ENVIE SUAS DENUNCIAS E VÍDEOS PARA NOSSO E-MAIL: @REDACAOFOLHADEGUARULHOS.COM.BR

Dia das Crianças: cinco hábitos que contribuem para o desenvolvimento cerebral na infância

A infância representa uma das fases mais importantes para o desenvolvimento do cérebro humano. Durante esse período, o organismo passa por intensas transformações, com a formação, o fortalecimento e a reorganização de conexões entre os neurônios. Nesse processo, os hábitos cotidianos e as experiências vivenciadas pelas crianças exercem influência direta sobre o desenvolvimento de habilidades cognitivas, emocionais e comportamentais.

Em alusão ao Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o pós-PhD em Neurociências, Dr. Fabiano de Abreu Agrela, chama a atenção para a importância de estabelecer uma rotina saudável desde os primeiros anos de vida. Segundo o especialista, fatores como alimentação equilibrada, qualidade do sono, prática de exercícios físicos, estímulos intelectuais e convivência social contribuem para criar condições favoráveis ao amadurecimento cerebral.

Embora não exista uma fórmula capaz de determinar o ritmo de desenvolvimento de cada criança, a adoção de hábitos adequados pode favorecer a aprendizagem, a memória, a concentração e a construção de competências fundamentais para a vida adulta.

“Na infância, o cérebro tem uma grande capacidade de adaptação e reorganização. As experiências, os hábitos e os estímulos nessa fase ajudam na construção e no fortalecimento das redes neurais, por isso, a rotina da criança não deve ser vista apenas como uma questão de comportamento, mas também como parte de um ambiente que influencia seu desenvolvimento cerebral”, explica o especialista.

Cinco hábitos que favorecem o desenvolvimento cerebral infantil

1. Estabelecer uma rotina de sono saudável

Dormir adequadamente é essencial para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças. Durante o sono, o cérebro realiza processos importantes para a consolidação das memórias, a organização das informações adquiridas ao longo do dia e a regulação das emoções.

A falta de descanso ou a manutenção de horários irregulares pode comprometer a atenção, o aprendizado, a disposição e o controle emocional, especialmente quando a privação de sono ocorre de maneira frequente.

De acordo com Fabiano de Abreu Agrela, estruturas cerebrais como o hipocampo e o córtex pré-frontal desempenham funções importantes nesse processo. Enquanto o hipocampo participa da formação e estabilização das memórias, o córtex pré-frontal está relacionado ao planejamento, à atenção e ao desenvolvimento das funções executivas.

2. Incentivar a leitura e os estímulos intelectuais

Atividades como ler livros, ouvir histórias, desenhar, montar quebra-cabeças e participar de jogos educativos são importantes ferramentas para estimular o cérebro infantil.

Essas experiências contribuem para o desenvolvimento da linguagem, da criatividade, da memória, do raciocínio lógico e da capacidade de resolver problemas.

Segundo o neurocientista, até mesmo atividades simples, como pedir que a criança reconte uma história, podem estimular simultaneamente diferentes funções cerebrais.

O especialista ressalta, entretanto, que os estímulos devem ser diversificados e compatíveis com a faixa etária, respeitando as particularidades e o ritmo de aprendizagem de cada criança.

3. Estimular a prática de atividades físicas

A movimentação corporal também desempenha um papel importante no desenvolvimento cerebral. Brincadeiras ao ar livre, corridas, dança, esportes e outras atividades físicas adequadas à idade favorecem a coordenação motora e ajudam a estabelecer uma rotina mais ativa.

Além dos benefícios para a saúde física, a prática regular de exercícios está associada ao funcionamento de mecanismos cerebrais envolvidos na atenção, na aprendizagem e na regulação do humor.

Por isso, incentivar momentos de movimento e brincadeiras pode contribuir tanto para o desenvolvimento motor quanto para o bem-estar emocional das crianças.

4. Priorizar uma alimentação equilibrada

Uma alimentação diversificada é fundamental para garantir a energia e os nutrientes necessários ao funcionamento do cérebro, especialmente durante a infância, período marcado pelo crescimento e amadurecimento do organismo.

Frutas, verduras, legumes, cereais, proteínas e outros alimentos nutritivos devem integrar a rotina alimentar, considerando as necessidades individuais de cada criança.

A oferta de refeições equilibradas contribui para o desenvolvimento saudável e ajuda a suprir as demandas nutricionais de um organismo em constante transformação.

5. Valorizar as brincadeiras e a convivência social

O contato com outras crianças, a participação em atividades coletivas e a convivência familiar também representam estímulos importantes para o desenvolvimento cerebral.

Durante as brincadeiras e interações sociais, as crianças aprendem a compartilhar, respeitar regras, compreender emoções, negociar situações e lidar com conflitos. Essas experiências favorecem a construção da autonomia, da comunicação e das habilidades socioemocionais.

De acordo com Fabiano de Abreu Agrela, a interação social mobiliza diferentes regiões cerebrais, incluindo áreas responsáveis pela tomada de decisões, pelo controle do comportamento, pela linguagem e pelo processamento das emoções.

“A interação social é um estímulo multimodal para o cérebro infantil, ela envolve a integração de diferentes circuitos neurais”, explica o especialista.

Ele acrescenta que, durante as brincadeiras, essa integração permite que a criança experimente situações, compreenda consequências e desenvolva a capacidade de adaptação ao ambiente.

Respeitar o ritmo de cada criança é fundamental

Apesar da importância dos estímulos, especialistas ressaltam que o desenvolvimento infantil não deve ser tratado como uma competição. Cada criança apresenta características próprias e pode adquirir determinadas habilidades em momentos diferentes, sem que isso represente necessariamente alguma dificuldade.

O objetivo da construção de hábitos saudáveis é proporcionar condições favoráveis ao desenvolvimento cerebral, sem transformar a infância em um período de cobranças excessivas ou de busca constante por resultados.

Para Fabiano de Abreu Agrela, o equilíbrio entre aprendizado, descanso, convivência social e momentos de lazer é indispensável para uma infância saudável.

“Estimular não significa pressionar. O cérebro infantil precisa de desafios, mas também precisa de descanso, brincadeira, segurança emocional e tempo livre. Uma infância equilibrada não é aquela em que a criança recebe o maior número possível de estímulos, mas aquela em que encontra diferentes experiências adequadas ao seu desenvolvimento”, conclui.

Neste Dia das Crianças, a reflexão reforça que cuidar do desenvolvimento cerebral vai além de oferecer atividades educativas. Garantir afeto, segurança, oportunidades de aprendizado e tempo para brincar também é uma forma de investir na saúde e no futuro das novas gerações.

Avatar photo

Por Redação Folha de Guarulhos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *