A primeira-dama Janja da Silva divulgou na segunda-feira, 24, uma nota de repúdio às declarações feitas pelo candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) durante o debate promovido pela TV Bandeirantes em parceria com o Estadão, neste domingo, 23. Para Janja, a fala do candidato teve caráter misógino e utilizou sua imagem para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Durante o debate, ao criticar a ausência de Lula, Renan Santos mencionou a primeira-dama de forma depreciativa. O candidato afirmou que o presidente teria ficado com “aquela Janja” e sugeriu que Lula poderia encontrar “companhias melhores”.
Na nota, Janja afirma que a declaração não configura uma crítica política, mas uma tentativa de “deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher” como forma de atingir um adversário. A primeira-dama também ressalta que não era candidata, não estava presente no debate e, portanto, não tinha possibilidade de responder às declarações.
“Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de ‘pena’ está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político”, afirmou.
A primeira-dama também citou episódios anteriores envolvendo Renan Santos e afirmou haver um padrão de declarações que, segundo ela, “normalizam o desrespeito às mulheres”.
Ao final do comunicado, Janja afirmou que debates eleitorais sejam utilizados para a apresentação de propostas e o confronto de ideias, e não para ataques pessoais a mulheres que não participam da disputa.
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada por Janja:
“Diante do episódio ocorrido no debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes na noite deste domingo (23/08), manifesto repúdio às falas do candidato Renan Santos (Missão). Situações como essa não podem ser normalizadas. O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão. Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de “pena” está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político. Episódios como esse não são um caso isolado. Renan Santos já esteve envolvido em declarações de violência contra as mulheres e incitou dezenas de homens a cometerem um estupro coletivo. É possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres. Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas. Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências. Debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país. Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é.”




