O júri popular dos policiais militares acusados de participar da morte do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), Antônio Vinícius Gritzbach, começou nesta segunda-feira (22), no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo. O julgamento tem previsão de duração de cinco dias, com sessões iniciadas diariamente às 10h.
Os réus Denis Antonio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva respondem por homicídio qualificado pela morte de Gritzbach e do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, além de duas tentativas de homicídio contra pessoas que ficaram feridas durante o ataque.
A primeira testemunha ouvida foi William Souza Santos, uma das vítimas do tiroteio ocorrido no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Funcionário do aeroporto há sete anos, ele afirmou que não conhecia as vítimas e não conseguiu identificar os atiradores.
Segundo William, o ataque aconteceu em uma sexta-feira e o movimento no aeroporto ainda era menor naquele horário. Ele contou que percebeu um carro parando próximo à faixa de pedestres onde conversava com um amigo e, logo depois, ouviu um barulho que inicialmente parecia um rojão.
Durante os disparos contra Gritzbach, William foi atingido em três dedos da mão. Em depoimento, disse que não houve discussão antes dos tiros e que após o ataque viu apenas o carro dos suspeitos deixar o local e o corpo do empresário caído no chão.
A segunda testemunha foi a gerente de tecnologia Samara, que retornava de uma viagem a Salvador (BA). Ela contou que estava prestes a solicitar um carro por aplicativo quando ouviu os disparos. Assustada, correu para trás de uma coluna com outras pessoas e percebeu que havia sido atingida por um tiro na barriga, mas sem ferimentos graves.
Samara afirmou que não viu os atiradores nem o veículo utilizado no crime. Ela relatou que ouviu uma sequência de tiros e que, após o episódio, realizou acompanhamento psicológico, mas atualmente está bem.
A terceira testemunha de acusação foi Simone Novais, viúva do motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, que também morreu no ataque. Ela contou que soube do ocorrido após receber uma ligação de um amigo e, depois, um vídeo gravado dentro da ambulância em que o marido dizia: “Levei um tiro, estou dentro da ambulância”. Foi o último contato entre os dois.
Simone relatou as dificuldades enfrentadas após a morte do marido, principalmente pelos três filhos do casal. Segundo ela, a família ainda sofre com as consequências da perda e a situação financeira ficou prejudicada.
A quarta testemunha ouvida foi o perito criminal Leandro, responsável pela análise dos vestígios do crime. Ele afirmou que a perícia identificou 27 disparos de fuzil no local, sendo 21 de calibre 7.62 e seis de 5.56.
De acordo com o perito, um dos tiros atingiu uma área interna do aeroporto a mais de 80 metros de distância, com possibilidade de atingir uma pessoa. A perícia também encontrou danos em um ônibus da Guarda Civil Municipal (GCM), possivelmente causados por ricochete.
Ao todo, serão ouvidas 21 testemunhas durante o julgamento. O Ministério Público de São Paulo indicou nove testemunhas de acusação, entre elas sobreviventes do ataque, a viúva de Celso Novais, policiais envolvidos na investigação, a delegada responsável pelo caso e o perito que elaborou o laudo.
As defesas dos três policiais indicaram 12 testemunhas e afirmam que os acusados são inocentes. Os advogados alegam que houve um direcionamento das investigações contra os réus, sem a apuração adequada de outros possíveis envolvidos.
Fernando Genauro da Silva, tenente da Polícia Militar, é apontado pela acusação como o responsável por dirigir o veículo utilizado na fuga dos atiradores. Denis Antonio Martins, cabo da PM, e Ruan Silva Rodrigues, soldado da corporação, são acusados de efetuar os disparos contra Gritzbach.
Os três policiais estão presos e respondem pelos crimes de homicídio qualificado e tentativas de homicídio.
Antônio Vinícius Gritzbach foi morto com tiros de fuzil na área de desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, no dia 8 de novembro de 2024. O motorista Celso Novais, que não tinha relação com o empresário, foi atingido durante o ataque e também morreu.



