O consumo nos lares brasileiros cresceu 3,68% em 2025 ante o ano anterior, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), resultado próximo ao registrado no ano anterior, quando o indicador avançou 3,72%. O resultado superou a projeção da própria entidade, que previa alta de 2,7% para o ano.
Para o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, a combinação de renda real em alta e acomodação dos preços dos alimentos ajudou a reduzir oscilações ao longo de 2025 e deu sustentação ao desempenho do consumo, sobretudo no último trimestre.
Na leitura mensal, o consumo das famílias avançou 15,69% em dezembro em relação a novembro. Na comparação interanual, a alta foi de 9,52%.
Segundo Milan, o resultado é consistente com o efeito sazonal típico do período. “O desempenho reflete a maior circulação de recursos na economia em dezembro, impulsionada pelo pagamento do 13º salário. Esse movimento contribuiu para uma aceleração mais concentrada na reta final do ano, sem alterar o comportamento do consumo no acumulado de 2025”, disse.
Os dados são deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e contemplam o desempenho de todos os formatos de supermercados.
Para 2026, a Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo das famílias, sustentado por estímulos à renda, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, o reajuste real do salário-mínimo e a manutenção de programas de transferência de renda.
Milan pondera, contudo, que a taxa Selic em patamar elevado tende a manter o crédito mais seletivo e o consumo mais cauteloso ao longo do ano.
Abrasmercado
O indicador Abrasmercado, que acompanha a variação de preços de 35 produtos de largo consumo, encerrou 2025 com movimento de acomodação dos preços dos alimentos. O índice fechou o ano com variação acumulada de 0,73% e preço médio de R$ 800,35 na média nacional.
Segundo Marcio Milan, condições climáticas mais favoráveis, safras recordes de grãos e um câmbio mais estável ajudaram a equilibrar os preços ao longo do ano, com reflexos diretos sobre o custo da alimentação no domicílio.
Já no recorte de 12 produtos básicos, o preço médio nacional registrou retração de 1,40% em 2025, encerrando o ano em R$ 340,39.
Entre as carnes e proteínas, observadas na cesta de largo consumo, as variações acumuladas em 2025 foram moderadas. O pernil encerrou o ano com queda de 1,84%, enquanto os cortes bovinos registraram altas de 1,30% no traseiro e de 1,55% no dianteiro. O frango congelado teve elevação de 1,60% e os ovos concentraram a maior alta do grupo, de 3,98%.
Nos produtos básicos, o comportamento foi amplamente favorável ao consumidor. O arroz liderou as quedas no acumulado do ano, com retração de 26,55%, seguido por leite longa vida (-12,87%) e feijão (-4,21%). Em sentido oposto, o café torrado e moído registrou a maior alta do grupo, de 35,64%.


