A cantora Dua Lipa inaugurou no fim de junho seu novo projeto: uma biblioteca com uma seleção de cem livros escolhidos para refletir questões da sociedade contemporânea. Batizada de Manifesto Library, a iniciativa faz parte das celebrações pelos 120 anos da tradicional livraria portuguesa Lello, uma das mais famosas do mundo.
O projeto nasceu a partir do trabalho desenvolvido pela artista no Service95, plataforma digital criada por ela em 2021 com conteúdos voltados para cultura e ativismo. Dentro da iniciativa, um dos principais destaques é o Clube de Leitura, em que Dua indica uma obra por mês e participa de conversas em formato de videocast com os autores dos livros escolhidos.
O espaço fica em um novo anexo da Lello, criado para ampliar a capacidade da livraria, que funciona em um prédio construído em 1906. O projeto arquitetônico do novo ambiente foi assinado por Álvaro Siza, vencedor do Prêmio Pritzker. Além dos livros, o espaço também pretende receber exposições de arte e apresentações musicais.
A seleção da Manifesto Library foi feita em conjunto pelas equipes da Lello e da cantora, com a proposta de reunir títulos considerados essenciais para compreender o mundo atual. Entre os livros escolhidos estão obras como Laranja Mecânica, de Anthony Burgess; O Conto da Aia, de Margaret Atwood; A Revolução dos Bichos, de George Orwell; e Olhos d’Água, de Conceição Evaristo.
Na biblioteca, os títulos foram organizados em quatro categorias: Controle, Poder, Memória e Voz. A última reúne obras que enfrentaram censura ou foram proibidas quando lançadas. Os visitantes podem permanecer no espaço para ler os livros ou comprar exemplares.
A proposta da Manifesto Library acompanha a linha editorial do Clube de Leitura de Dua Lipa e do próprio Service95, com foco em temas ligados à cultura, liberdade de expressão e debates atuais. Em comunicado à imprensa, a cantora afirmou que o espaço foi pensado como um local dedicado a obras censuradas e autores que desafiaram estruturas de poder.
“Esta biblioteca é um santuário para livros que desapareceram, para autores cuja coragem desmascara estruturas de poder e controle, e para leitores que se recusam a aceitar que lhes digam qual livro podem ler”, declarou a artista.




