Há pouco mais de um mês, a presença de Mikel Merino na Copa do Mundo era praticamente nula. O experiente volante do Arsenal, de 30 anos, lutava contra uma fratura por estresse no pé direito sofrida ainda em janeiro e temia não defender a Espanha pela primeira vez na maior competição de futebol do planeta. Ele ganhou a luta contra o tempo, se recuperou, voltou aos gramados e agora vê a seleção em condições de desbancar qualquer adversário em campos dos Estados Unidos, Canadá e México.
Merino deu entrevista ao site da Fifa e esbanjou confiança na seleção espanhola. “A Espanha pode ganhar de qualquer um”, cravou, lembrando da conquista da Eurocopa de 2024 – ainda foi vice na Liga das Nações, em 2025, perdendo a final nos pênaltis para Portugal.
Diferentemente de outros jogadores, Merino age com naturalidade sobre o favoritismo da Espanha. “Acho que faz parte do futebol. Quando você conquista títulos importantes e apresenta um bom nível de desempenho, as expectativas aumentam de forma natural. É claro que ser apontado como favorito é um reconhecimento do trabalho que fizemos e da qualidade do grupo. Mas também sabemos que há muitos elencos fortes, com jogadores extraordinários, e que qualquer detalhe pode fazer a diferença em um torneio tão curto”, afirmou.
O volante aproveitou para garantir que o elenco não se sente pressionado. “Por isso, enfrentamos essa condição com naturalidade. O mais importante é manter a humildade, continuar trabalhando da mesma forma e lembrar que os caminhos não são conquistados pelas expectativas, mas pelo que se faz dentro de campo.”
Para ele, disputar uma Copa do Mundo será diferente e ele não esconde a apreensão pelo convocação final, quando estava em recuperação da lesão. “Tive, sim (medo de não ser chamado por Luis de la Fuente). Algumas dúvidas surgiram quando recebi a notícia da lesão e soube quanto tempo a recuperação levaria. Pensei que poderia acabar ficando fora do torneio”, admitiu. “Tenho 30 anos, muita experiência acumulada, e estarei com 34 quando a próxima Copa acontecer. Por isso, estou muito feliz por estar aqui com este grupo de jogadores. É uma equipe muito forte, e me sinto uma parte importante dela por tudo o que já conquistamos juntos. Ficar fora teria sido muito difícil de aceitar”, reconheceu.
A Espanha estreia na segunda-feira, pelo Grupo H, diante de Cabo Verde, em Atlanta, e Merino tenta segurar a ansiedade. Os outros adversários da primeira fase serão Arábia Saudita e Uruguai, dias 21 e 26, respectivamente.
“Acho que vai ser uma sensação estranha. Por um lado, existem o nervosismo e o frio na barriga de estrear em uma Copa do Mundo e saber o quanto isso é especial. É o sonho de toda criança. Por outro lado, estou vivendo isso aos 30 anos, o que é diferente de quando você tem 19 ou 20 anos, idade em que muitos jogadores disputam sua primeira Copa do Mundo. Então, você já tem a experiência e a maturidade para encarar tudo isso como apenas mais uma partida de futebol”, afirmou. “E, se quiser aproveitar o momento da melhor forma possível, precisa estar tranquilo e relaxado. Vamos ver como vou lidar com equilíbrio entre essas duas coisas.”
Uma coisa é certa: o volante enxerga a Espanha muito bem ajustada para erguer seu segundo troféu após a conquista de 2010. “Estamos muito bem preparados. Temos uma combinação muito interessante de juventude, energia e vontade de conquistar títulos. Além disso, somos os campeões atuais da Europa, vencemos a Liga das Nações antes disso, e incorporamos jogadores que já passaram pelas seleções de base, como o sub-21, e que a comissão técnica conhece muito bem”, disse.
E seguiu: “A combinação de todos esses fatores é fundamental. Mas o mais importante é o nosso dia a dia: a comunicação entre os jogadores, o relacionamento que construímos e o ambiente familiar que criamos dentro do vestiário. Ter tudo isso reunido é uma ótima receita para o sucesso.”


