Em um jogo marcado por reviravoltas, a disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo premiou o torcedor que lotou o Hard Rock Stadium na tarde deste sábado, em Miami. Após um primeiro tempo em que apenas uma equipe entrou a fim de jogo e abriu uma vantagem de quatro gols, a partida ganhou um ritmo frenético na etapa final. O resultado foi uma vitória sensacional da Inglaterra sobre a França pelo placar de 6 a 4 e um duelo para entrar na história dos Mundiais. O confronto superou o embate com mais gols em uma briga pelo terceiro posto. Em, 58, na Suécia, o embate com maior número de gols foi um triunfo da França sobre a Alemanha pelo placar de 6 a 3.
Com as duas bolas na rede assinaladas no segundo tempo, Mbappé teve uma atuação de destaque. Ele superou Messi e agora é o maior artilheiro da história dos Mundiais com 22 gols. Além disso, o francês é o goleador isolado da atual edição: marcou dez vezes contra oito do camisa dez argentino, que entra em campo neste domingo para brigar pelo título com a Espanha.
Pelo lado dos ingleses, que sofreram como nunca no segundo tempo, o destaque fica para Saka, autor de um hat-trick. Mesmo assim, de forma dramática, a seleção inglesa se reabilitou da derrota nas semifinais para Argentina para, enfim, cravar a sua melhor campanha em Mundiais desde a Copa de 1966, quando terminou com o título.
Depois de amargar a quarta posição em duas ocasiões (em 1990, perderam a disputa do terceiro lugar para a Itália, e em 2018, caíram para os belgas), desta vez os ingleses levaram a melhor. Com a sonora goleada deste sábado, o time deixa o torneio com o terceiro posto.
O resultado ainda vem com uma bela compensação financeira. Pelo terceiro lugar, os ingleses vão receber de premiação US$ 129 milhões (cerca de 148 milhões). O quarto colocado vai embolsar US$ 27 milhões (R$ 138 milhões)
Aos franceses, restam lamentações. A equipe, que chegou a ser apontada como a grande favorita ao título por seu futebol envolvente e a sua vocação ofensiva, engatou uma reação heroica no segundo tempo. Marcou quatro vezes, brigou como nunca pelo empate, mas terminou com a derrota e o quarto lugar. O revés marca a despedida de Didier Deschamps do comando da equipe após 14 anos. Pelo que tudo indica, ele deve dar lugar ao ex-meio-campista Zinedine Zidane.
COMO FOI A DISPUTA DO TERCEIRO LUGAR ENTRE FRANÇA E INGLATERRA?
O jogo começou com bola na rede antes mesmo dos cinco minutos. Doué deu um passe errado no meio-campo quando a França tentava encaixar uma transição para o ataque e os ingleses foram letais. Rice fez o domínio, avançou pela meia esquerda e, percebendo o goleiro mal posicionado, chutou no canto para fazer 1 a 0.
Diante de um rival desconcentrado, os ingleses voltaram a encontrar o caminho do gol com 17 minutos. Rice bateu escanteio da esquerda na pequena área. Konsa se livrou da marcação de Rabiot, cabeceou no canto e aumentou a vantagem: 2 a 0.
Movido pelo objetivo pessoal de tentar a artilharia, Mbappé foi a exceção de um time sonolento. Em duas oportunidades, ele esteve muito perto de balançar a rede. Na primeira, a zaga salvou na pequena área. Na segunda tentativa, Henderson defendeu o chute do camisa 10 para fora.
Mas a Inglaterra estava a fim de jogo e fez o seu terceiro gol na partida em ritmo de “pelada entre solteiros e casados”. Sem nenhuma marcação, Rashsford entrou livre, chutou e Maignan espalmou. No rebote, Saka carimbou a zaga e a sobra voltou novamente para Rashford. Ele se livrou do goleiro, serviu novamente o camisa 7, que endereçou a bola para o fundo da rede francesa: 3 a 0, aos 37 minutos. Antes do intervalo, ainda teve tempo para mais um. Saka entrou com liberdade, mirou o canto, e transformou a vitória em goleada: 4 a 0 aos 45.
Disposto a dar um basta no que considerou um “vexame” de sua equipe, o técnico Didier Deschamps fez quatro trocas no intervalo. E a mudança deu novo ânimo ao time. Com dois minutos, Mbappé surgiu como um raio pelo lado esquerdo e chutou cruzado para diminuir a desvantagem: 4 a 1.
O que parecia um jogo definido, ganhou uma outra realidade. Barcola entrou como quis pela esquerda, entrou na área e bateu forte para fazer o segundo gol dos franceses com apenas oito minutos de duelo na etapa complementar.
O banho de bola que virou o jogo em favor dos franceses foi se consolidando com seguidas chances incríveis de gol sendo perdidas pela França. De tanto insistir, a equipe de Didier Deschamps botou mais fogo na partida. Mbappé recebeu de Olise, bateu firme e fez o seu segundo na partida: 4 a 3 aos 21.
No banco, Bellingham entrou para tentar arrumar a casa. O castigo para os franceses, no entanto, veio no fim. Spence foi derrubado na área por Gusto e o juiz marcou pênalti. Saka foi para a cobrança, bateu no canto. No fim, Dembelé ainda fez o quarto da França e Bellingham fechou o jogo fazendo o sexto da Inglaterra e terminando como o artilheiro da sua seleção com sete gols.
FICHA TÉCNICA:
FRANÇA 4 X 6 INGLATERRA
FRANÇA – Maignan; Gusto, Konaté (Upamecano), Lacroix e Theo Hernández (Digne); Rabiot, Zaire-Emery, Olise e Cherki (Dembelé); Doué (Barcola) e Mbappé. Técnico: Didier Deschamps.
INGLATERRA – Dean Henderson; Quansah, Guéhi, Konsa e Spence; Rice, Eze (Belingham) e Rogers; Saka, Toney (Elliot Anderson) e Rashford (Watkins). Técnico: Thomas Tuchel.
GOLS – Rice, aos 3, Konsa aos 17 e Saka, aos 37 minutos e aos 45 do primeiro tempo. Mbappé, aos 2 e 21 minutos, Barcola, aos 8 minutos e Saka, aos 40, Dembelé, aos 50 e Bellingham, aos 52 do segundo tempo.
ÁRBITRO – Jesús Valenzuela (Venezuela).
PÚBLICO – 64.478 presentes.
LOCAL – Estádio Hard Rock Stadium, em Miami Gardens (Estados Unidos).



