Uma adolescente paraguaia de 15 anos, desaparecida desde o dia 17 de maio, foi localizada na noite desta quarta-feira (20) em uma oficina de costura no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, na Grande São Paulo. A jovem estava ao lado da filha recém-nascida, de apenas um mês, e o caso passou a ser investigado por suspeita de trabalho análogo à escravidão.
Segundo informações da Polícia Militar, a adolescente foi encontrada em um imóvel na Rua São Francisco Conde. Além dela e do bebê, outras 17 pessoas estrangeiras também viviam e trabalhavam no local, onde funcionava uma oficina de corte e costura dentro da residência. As condições encontradas levantaram suspeitas de exploração irregular de mão de obra.
As investigações apontam que a jovem deixou Ciudad del Este, no Paraguai, após conflitos familiares envolvendo a guarda da filha. Desde então, familiares iniciaram buscas e divulgaram informações nas redes sociais para tentar localizá-la.
De acordo com a polícia, a adolescente veio de ônibus para São Paulo após receber uma proposta de trabalho feita por outra mulher paraguaia. A promessa era de um salário mensal de cerca de R$ 1 mil para atuar na oficina de costura. Entretanto, em depoimento, a jovem afirmou ter recebido apenas R$ 10 desde sua chegada ao Brasil.
A localização ocorreu após a adolescente utilizar o celular de uma mulher para entrar em contato com conhecidos no Paraguai. Com apoio do setor de inteligência da Polícia Federal, equipes da Polícia Militar conseguiram identificar e localizar o endereço onde ela estava vivendo e trabalhando.
A presença de diversos trabalhadores estrangeiros morando no mesmo local em que exerciam atividades profissionais chamou a atenção das autoridades. O caso será analisado pelos órgãos competentes para apurar possíveis crimes relacionados à exploração de trabalho, tráfico de pessoas e violação de direitos humanos.
Após o resgate, a adolescente e a filha receberam atendimento e acompanhamento das autoridades. Até o momento, não há informações oficiais sobre prisões ou responsabilização dos proprietários do imóvel.
O caso segue sob investigação.



