Fundador da Hybe e criador do BTS pode ser preso por suspeita de fraude milionária

Um dos nomes mais influentes da indústria do k-pop, Bang Si-hyuk, fundador da Hybe e responsável pela criação do BTS, pode enfrentar prisão na Coreia do Sul. A polícia de Seul solicitou à promotoria um mandado de detenção contra o executivo, investigado por suspeita de fraude envolvendo investidores antes da abertura de capital da empresa.

De acordo com informações da agência Reuters, o caso envolve possíveis violações das leis de mercado de capitais e ganhos ilícitos que podem ultrapassar 100 milhões de dólares (cerca de R$ 496 milhões na cotação atual). O pedido agora será analisado pelo Ministério Público, que decidirá se leva a solicitação à Justiça.

Entenda a investigação

As investigações se concentram em movimentações realizadas em 2019, antes da Hybe abrir capital na bolsa sul-coreana, em 2020. Segundo autoridades citadas pela Reuters e pela Bloomberg, Bang Si-hyuk teria induzido investidores a vender suas ações ao afirmar que não havia planos de IPO (oferta pública inicial).

No entanto, a empresa seguiu com o processo de abertura de capital pouco tempo depois. A suspeita é de que um fundo de private equity ligado a seus associados tenha adquirido essas ações e, após a valorização, repassado ao executivo cerca de 30% dos lucros, em um acordo paralelo.

As autoridades estimam que o esquema tenha gerado aproximadamente 200 bilhões de won (cerca de 129 milhões de dólares) em ganhos considerados ilícitos.

Pedido de prisão e próximos passos

De acordo com a Agência de Polícia Metropolitana de Seul, o pedido de detenção já foi encaminhado ao Ministério Público do Distrito Sul, que avalia se solicitará oficialmente o mandado à Justiça.

Caso o pedido avance, um tribunal deverá realizar uma audiência em poucos dias para decidir se Bang será preso preventivamente.

O executivo está proibido de deixar a Coreia do Sul desde o ano passado, enquanto as investigações seguem em andamento.

Defesa nega irregularidades

Em nota, a defesa de Bang Si-hyuk afirmou que o empresário cooperou com as autoridades durante todo o processo e criticou o pedido de prisão.

“Lamentamos que o mandado tenha sido solicitado apesar da nossa cooperação plena e consistente ao longo da investigação”, disseram os advogados.

A Hybe também sustenta que não houve irregularidade e afirma que os acordos relacionados à abertura de capital foram conduzidos dentro das orientações legais.

Impacto no mercado e na empresa

O caso ocorre em um momento estratégico para a Hybe, que vive uma nova fase de crescimento impulsionada pelo retorno do BTS após o período de serviço militar obrigatório.

Segundo dados citados por veículos como Exame, a empresa lidera o setor de entretenimento sul-coreano e possui forte presença internacional, com operações nos Estados Unidos e expansão para outros mercados.

A companhia também depende significativamente do sucesso global do BTS, responsável por grande parte de sua receita e valorização no mercado.

Quem é Bang Si-hyuk

Conhecido como “Hitman Bang”, Bang Si-hyuk é considerado um dos arquitetos do sucesso global do K-pop. Ele fundou a Big Hit Entertainment em 2005, hoje Hybe e foi responsável por desenvolver o BTS, grupo que se tornou um fenômeno mundial.

Antes disso, também atuou como produtor na JYP Entertainment e ajudou a moldar a indústria musical sul-coreana moderna.

Caso acontece em meio a retorno do BTS

A investigação ganha ainda mais repercussão por coincidir com o retorno do BTS aos palcos após quase quatro anos de hiato.

Analistas do setor, citados pela Bloomberg, estimam que a nova turnê global do grupo pode gerar mais de 1 bilhão de dólares em receita, reforçando a importância estratégica do momento para a empresa.

Possíveis consequências

Pela legislação sul-coreana, crimes financeiros envolvendo valores elevados podem resultar em penas severas, que variam de cinco anos de prisão até prisão perpétua, dependendo da gravidade e da comprovação das acusações.

O caso também se insere em um contexto mais amplo de endurecimento das autoridades do país contra práticas de manipulação de mercado, com políticas recentes de “tolerância zero” para esse tipo de crime.

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Por Redação Folha de Guarulhos.

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