Existe um tipo de trabalho que muitas vezes só percebemos quando falta.
Ninguém entra em um hospital elogiando o piso higienizado. Pouca gente sai de um restaurante comentando sobre os processos de limpeza da cozinha. E raramente pensamos em quem deixou pronto o banheiro de um aeroporto, de uma escola ou de uma empresa.
A limpeza é quase como o ar que respiramos: quando está presente e bem feita, passa despercebida. Quando falta, todos percebem.
Nesta semana, tive o privilégio de participar diretamente da realização de um trabalho que ajuda justamente a tornar esse universo um pouco mais visível. De 20 a 22 de outubro, entregamos ao mercado a Higiexpo 2026, principal feira de limpeza profissional da América Latina, realizada pela Abralimp no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Em sua 29ª edição, o evento reuniu 180 expositores, mais de 540 marcas e, em apenas três dias, mais de 20 mil visitantes em torno de tecnologia, conhecimento, inovação e negócios.
Mas, sinceramente, o que mais me marcou não foram os números.
Foi ver um setor inteiro olhando para a mesma direção.
Uma feira é como uma cidade que nasce em poucos dias
Quem visita uma feira encontra estandes montados, luzes acesas, equipamentos funcionando e corredores cheios de pessoas. Tudo parece pronto.
Mas, por trás daqueles três dias, existem meses de preparação, reuniões, decisões, ajustes e muita gente trabalhando para que tudo funcione quando as portas se abrem.
Uma feira nasce, vive intensamente e depois desaparece. E, como toda cidade, só funciona quando muitas pessoas fazem bem a sua parte.
Nenhuma associação realiza algo assim sozinha. Nenhum presidente, diretor ou empresa constrói um evento dessa dimensão individualmente. Por isso, deixo aqui meu agradecimento à equipe da Abralimp, aos expositores, parceiros, fornecedores e a cada pessoa que, muitas vezes longe dos holofotes, ajudou a colocar essa cidade de pé.
É trabalho coletivo.
Talvez por isso eu tenha voltado para casa pensando menos na feira e mais no que ela representa.
OQUE A LIMPEZA PROTEGE
Quando falamos em limpeza profissional, muita gente ainda pensa apenas em balde, pano e vassoura. Mas existe muito mais por trás disso.
A limpeza é parte fundamental da proteção da saúde, da segurança e do bem-estar das pessoas.
Em um hospital, processos corretos de higienização ajudam a reduzir riscos. Em uma escola, contribuem para ambientes mais seguros para crianças, professores e funcionários. Na indústria de alimentos, fazem parte de uma cadeia rigorosa de cuidados que começa muito antes de o produto chegar ao consumidor.
A pandemia tornou isso mais visível. De repente, maçanetas, corrimãos, mesas e botões de elevador passaram a receber uma atenção que antes quase ninguém dava. Ficou evidente que limpeza não é apenas estética.
É cuidado. É prevenção. É proteção.
Ambiente limpo não é apenas bonito. É mais seguro, saudável e digno para quem está nele.
E existe ainda algo menos mensurável, mas igualmente importante: o bem-estar. Um ambiente cuidado transmite organização, respeito e a sensação de que alguém se preocupou com quem vai utilizá-lo.
A LIÇÃO QUE A MONTANHA CONFIRMA
Na alta montanha aprendi que os riscos nem sempre são aqueles que chamam mais atenção.
Todo mundo pensa no frio, no vento e na altitude. Mas água contaminada, alimento mal preparado ou um simples descuido com higiene podem comprometer uma expedição. Lá em cima, onde o organismo já está submetido a um esforço enorme, pequenos cuidados ganham outra dimensão.
No acampamento, higiene não é frescura. É parte da segurança.
E isso também vale aqui embaixo. Em empresas, hospitais, escolas, indústrias e cidades, muitas vezes aquilo que separa um ambiente saudável de um ambiente de risco está na disciplina silenciosa de fazer o básico corretamente, todos os dias.
UM SETOR QUE MERECE SER EXERGADO
Por trás da limpeza profissional existe uma enorme cadeia de trabalhadores, empresas, fabricantes, distribuidores, prestadores de serviços, técnicos e especialistas. São profissionais que muitas vezes chegam antes de todos e ajudam a deixar o ambiente pronto para que o restante das atividades possa começar.
A Higiexpo também existe para dar visibilidade a esse trabalho.
Quando uma empresa apresenta uma máquina mais produtiva, um produto mais seguro ou um processo mais sustentável, não está apenas expondo uma novidade. Pode estar tornando o trabalho de alguém menos pesado, mais eficiente e mais seguro.
Nesta edição, vimos automação, robótica, inteligência artificial, novos equipamentos, produtos, soluções sustentáveis e profissionais compartilhando conhecimento. Isso mostra uma mudança importante: a limpeza profissional deixou há muito tempo de ser uma atividade baseada apenas em força física. Hoje envolve tecnologia, produtividade, treinamento, segurança, sustentabilidade e gestão.
Como fabricante de escovas para equipamentos de limpeza, conheço esse universo por dentro. E sei que, por trás de um piso limpo, existe muito mais do que aquilo que os olhos conseguem enxergar.
Existe tecnologia. Existe conhecimento. E, principalmente, existem pessoas.
GUARILHOS TAMBÉM FAZ PARTE DESTA HISTÓRIA
Esse setor não está distante da nossa realidade. Ele também está aqui, em Guarulhos.
Nossa cidade abriga indústrias, distribuidores, prestadores de serviços e milhares de profissionais que fazem parte dessa cadeia. Foi aqui, aliás, que a minha própria história empresarial começou, de forma simples, há quase três décadas.
Quando uma feira desse porte reúne o mercado, empresas guarulhenses têm a oportunidade de mostrar o que fazem, conhecer novas tecnologias, ampliar seus contatos e trazer para cá novas ideias e novos negócios.
Um setor forte lá fora também fortalece a economia aqui dentro.
ENTREGAR É DIFERENTE DE REALIZAR
Realizar um evento é colocá-lo de pé.
Entregar é outra coisa.
Entregar é perceber que aquilo teve utilidade para alguém. É imaginar que um pequeno empresário saiu dali com uma nova ideia. Que um gestor encontrou uma solução para um problema antigo. Que um profissional aprendeu algo que poderá aplicar no dia seguinte. Que uma parceria começou em uma conversa de corredor.
E que alguém que trabalha diariamente com limpeza voltou para casa sentindo que faz parte de um setor maior e mais valorizado.
Quando as luzes da Higiexpo se apagaram, os equipamentos foram desligados e o pavilhão começou a ser desmontado, ficou para mim uma certeza: limpeza não é detalhe. É uma das bases silenciosas que ajudam a sustentar nossa saúde, nossa segurança e nossa qualidade de vida.
Talvez o grande desafio do setor seja justamente tornar visível aquilo que, quando é bem feito, quase desaparece aos nossos olhos.
Porque alguns dos trabalhos mais importantes são exatamente assim: nem sempre conseguimos vê-los. Mas todos sentimos quando estão presentes.







