Lionel Messi seria aplaudido pelos argentinos mesmo que estivesse fazendo alguma atividade entediante, como ter de ir a uma agência bancária. No encontro da Argentina com a Jordânia, valendo mais nada nesta Copa do Mundo, ele ganhou palmas por estar sentado no banco.
Quando entrou, indicava que seria tímido em campo, mas mostrou que não precisa de muito para ser Messi. Ao marcar o terceiro gol na vitória por 3 a 1, ele somou seis nesta edição, aumentou a vantagem sobre Kylian Mbappé na artilharia histórica (19 a 16) e se tornou o único jogador em Copas a marcar em sete jogos seguidos.
Não que os reservas de Lionel Scaloni não fossem aplaudidos. Mas, como em todo jogo da Argentina, a regra é a reverência máxima a ‘El Capitán’, como é chamado Lionel Messi.
Chame como quiser. Se Haaland é um cometa e Mbappé, uma tempestade, o camisa 10 é o Sol de Mayo, que tem a Argentina toda ao seu redor. Ovacionado, mesmo que só vestido com o abrigo da seleção e caminhando em direção ao banco de reservas.
Enquanto a Argentina trocava passes nos primeiros minutos, apesar de a saída ter sido da Jordânia, o telão voltou a mostrá-lo, já sem o casaco, sentado com os companheiros. Ele notou o alvoroço e até olhou para cima em busca do motivo. Não reagiu ao ver a si mesmo junto da estatística de artilheiro do torneio, com cinco gols.
O gol impedido de Giovani Lo Celso fez Lionel sair do banco. O Scaloni, não o Messi. A reclamação do treinador quase foi justa, já que o impedimento havia sido por pouco.
Jamal Sellami, técnico da Jordânia, falou, na véspera do jogo, que estava empolgado pela partida. O time jordaniano, porém, parecia não ter muito a mostrar para os argentinos. Com a posse, os jogadores asiáticos mal conseguiam passar do meio de campo.
Quando Lautaro Martínez foi derrubado na entrada da área, não deve ter havido um argentino que não quisesse Messi em campo para bater a falta. Lo Celso os acalmou com um chute no lado contrário à barreira, de canhota, como o camisa 10, abrindo o placar aos 18 minutos.
A pausa para hidratação tem sido vaiada em alguns jogos da Copa do Mundo. Os engajados torcedores argentinos são alguns dos que mais fazem barulho nesse momento. Enquanto Scaloni falava com os 11 titulares da noite, o telão voltou a estampar Messi, mas não ao vivo. Era o sorriso do capitão após a cobrança de Lo Celso.
Quando a Jordânia finalmente apresentou algo, uma defesaça de Abu Layla em cabeceio de Júlian Alvarez, o árbitro romeno István Kovács notou uma carga de Nizar Al-Rashdan sobre o atacante argentino.
Enquanto Kovács checava a repetição no VAR, Messi levantou e ficou junto a Scaloni. Gesticulou, como se reclamasse. Não precisava. O juiz assinalou a penalidade, com a qual Lautaro Martínez desencantou na Copa do Mundo, aos 30 minutos.
Dibu Martínez tocou na bola pela primeira vez aos 37 minutos, após um cruzamento já endereçado às suas mãos. O melhor lance da seleção jordaniana no primeiro tempo veio da arquibancada. Um torcedor com um cartaz para Michael Jordan: “Sorry, Michael, we were Jordan first” (Desculpe, Michael, fomos “Jordan” antes).
Menos cômicos, os argentinos também tinham seus momentos de destaque, ainda mais com o jogo mais morno no fim da primeira etapa. Foi quando o volume subiu com a letra de “La Cuarta Estrella”. Era assim que Messi estava também entre o público: “Sou argentino, desde o berço até o caixão. Pelas Malvinas, por Diego, pela última de Leo, Argentina, quero te ver bicampeã”.
Musa Al-Taamari, chamado de “Messi jordaniano”, entrou no intervalo. A Argentina voltou igual, mas Scaloni mandou seus reservas aquecerem, o que causou novo alvoroço por Messi, o argentino.
Foi da área de aquecimento que o camisa 10 viu Lo Celso fazer seu segundo gol anulado por impedimento na partida. Os torcedores e fotógrafos alocados próximos a esse espaço sequer devem ter visto a bola entrar, já que tinham suas lentes viradas para o aquecimento.
Aos 10 minutos do segundo tempo, Messi tirou o colete. Festa argentina. Quase ao mesmo tempo, Musa Al-Taamari causou outra euforia, agora dos jordanianos, ao descontar, completando de primeira o cruzamento rasteiro de Ihsan Haddad.
Aos 15, finalmente, a comemoração mais efusiva até então, com a entrada de Messi no lugar de Lautaro Martínez. Com ele em campo, a Argentina se dedica a procurá-lo no ataque. Após falta em cima de Mac Allister, próximo da área, a cobrança tinha dono. O chute por cima do gol foi aplaudido como palmas para um cantor que erra o tom.
Com bola rolando, Messi foi bem marcado. Acabou desarmado em mais de uma situação quando tentava invadir a área. A Jordânia não tinha nada a perder. Marcava o camisa 10 e tentava contra-atacar.
O erro da defesa jordaniana foi derrubá-lo com falta aos 32 minutos. Porque, de frente para o gol, o próprio Messi saberia tranquilamente tirar da barreira e olhar a bola entrando sem que Abu Layla sequer se mexesse.
Ainda deu tempo do palmeirense Flaco López estrear no Mundial. Ele tentou um chute cruzado após receber passe de Messi, mas a bola foi para fora.
Após o apito final, os jordanianos procuraram Messi, não mais para marcá-lo, mas para demonstrar idolatria. A Copa acabava para eles. Continua para os recordes do camisa 10 argentino.
A Argentina, agora com nove pontos, já tinha garantida a liderança do Grupo J e conhecia seu adversário da próxima fase desde a sexta-feira. Será Cabo Verde, único estreante do Mundial a se classificar, já que Curaçao, Uzbequistão e Jordânia foram eliminados.
Os cabo-verdianos garantiram o segundo lugar do Grupo H, eliminando o Uruguai, que ficou em terceiro, mas não entre os oito melhores da posição. O duelo pela segunda fase será no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, no dia 3 de julho, às 19h (de Brasília).
FICHA TÉCNICA
JORDÂNIA 1 x 3 ARGENTINA
JORDÂNIA – Abu Layla; Abdallah Nasib, Yazan Al-Arab e Abu Dahab (Saleem Amer Obaid); Ihsan Haddad, Nizar Al-Rashdan (Amer Jamous), Noor Al-Rawabdeh, Mohannad Abu Taha; Ali Olwan (Mohammad Abu Zrayq) e Odeh Al-Fakhouri (Mahmoud Al-Mardi) e Ali Al-Azaizeh (Musa Al-Taamari). Técnico: Jamal Sellami.
ARGENTINA – Emiliano Martínez; Giuliano Simeone (Valentín Barco), Nicolás Otamendi, Marcos Senesi, Nicolás Tagliafico; Giovani Lo Celso (Thiago Almada), Exequiel Palacios, Leandro Paredes e Nico Páz (Alexis Mac Allister); Lautaro Martínez (Lionel Messi) e Julián Álvarez (Flaco López). Técnico: Lionel Scaloni.
GOLS – Giovani Lo Celso, aos 18, e Lautaro Martínez, aos 30 minutos do 1º tempo; Musa Al-Taamari, aos 5, e Lionel Messi, aos 34 minutos do 2º tempo.
ÁRBITRO – István Kovács (ROM).
CARTÕES AMARELOS – Mohannad Abu Taha e Yazan Al-Arab.
PÚBLICO – 70.649 presentes.
LOCAL – AT&T Stadium, em Arlington, nos Estados Unidos.


