Preso em uma operação que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte de São Paulo, o ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista Milton Leite (União Brasil) figura como sócio e administrador de um conglomerado empresarial cujo capital social chega a R$ 52.017.422,00 milhões. O Estadão entrou em contato com a defesa do ex-parlamentar e aguarda retorno.
A informação foi divulgada inicialmente pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.
Segundo registros oficiais da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), a estrutura empresarial do clã reúne o ex-parlamentar, sua mulher, Neusa Maria Paulino da Silva, e seus filhos – entre eles o ex-deputado estadual Milton Leite Filho e o ex-deputado federal Alexandre Leite.
Milton aparece como sócio em cinco empresas, de acordo com a Jucesp. O principal empreendimento da família Leite é a Planevia Planejamento, Projetos e Consultoria Técnica, cujo capital social registrado é de R$ 34.417.422,00.
O ex-vereador é apontado como sócio-administrador da empresa, de acordo com a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios. Dois filhos do ex-vereador Alexandre Leite e Milton Leite Filho constam como administradores.
Outra empresa que consta na lista de empreendimentos da família é a Neumax Atlantica SPE LT, com capital social de R$13 milhões. A firma possui como sócia majoritária outra empresa do grupo, a Neumax Construtora e Incorporadora, de capital social de R$1 milhão. Milton Leite consta como administrador nos dois casos.
O patrimônio e as relações comerciais da rede de empresas da família Leite vêm sendo monitorados por investigadores em meio a apurações sobre desvios no sistema de transporte coletivo da capital.
Reportagem do UOL publicada em 2024 revelou que a Neumax mantinha contratos de locação de um conjunto industrial e de um imóvel com a Transwolff, operadora do transporte coletivo da capital paulista, pelo valor mensal de R$ 812 mil. À época, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apontou o que classificou como um “estreito relacionamento” entre o ex-presidente da Câmara e a cúpula da empresa de ônibus, hoje investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
A decretação da prisão temporária de Milton Leite pela Justiça paulista decorre de investigações que miram o avanço de organizações criminosas sobre concessões públicas e contratos de transporte na cidade.
O ex-vereador aparece ainda como sócio nas empresas Lesimo Sondagens, Projeros e Construções LTDA, com capital de R$600 mil, e a Sorocaba Neumax SPE LTDA, de R$3 milhões de capital social.
A defesa do ex-parlamentar ingressou com pedido de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a medida cautelar, sustentando sua inocência e apontando comorbidades de saúde.


