Por Jandré Lopes
Psicólogo | CRP 06/215909
Quando um crime de grande repercussão ganha destaque na mídia, é comum surgir uma necessidade quase imediata de encontrar explicações. Em meio a essa busca, não raramente aparecem diagnósticos psicológicos e psiquiátricos atribuídos a pessoas que nunca foram avaliadas clinicamente.
O recente interesse renovado pelo caso Elize Matsunaga ilustra esse fenômeno. Nas redes sociais, tornou-se frequente a afirmação de que ela apresentaria Transtorno de Personalidade Borderline (TPB). Contudo, nenhum diagnóstico pode ser confirmado a partir de entrevistas, documentários ou reportagens.
O diagnóstico de um transtorno mental exige avaliação clínica cuidadosa, histórico detalhado e critérios científicos. Transformar hipóteses em certezas aumenta o estigma e prejudica milhões de pessoas que convivem com transtornos mentais.
O TPB caracteriza-se por dificuldades na regulação emocional, impulsividade, medo intenso de abandono e instabilidade nos relacionamentos. Essas características, entretanto, não tornam alguém naturalmente violento ou criminoso. As evidências científicas mostram que o sofrimento costuma voltar-se mais para a própria pessoa do que para terceiros.
Cometer um crime não significa, por si só, possuir um transtorno mental. Da mesma forma, um diagnóstico não explica isoladamente comportamentos criminosos. A conduta humana é complexa e resulta da interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Mais do que discutir um caso específico, este debate é uma oportunidade para refletirmos sobre a responsabilidade de divulgar informações em saúde mental. Diagnósticos não devem ser utilizados como rótulos ou explicações simplistas para acontecimentos complexos.
A Psicologia baseada em evidências convida ao pensamento crítico, ao respeito à dignidade humana e ao combate ao estigma.
Sobre o autor
Jandré Lopes é psicólogo (CRP 06/215909), especialista em Psicopatologia e Terapias Cognitivo-Comportamentais.
Possui formação em DBT, é Treinador de Habilidades em DBT e possui formação no Protocolo CAMS para prevenção do suicídio.
Atua no atendimento de adultos, com foco em Transtornos do Humor, Transtorno de Personalidade Borderline e regulação emocional.
Psicologia baseada em evidências. Acolhimento com ciência.
Site: psicologojanlopes.com.br
Instagram: @psicologojanlopes



