Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro procuraram o Governo Federal e discutem há meses um programa de renegociação de dívidas, com juros menores e prazo alongado.
O ‘socorro’ financeiro não tem ligação com a Medida Provisória que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara contra as bets. O pedido partiu dos clubes e foi feito antes de vir à tona a MP contra as casas de apostas.
No entanto, o auxílio vai ajudar os clubes, quase todos eles com dívidas vultosas, e no momento em que estão sob risco de perder contratos milionários de patrocínio com as casas de apostas.
Os presidentes de Corinthians e Inter, Osmar Stábile e Alessandro Barcellos, respectivamente, e o CEO do Atlético Mineiro, Pedro Daniel, estão à frente das discussões com o governo. Houve, recentemente, um encontro com representantes do Ministério do Esporte.
Trata-se de um programa de renegociação de dívidas, uma espécie de “Desenrola” para o futebol, como definiu um dirigente ouvido pela reportagem, com prazo alongado e juros mais baixos do que os cobrados pelos bancos.
Não está definido o modelo do auxílio, mas o plano é que a ajuda financeira seja feita por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que estuda abrir uma linha de crédito para socorrer os clubes.
Cartolas que participam das discussões disseram que o dinheiro emprestado deve ter de ser usado obrigatoriamente pelos clubes para reduzir as dívidas. Os clubes conversam sobre a quantia a que terão acesso e os critérios para participar do programa.
A ideia é que clubes menos endividados também possam fazer parte do programa, de modo que poderão pegar o empréstimo para investir em infraestrutura e construir, por exemplo, um centro de treinamento.
A CBF acompanha as tratativas, que devem evoluir somente depois das eleições, isto é, a partir do fim de outubro.
As agremiações temem perder parte importante de sua arrecadação com a iminente proibição das bets no País, o que agravaria ainda mais o cenário financeiro dos times.
Na Série A, 14 dos 20 times são patrocinados por sites de apostas, que despejam, segundo estimativa do setor, mais de R$ 1 bilhão nos contratos de patrocínio com as equipes da elite. A própria competição é patrocinada pela principal empresa do mercado, a grega Betano.



