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Dólar cai a R$ 5,12 com expectativa de retomada de negociações entre EUA-Irã

O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira, 9, em baixa firme frente ao real, em sintonia com o comportamento da moeda americana em relação a divisas emergentes. Apesar de ataques no Oriente Médio e do comprometimento do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, investidores se animaram com a possibilidade de retomada das negociações de paz após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã estaria “em busca de um acordo”.

Depois da escalada dos últimos dias, os preços do petróleo fecharam em baixa superior a 2%. O contrato do Brent para setembro, que na quarta-feira tocou pontualmente o nível de US$ 80 o barril, recuou 2,20%, a US$ 76,30. Com redução dos temores inflacionários, as taxas dos Treasuries caíram, com mínima do retorno do papel de 2 anos à tarde, abrindo espaço para valorização de moedas emergentes.

Por aqui, afora uma alta pontual e bem limitada na abertura dos negócios, o dólar operou em terreno negativo no restante do dia. Com mínima de R$ 5,1130 à tarde, fechou em queda de 0,50%, a R$ 5,1227, passando a acumular desvalorização de 0,89% na semana. A moeda americana recua 0,78% frente ao real em julho, após ganhos de 2,38% no mês passado.

Com a liquidez reduzida em razão do feriado de 9 de julho no Estado de São Paulo e, na ausência de gatilhos domésticos, o mercado de câmbio local apenas acompanhou a depreciação global do dólar, na esteira da redução dos prêmios de risco geopolítico, avalia o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo. “Além das declarações de Trump sobre o Irã, os investidores mostram mais otimismo dos investidores com as ações de tecnologia nos Estados Unidos”, afirma.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY operou em leve queda, abaixo da linha dos 101,000 pontos, com mínima aos 100,786 pontos. Entre as divisas emergentes e de países exportadores de commodities, destaque para os ganhos de mais de 1% do peso colombiano e do dólar neozelandês.

Para o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, um eventual aumento dos preços de energia com impasse no Oriente Médio pode fortalecer a ala mais conservadora do Federal Reserve, dando certo suporte para a moeda americana. Ele ressalta que a ata do encontro de política monetária de junho, divulgada na quarta, mostra que há divisão dentro do Fed sobre o rumo da taxa de juros.

“Moedas de países de juros altos podem resistir a um ambiente de dólar mais forte, porque investidores favorecem posições em carry trade”, afirma Turner, que vê um retorno do DXY para o nível dos 101,500 pontos.

A especialista em câmbio e crédito da be.smart, Jaqueline Neo, ressalta que o real mostrou resiliência em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. “Isso indica que o fluxo de capital para mercados emergentes segue relativamente favorável. O mercado continua atribuindo peso maior aos fundamentos econômicos do Brasil e ao diferencial de juros”, afirma.

Bolsa

O Ibovespa renovou máxima e flertou com o nível dos 173 mil pontos na tarde desta quinta-feira, 9, em linha com os ganhos das Bolsas de Nova York. Ainda monitorando o conflito no Oriente Médio, o mercado financeiro se apegou ao ‘copo meio cheio’, com relatos de que mediadores trabalham para retomar negociações entre Estados Unidos e Irã, após o presidente Donald Trump dizer que Teerã entrou em contato ainda na quarta-feira para fechar um acordo.

Predomina nesta quinta a leitura de que os ataques no Estreito de Ormuz são temporários, o que fez o petróleo cair cerca de 2%, ajudando as curvas de juros a cederem e abrindo espaço para um apetite por renda variável.

Após mínima com estabilidade pela manhã, o Ibovespa escalou aos 172.932,89 pontos (+1,34%) no maior nível intradia à tarde e fechou com avanço de 1,22%, aos 172.742,12 pontos. Na semana, ainda acumula queda de 0,76%, enquanto passa a subir 0,42% no mês, e 7,21% no ano. O giro financeiro de R$ 19,49 bilhões ficou abaixo da média, com liquidez reduzida pelo feriado no Estado de São Paulo.

Ainda na quarta, Trump afirmou que o Irã “quer muito fazer um acordo”. Já fontes regionais confirmaram à CNN que Paquistão e Catar estão trabalhando para trazer os EUA e Teerã de volta à mesa de negociações.

O estrategista-chefe da Krivo Capital, Marco Saravalle, afirma que o mercado lê a declaração de Trump de maneira positiva. “A princípio, o Irã teria procurado os representantes dos EUA para conversarem novamente. Mas são informações extra oficiais”, pondera.

Para ele, com o petróleo Brent mais perto de US$ 75 por barril, o “copo meio cheio” é de que um cenário super pessimista de commodity acima de US$ 90 está ficando para trás, o que afasta a necessidade de o Federal Reserve (Fed) elevar juros rapidamente. “Aqui também alivia a curva de juros, com ao menos mais um corte na Selic precificado em agosto. Pensando em termos de setores da Bolsa, particularmente, tivemos vários papéis que caíram forte por conta da curva de juros mais estressada, então, se há menos estresse, acaba tendo uma correção”, avalia.

As ações das petrolíferas, inclusive Petrobras, figuraram entre as poucas quedas do Ibovespa, mas não ofuscaram a alta superior a 1% das ações de bancos e os ganhos do setor metálico. A ponta positiva foi liderada por ações cíclicas, como Magazine Luiza (+7%).

O head de renda variável da Fami Capital, Gustavo Bertotti, nota uma recuperação de praticamente todos os setores da Bolsa, que ocorre por conta do fechamento da curva de juros. “Há um clima mais ameno no exterior. Mesmo com algumas notícias mais duras, há o entendimento de que os ataques não vão durar muito tempo”, afirma.

Como alerta, o tráfego marítimo de Ormuz caiu bruscamente desde a retomada de bombardeiros entre EUA e Irã. Cruzaram o estreito ontem 14 navios carregados com commodities, frente a uma média diária de 34 embarcações desde o cessar-fogo em junho, segundo a Bloomberg.

Na sexta-feira, 10, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, às 9h, será mais um calibrador para as expectativas envolvendo a Selic. Segundo a mediana do Projeções Broadcast, o índice deve desacelerar a 0,31%, após alta de 0,58% em maio.

Juros

Apoiada no ambiente externo, a curva de juros futuros ampliou a devolução de prêmios na segunda etapa do pregão e fechou renovando mínimas intradia em todos os vértices nesta quinta-feira, 9.

Com a liquidez comprometida pelo feriado estadual em São Paulo, as taxas tiveram oscilação amplificada. A dinâmica benigna foi influenciada principalmente pela descompressão global, na esteira da percepção de desenvolvimentos positivos no conflito no Oriente Médio.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Deppósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,041% no ajuste de quarta a mínima intradia de 13,99%. O DI para janeiro de 2029 anotou baixa a mínima intradia de 14,205%, de 14,358% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,453% a mínima de 14,34%.

No início da tarde, fontes regionais confirmaram à CNN que Paquistão e Catar estão trabalhando para que Estados Unidos e Irã voltem à mesa de negociações. Delegações paquistanesas e catarianas foram os principais mediadores nas tratativas anteriores realizadas na Suíça, que culminaram no Memorando de Entendimento assinado em meados de junho. A notícia reforçou a percepção de alívio nas tensões, após o presidente Donald Trump ter voltado a afirmar, na quarta, que Teerã entrou em contato para fazer um acordo.

Ainda que a mídia iraniana tenha relatado novas explosões em várias regiões do Irã neste início de noite (horário local), os contratos futuros de petróleo fecharam a sessão regular com queda de cerca de 2%, o que moderou as curvas de juros globais e também se refletiu no Brasil. O Brent para setembro, que serve de referência para a Petrobras, caiu 2,2%, a US$ 76,30 o barril.

Sócio e economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio de Souza Leal observa que, nas últimas três sessões, o confronto entre EUA e Irã voltou a ditar os preços dos ativos, seja para cima ou para baixo. “Mas dado que, até agora, não temos nada de concreto sobre um acordo e houve ataques na madrugada, esse comportamento é um ‘wishful thinking’. O mercado quer alguma notícia para tirar esse conflito da frente”, disse.

Para Leal, o que tem mantido o mercado “calmo” em relação a questões ligadas à guerra é o fluxo de navegação relativamente pouco comprometido no Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo. “Nos últimos três dias, o número de navios que passa por lá não caiu tanto em relação ao que ocorria antes. Ainda há embarcações passando, o que aparentemente torna a discussão mais fácil de ser resolvida neste momento”, comentou.

A Capital Economics avalia que os mercados de títulos soberanos continuarão mais suscetíveis aos desdobramentos da guerra do que os de ações e moedas. Esses ativos estariam, por outro lado, mais bem posicionados agora do que há alguns meses para se sustentar, defende o economista-chefe de Mercados da consultoria britânica, Jonas Goltermann, em relatório desta quinta-feira.

“Avaliamos que é menos provável que um conflito renovado gere uma oscilação tão grande nas expectativas de juros de curto prazo como em março”, diz Goltermann, uma vez que o ponto de partida no momento atual é diferente, dado que os investidores esperam trajetória mais conservadora da política monetária. “Isso, por sua vez, sugere que os rendimentos dos títulos soberanos na ponta curta da curva dificilmente subirão tanto quanto naquela ocasião”, disse.

Por aqui, o único evento relevante no dia foi o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional, que, de acordo com Leal, também ajudou a acalmar a curva de juros nominais. O Tesouro vendeu integralmente o lote de 4,15 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) ofertadas, assim como o lote de 9 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN).

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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