. A reportagem busca contato com a defesa de Cláudio Castro. O espaço está aberto.
Alçado a governador do Rio após o impeachment do ex-juiz Wilson Witzel, Castro assumiu o Palácio Guanabara como um desconhecido da política fluminense em maio de 2021. À época, filiado ao nanico PSC, o então novo governador tomava posse em um cargo em que todos os ex-mandatários, nos últimos 30 anos, foram alvos de investigações por corrupção, lavagem de dinheiro ou crimes eleitorais.
Com Castro não foi diferente. Cinco anos depois – com uma reeleição em primeiro turno – o governador renunciou à cadeira, em março deste ano, em uma manobra para evitar a cassação por crime eleitoral. O movimento impediu a cassação do mandato, mas não a condenação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou Castro e o declarou inelegível até 2030.
Segundo a acusação, a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos (Ceperj) e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) teriam sido utilizadas para criar mais de 27 mil cargos irregulares comissionados para empregar cabos eleitorais e favorecer a reeleição do governador em 2022.
“É importante ressaltar mais uma vez que as suspeitas de irregularidades ocorreram antes do início do processo eleitoral. Assim que tomou conhecimento das denúncias, o governador ordenou a suspensão de pagamentos e contratações realizadas pelos projetos ligados à Fundação Ceperj e logo depois determinou a extinção deles. A defesa de Castro afirma ainda que não foram apresentados nos autos do processo elementos novos que sustentem as denúncias”, afirmou a defesa do ex-governador no início do julgamento no TSE.
Projetos Sociais (Fundação Leão XIII)
Castro também foi investigado por supostos desvios em programas assistenciais na época em que era vice-governador. A investigação envolvendo a Fundação Leão XIII, entre 2017 e 2020, apurava um esquema de corrupção, fraudes em licitações e desvios de verbas em projetos sociais voltados para populações de baixa renda.
Delações premiadas de executivos ligados às empresas contratadas acusaram Castro de receber propina em dinheiro vivo para viabilizar e manter contratos ativos na fundação. Os inquéritos, no entanto, foram encerrados pelo STF por falhas processuais de foro.


