Pouco antes do Natal de 2025, Julie Hart se sentia presa. Um problema persistente com o qual lutava há anos a deixava ruminando o dia todo e questionando quase tudo o que já havia dito, feito ou poderia fazer.
Ela estava considerando a terapia tradicional, mas decidiu experimentar a terapia de sessão única. Em vez de se comprometer com sessões semanais, ela teria apenas 60 minutos para lidar com o problema. Funcionou.
“Me ajudou a sair dessa situação, é assim que eu descreveria, de uma forma muito positiva, significativa e eficaz”, diz Julie.
Ela se juntou ao que especialistas dizem ser um número crescente de pessoas que, pelo menos por enquanto, decidiram abrir mão das semanas, meses ou até anos que a terapia tradicional implica, em favor de uma abordagem mais direcionada.
A terapia é exatamente o que o nome sugere: uma sessão, geralmente de uma hora, na qual um terapeuta ajuda o cliente a identificar passos concretos para aliviar um problema específico. A intenção não é resolver completamente um problema, mas sim ajudar os clientes a saírem com um conjunto de estratégias sobre como lidar com ele.
“Essas estratégias faziam todo o sentido”, alega. “Mas você não consegue identificá-las quando está vivenciando a situação.”
De onde vem a terapia de sessão única?
Não é uma novidade. Sigmund Freud, notoriamente, a oferecia. Mas ela se tornou cada vez mais comum como uma forma de suprir as lacunas no acesso aos cuidados de saúde mental.
E a necessidade é maior do que nunca, disse Jessica Schleider, professora de psicologia da Universidade Northwestern e diretora fundadora do Lab for Scalable Mental Health (Laboratório para Saúde Mental Escalável, em português).
O custo da terapia tradicional subiu, e mesmo aqueles que podem pagar ou têm plano de saúde enfrentam longas listas de espera.
“Mesmo que dobrássemos milagrosamente o número de profissionais de saúde mental treinados da noite para o dia, ainda assim não chegaríamos nem perto de atender à necessidade de apoio em saúde mental”, explica Jessica.
Isso não leva em consideração outras barreiras, como pessoas que não podem se ausentar do trabalho para participar de sessões semanais.
Além disso, os dados mostram que o número mais comum de sessões que as pessoas provavelmente receberão é apenas uma, porque muitas começam e não retornam.
“É uma solução realmente elegante para fornecer às pessoas o apoio de que precisam no momento em que essa necessidade surge”, pontua.
Como se diferencia da terapia tradicional
Sharon Thomas, psicóloga e diretora de terapia de sessão única no Ross Center em Washington, nos Estados Unidos, diz que tanto o terapeuta quanto o cliente entram na sessão com expectativas: “Que o cliente seja capaz de ter mudanças significativas em sua vida e que vejamos uma melhora em sua autoeficácia e uma diminuição em seus sintomas em apenas uma consulta”.
Em vez de fazer uma avaliação completa das circunstâncias passadas e atuais do cliente, o terapeuta se concentra em um problema específico. Ao final da sessão, o cliente sai com um plano escrito de passos para aliviá-lo.
“Nem todo mundo quer falar sobre traumas de infância”, explica Sharon. “O foco é muito mais no que o cliente quer abordar naquele momento.”
Para quem é indicado?
A maioria das pessoas pode se beneficiar da terapia de sessão única, seja para lidar com uma situação difícil, como um problema no trabalho, ou com algo mais persistente, como ansiedade, afirma Arnold Slive, professor de psicologia da Universidade Our Lady of the Lake, no Texas, que ajudou a criar as primeiras clínicas de terapia de sessão única sem agendamento prévio no Canadá, na década de 1990.
Slive diz que os terapeutas ainda têm a obrigação de avaliar o risco de automutilação, e muitas pessoas com problemas crônicos de saúde mental ainda podem se beneficiar da terapia tradicional ou de medicamentos.
“Não se trata de substituir todos os outros serviços oferecidos por profissionais de saúde mental, mas pode ajudar as pessoas a se sentirem melhor”, destaca.
Outra expectativa é que todo cliente já chegue com pontos fortes que o ajudarão a lidar com seu problema. As sessões únicas também costumam atrair um tipo diferente de cliente, como alguém que pode estar cético quanto à adequação da terapia tradicional para si. “É como molhar o dedinho do pé na água”, ilustra o professor de psicologia.
Eficácia baseada em pesquisas
Jessica avalia que a pesquisa sobre intervenção em sessão única “floresceu nos últimos cinco ou dez anos, a ponto de se tornar uma forma mais consolidada de apoio à saúde mental”.
Seu laboratório realizou uma metanálise de 415 ensaios clínicos e descobriu que, na maioria dos casos, as abordagens de sessão única reduziram as dificuldades de saúde mental em diversos problemas, incluindo depressão e ansiedade, tanto em jovens quanto em adultos, disse ela.
No caso de Julie, ela continuou se sentindo melhor meses depois e diz estar mais confiante por saber que poderia retornar.
“Saí me sentindo muito otimista”, resume.
*Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado pela equipe editorial do Estadão. Saiba mais em: https://www.estadao.com.br/link/estadao-define-politica-de-uso-de-ferramentas-de-inteligencia-artificial-por-seus-jornalistas-veja/


