O grupo Energisa registrou no segundo trimestre deste ano prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões, desempenho influenciado por eventos extraordinários, como o anúncio da venda, para a Taesa, de cinco transmissoras, com a consequente reclassificação contábil dos ativos. O montante reverte lucro consolidado de R$ 490 milhões em igual intervalo de 2025. O lucro líquido ajustado recorrente ficou em R$ 88 milhões, queda de 80% na mesma base de comparação, pressionado pelo aumento das despesas financeiras líquidas.
A venda das transmissoras, uma operação de R$ 2,293 bilhões anunciada em maio e ainda sujeita a últimas aprovações, gerou um impacto contábil negativo, sem efeito caixa, de R$ 596 milhões no resultado financeiro. Os ativos foram reclassificados no balanço como “mantidos para venda” e, como estão em início de contrato, geram um efeito negativo, tendo em vista as regras de IFRS para o setor de transmissão de energia elétrica.
“Quando você vende um ativo logo depois que ficou pronto, que é o nosso caso, você tende a gerar um prejuízo contábil, apesar de ter sido uma ótima transação, de cerca de 10 vezes o Ebitda e 8,3 vezes a Receita Anual Permitida”, disse o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da Energisa, Mauricio Botelho, à Broadcast. Ele disse esperar o fechamento definitivo da transação para este mês.
Por outro lado, também no segundo trimestre a Energisa registrou os efeitos de um acordo celebrado entre a distribuidora Energisa Rondônia (ERO) e o governo do Estado de Rondônia que viabilizou a regularização de passivos com mais de 20 anos e a quitação da dívida da Companhia de Águas do estado, que representava 60% no saldo do contencioso judicial do grupo. Esse acordo gerou um impacto positivo de R$ 489 milhões no Ebitda da companhia e de R$ 94 milhões no lucro líquido.
No consolidado, o Ebitda ajustado recorrente da Energisa chegou a R$ 1,95 bilhão, 1% acima do reportado no segundo trimestre do ano passado. Quando ajustado pelo resultado da equivalência patrimonial da holding de distribuição de gás Norgás, o Ebitda recorrente alcançou R$ 1,99 bilhão, alta de 1,4% na comparação anual.
O destaque do trimestre foi o crescimento do negócio de distribuição de gás natural, que registrou Ebitda ajustado de R$ 96 milhões, incluindo a contribuição da Norgás. Essa holding, que detém participações em quatro distribuidoras de gás no Nordeste e na qual a Energisa é acionista, apresentou crescimento de 35% no Ebitda, para R$ 117 milhões, enquanto na ES Gás o aumento do Ebitda foi de quase 90%, para R$ 65 milhões. “O setor de gás está em um momento positivo, está indo muito bem”, disse Botelho, citando também o investimento de R$ 69 milhões na expansão da infraestrutura de distribuição, com foco na ampliação da rede e na conexão de novos clientes.
Já o segmento de distribuição de energia elétrica registrou um aumento de 5% na receita líquida ajustada, para R$ 6,5 bilhões, refletindo o crescimento de 4% no volume de energia consumido nas nove distribuidoras do grupo.
Botelho destacou que a companhia intensificou no trimestre investimentos em ampliação, modernização e digitalização da rede, além da antecipação de manutenções corretivas e preventivas em ativos críticos, considerando o possível aumento da severidade dos eventos associados ao El Niño.
Por outro lado, ele admitiu que o fenômeno pode ter impacto positivo à frente, com o possível aumento do consumo na área de concessão, devido à elevação das temperaturas. “Em 2023 nosso mercado cresceu 9,5%, o consumo aumentou bastante especialmente nos segmentos residencial e comercial”, disse.
Entre abril e julho, a receita líquida ajustada da Energisa totalizou R$ 7,250 bilhões no período entre abril e junho, alta de 4% em relação a um ano antes.
Endividamento
Os itens extraordinários anotados no segundo trimestre também ajudaram na melhora da estrutura de capital da Energisa. A alavancagem da companhia caiu a 3,1 vezes dívida líquida/Ebitda, ante as 3,5 vezes anotada no fim do primeiro trimestre. Somente o acordo com o estado de Rondônia resultou, além do efeito positivo no Ebitda, R$ 414 milhões de acréscimos moratórios. A empresa informou que cerca de R$ 300 milhões devem entrar no caixa nos próximos 90 dias, devido ao levantamento de depósitos vinculados ao processo.
Adicionalmente, a redução da alavancagem também foi influenciada pela conclusão da venda das ações preferenciais da Denerge (holding que detém, de forma direta e indireta, participações em companhias como Rede Energia, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Sul-Sudeste e Energisa Mato Grosso), no valor de R$ 1,4 bilhão.
Ao fim de junho, a posição de caixa totalizava R$ 13 bilhões, montante suficiente para cobrir os vencimentos da dívida nos próximos três anos, informou a companhia.


