A sofisticação de um plano usado por um grupo de ao menos três criminosos para invadir uma joalheria na Rua Oscar Freire, um dos endereços mais luxuosos dos Jardins, zona oeste de São Paulo, chamou atenção das autoridades.
Conforme o boletim de ocorrência do caso, ao qual o Estadão teve acesso, os ladrões chegaram a abrir buracos nas paredes não só do estabelecimento que foi alvo da ação, como de duas lojas vizinhas e de uma obra, na Rua Doutor Melo Alves.
Durante as invasões, eles furtaram cerca de R$ 5 milhões em joias e ainda beberam um espumante em uma das lojas. O caso ocorreu entre o fim de semana e a madrugada de segunda-feira, 12. Ninguém foi preso até o momento.
O B.O. aponta que o furto foi constatado pelo gerente da joalheria na manhã de segunda, logo quando ela chegou ao local, na altura do número 1.148 da Rua Oscar Freire. Ele, então, acionou rapidamente a polícia.
Aos agentes, o homem afirmou que, ao abrir a loja, constatou que o interior do local encontrava-se “completamente revirado e que as joias expostas e armazenadas no estabelecimento haviam sido subtraídas”.
O gerente disse ainda que observou um rombo na parte superior da parede da loja. Assim que chegaram por lá, os agentes viram que ainda havia buracos em duas lojas de roupa, que ficam logo ao lado. Um prédio em construção na Rua Doutor Melo Alves também havia sido violado.
O boletim de ocorrência aponta que o responsável pela obra relatou não só o sumiço de ferramentas, como a existência de imagens de câmeras de segurança que mostram a entrada de um dos suspeitos no local por volta das 16h de domingo.
O homem ainda relatou à polícia acreditar que a invasão tenha ocorrido entre a noite de sábado, 10, e a madrugada de domingo, 11, mencionando que comerciantes vizinhos teriam ouvido ruídos semelhantes aos de uma obra.
Como barulhos do tipo não eram tão atípicos por ali, eles disseram não ter suspeitado de irregularidades, o que deu mais tempo à gangue – os criminosos podem ter ficado mais de 24 horas nas dependências das lojas.
A hipótese principal é que, depois de acessar uma primeira loja de roupas a partir da obra, os ladrões violaram a parede divisória de um segundo estabelecimento. “Por fim, mediante novo rompimento de parede, conseguiram acessar o interior da joalheria”, afirma o documento.
Conforme o B.O., a representante de uma das lojas afetadas disse à polícia que, apesar dos indícios de invasão, não constatou, em um primeiro momento, a subtração de produtos pertencentes ao estabelecimento.
Ainda assim, ela afirmou ter encontrado dois bonés desconhecidos no interior do imóvel. “Verificou, ainda, que indivíduos desconhecidos haviam consumido uma garrafa de espumante pertencente ao estabelecimento”, aponta o documento.
No interior da joalheria, além de violarem gavetas e expositores, os criminosos também teriam interferido no sistema de segurança, mediante a cobertura de equipamentos de monitoramento, o desligamento de componentes e a subtração do dispositivo responsável pelo armazenamento das imagens, aponta o boletim.
Os criminosos teriam fugido por volta de 1h20 de segunda, conforme câmeras de monitoramento. O caso foi registrado no 78º Distrito Policial (Jardins) como furto qualificado, e as investigações agora contam com suporte do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).


