O engenheiro ambiental e mestrando Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, morreu na tarde de segunda-feira, 26, dois dias após ter sido espancado em Santos, no litoral de São Paulo.
Ele havia participado de um ato político em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O caso é investigado como latrocínio.
Marcelo fazia mestrado em Ecologia Marinha na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nas redes sociais, apresentava-se como alguém “apaixonado por mar profundo, vôlei, livros e boa música”.
Ele compartilhava diversas fotos de viagens a cidades brasileiras, como Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) e Tiradentes (MG), e a outros países, como Portugal.
A irmã dele, Julia Rocha, publicou uma mensagem de despedida. “Sua vida foi linda e a minha mais ainda tendo você ao meu lado. Sua causa foi ganha e você será exemplo, orgulho para sempre de você”, escreveu.
Como foi a agressão?
No dia do crime, Marcelo havia participado de uma apresentação da Banda Esquerdantina, na Avenida Conselheiro Nébias, nos arredores do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro). Por volta das 3h de sábado, 24, ele se afastou dos amigos para ir ao banheiro.
Em nota, a banda afirmou que o engenheiro foi encontrado inconsciente e socorrido. “Diversas publicações relatam que a agressão seria motivada por homofobia”, afirmou o grupo.
Após a agressão, Marcelo foi internado em estado grave e permaneceu em coma induzido. Inicialmente, ele foi levado à Santa Casa de Santos e, posteriormente, transferido para o Hospital São Paulo, hospital universitário da Unifesp, na zona sul da capital paulista.
A morte dele foi confirmada na tarde de segunda-feira.
O que disse a Unifesp?
Em nota, a Unifesp lamentou a morte de Marcelo e repudiou a violência contra o estudante. A instituição afirmou que acompanha o caso desde que tomou conhecimento da agressão e presta apoio à família.
“A Unifesp expressa sua solidariedade aos familiares, amigos e colegas de Marcelo, neste momento de dor e consternação. A gravidade do ocorrido exige a apuração rigorosa das circunstâncias e motivações da agressão, bem como a identificação e responsabilização dos envolvidos”, afirmou.
Quem são os suspeitos?
Até a última atualização, a Polícia Civil ainda não havia identificado os suspeitos.
Imagens divulgadas nesta terça-feira, 27, pelo portal g1 mostram que o grupo, formado por pelo menos quatro pessoas, fez uma transmissão ao vivo durante o crime.
“É o seguinte, parceiro. Só manda o telefone para nós não te matar. Fala para ele como que é o passinho. Só não deixa ele correr. Dá o telefone, vai. Vai, maluco. Está vendo a tropa, né? A tropa vai te pegar”, disse um dos suspeitos.
Em seguida, o engenheiro leva um soco, cai no chão e tem os pertences roubados.
Como está a investigação?
A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira, 27, que o 4º Distrito Policial de Santos trabalha para identificar e localizar os agressores de Marcelo.
Inicialmente, o caso havia sido registrado como roubo com resultado de lesão corporal grave. No entanto, passou a ser investigado como latrocínio, já que o celular e outros pertences da vítima foram roubados.
“A investigação trabalha a partir de imagens de câmeras de monitoramento e de redes sociais e também de depoimentos de testemunhas para individualizar a conduta de cada agressor”, afirmou a pasta.
Segundo a SSP, o trabalho foi reforçado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (NOAD), órgão de inteligência da pasta, para identificar os autores em coordenação com empresas de tecnologia, telefonia e redes sociais.




