A crise envolvendo Gianni Infantino pode ganhar um novo capítulo. Segundo o jornal britânico The Telegraph, a UEFA prepara um ultimato ao presidente da FIFA: renunciar ao cargo ou enfrentar um processo para destituição.
De acordo com a publicação, as 55 associações nacionais filiadas à entidade europeia votariam pela destituição do dirigente suíço caso ele decida permanecer no cargo. A UEFA precisa do apoio de 43 federações para convocar a votação.
A informação foi publicada um dia depois de a FIFA desistir da criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), projeto idealizado por Infantino que previa a entrada de investidores privados nos ativos comerciais das principais competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo.
Neste sábado, a UEFA já havia elevado o tom em um comunicado oficial. Além de comemorar o recuo da FIFA, a entidade afirmou que a atual liderança da organização “perdeu não apenas a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol”. A confederação também cobrou uma revisão “profunda e estrutural” da governança da FIFA.
Ainda segundo o The Telegraph, a pressão sobre Infantino aumentou ao longo da sexta-feira. Carlos Cordeiro, assessor sênior do presidente da FIFA, deixou o cargo em protesto contra a proposta. Pouco depois, o diretor de operações da entidade, Kevin Lamour, afirmou que funcionários da FIFA haviam sido “enganados” durante o processo.
A publicação afirma que a resistência ao projeto provocou uma rebelião dentro da própria FIFA. Segundo fontes ouvidas pelo jornal, o movimento passou a ser chamado internamente de “Kill the Monster” (“Mate o Monstro”), em referência aos esforços para impedir que a proposta fosse levada adiante.
A reportagem também destaca que o plano perdeu força quando as confederações passaram a se posicionar contra a proposta. A UEFA chegou a acusar a FIFA de tentar “vender a alma do futebol” e aprovou, por unanimidade, a possibilidade de boicotar competições da entidade caso o projeto avançasse. Em seguida, Concacaf e Confederação Asiática de Futebol (AFC) também rejeitaram o projeto.
Com a resistência das três confederações, Infantino deixou de reunir apoio suficiente entre as 211 associações nacionais filiadas à FIFA para levar o projeto adiante e anunciou sua retirada.
O jornal britânico afirma ainda que a pressão extrapolou o ambiente do futebol. O primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, defendeu que Infantino deixe a presidência da FIFA. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerado um aliado do dirigente suíço, afirmou que não foi consultado sobre a proposta.
A publicação também cita a manifestação de Ashish Prashar, estrategista político ligado ao futebol, que apoiou a iniciativa da UEFA de tentar afastar Infantino.
“Infantino coordenou uma tentativa de roubar e destruir o futebol para encher os próprios bolsos. É fundamental que isso não apenas seja interrompido, mas que nunca mais tenha a chance de voltar a acontecer – começando pela saída do próprio Infantino”, afirmou.
Até o momento, a FIFA não se pronunciou sobre a possibilidade de uma votação para destituir Gianni Infantino.


