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Após EUA aplicarem tarifas de 50% ao Canadá, premiê diz que país vai retaliar ‘dólar por dólar’

Após os Estados Unidos terem implementado tarifas de 50% sobre cerca de US$ 20 bilhões de produtos do Canadá, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o país tem “planos, foco e resiliência”, e vai focar no que pode controlar em termos de medidas e taxas. “Somos mestres em nossa casa”, disse Carney, durante coletiva de imprensa, neste sábado, 22.

Questionado sobre se o Canadá está em guerra com os EUA, o premiê respondeu: “Você está em guerra quando é atacado. Nós fomos atacados.”

Segundo ele, o país vai retaliar “dólar por dólar” das sobretaxas norte-americanas, o que deve ocorrer a partir de 8 de setembro.

Os detalhes sobre as medidas retaliatórias serão revelados “nos próximos dias”, de acordo com o líder canadense.

Durante a coletiva, ele também informou que o país deve oferecer isenção de tarifas quando houver impacto sobre “certas indústrias”.

Tarifas devem atingir cerca de 5% das exportações anuais do Canadá aos EUA

As novas tarifas devem atingir aproximadamente 5% das exportações anuais do Canadá para os Estados Unidos.

“Esta noite, o Canadá recusou-se a finalizar o acordo comercial nos termos acordados no início desta semana”, afirmou o Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, em comunicado lido a jornalistas durante uma teleconferência pouco antes da meia-noite da sexta-feira.

Segundo ele, Washington havia oferecido ao Canadá “o melhor tratamento possível” entre os principais exportadores para o mercado americano, mas novas exigências e a retirada de compromissos por Ottawa teriam desestabilizado o entendimento alcançado nos últimos dias.

Greer classificou a proposta norte-americana como “voltada para o futuro” e afirmou que ela previa “uma parceria histórica em matéria econômica e de segurança nacional”.

O impacto político da medida pode ser maior que suas consequências econômicas imediatas. Estados Unidos e Canadá movimentaram US$ 880 bilhões em bens e serviços no ano passado, em uma das relações comerciais mais integradas do mundo.

As tarifas deveriam entrar em vigor originalmente à 0h01 de quarta-feira. Trump, porém, adiou a aplicação por três dias para permitir a continuidade das negociações. O prazo terminou sem que os dois governos chegassem a um novo acordo.

Relação histórica sob pressão

Estados Unidos e Canadá mantêm disputas comerciais há décadas, especialmente em setores como madeira serrada e produtos lácteos. Apesar dos conflitos, os dois países preservaram uma relação marcada por cooperação econômica, militar e diplomática.

Soldados canadenses lutaram ao lado das forças americanas no Afeganistão após os ataques de 11 de setembro de 2001. A fronteira entre os dois países, de 8.894 quilômetros, não é submetida a vigilância contínua. Cerca de 330 mil pessoas e US$ 2 bilhões em mercadorias atravessam a fronteira diariamente. Aproximadamente 800 mil canadenses vivem nos Estados Unidos.

A política de Trump em relação ao Canadá representa uma ruptura com essa tradição de cooperação.

Desde que voltou à Casa Branca, o presidente norte-americano impôs tarifas sobre produtos canadenses, defendendo a transferência de atividades industriais para os Estados Unidos, e fez repetidas declarações sobre a possibilidade de transformar o Canadá no 51º Estado americano.

A retórica provocou forte reação no Canadá. Uma petição que pede a expulsão do embaixador norte-americano no país, Pete Hoekstra, já havia reunido quase 248 mil assinaturas desde 21 de julho.

O documento acusa o diplomata, aliado de Trump, de ter “normalizado” as declarações do presidente sobre a anexação do Canadá.

A dependência comercial canadense também aumenta a pressão sobre Ottawa. Quase 72% das exportações de bens do país tiveram os Estados Unidos como destino no ano passado.

Ao mesmo tempo, a Casa Branca pode enfrentar custos políticos ao ampliar as tarifas antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro. As tarifas são pagas inicialmente pelos importadores norte-americanos, que podem repassar parte dos custos aos consumidores por meio de preços mais altos. A medida ocorre enquanto os eleitores americanos demonstram preocupação com o custo de vida.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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